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Review de CD: Prophajnt - A New Beginning

sexta-feira, 16 de agosto de 2013


Uma das reclamações mais constantes entre as pessoas que trabalham no meio do Rock/Metal (e dos fãs também) tem sido a dificuldade em encontrar bandas com propostas diferentes e que sejam capazes de inovar. Infelizmente o gênero já caiu na mesmice há muito tempo e para cada 10 bandas novas, 9 já começam muito mal por adotarem um rótulo logo de cara. Não nego que isso já dá um certo desânimo quando aparece algum material para review. Mas as vezes você tem alguma surpresa agradável e, ao levar tudo isso em conta, uma banda como a Prophajnt acaba sendo um diferencial dentro da cena independente.

O grupo já está na ativa há algum tempo, trabalhando tanto em material próprio quanto em tributos a Iron Maiden e Dio. "A New Beginning" é o primeiro lançamento oficial da banda e traz 7 faixas que apresentam ao ouvinte uma bela mistura de Heavy Metal tradicional, Hard Rock e outras influências diversas que serão abordadas ao longo da resenha. A Prophajnt é formada por Verônica Pasqualin (vocal), Márcio Ritter (guitarra), Gustavo Refosco (baixo) e Rodrigo Marques (bateria).

O EP abre com a intro "Un Sentiment", faixa curta que contém belas melodias vocais de Verônica. "Strong Enough" vem na sequência apresentando uma síntese da proposta do grupo, com uma levada bem tradicional conduzidas por boas viradas de bateria de Rodrigo. Apesar de ser marcante desde o início as influências supracitadas, a banda sabe utilizar isso como base para criações mais ousadas e inovadoras, passando longe dos clichês que permeiam o cenário contemporâneo.

Em "Face Your Truth" é dado continuidade ao som característico da banda. Seu refrão é bem marcante e as linhas de guitarra são bem trabalhadas, culminando em um dos melhore solos de Márcio no trabalho apresentado. Na sequência temos "Inner Mess", única faixa de autoria de Gustavo e certamente um dos melhores momentos de "A New Beginning". A canção impressiona com sua pegada bem funk, tanto na guitarra quanto nos slaps do baixista. "Inner Mess" deixa bem claro que o caminho que a Prophajnt deve seguir é justamente essas misturas com influências diversificadas. Sendo sincero, de todos os trabalhos nacionais lançados até agora em 2013, "Inner Mess" é uma das canções mais criativas que escutei.

A balada "Angel Of Mine" começa com uma excelente passagem acústica, onde ficam evidentes as influências eruditas de Márcio. A canção evolui para tornar-se mais pesada, terminando com uma excelente performance vocal de Verônica. Ao lado de "Inner Mess", é uma canção que destaca-se com grandes diferenciais e valoriza o talento dos músicos da Prophajnt. Já "Escape From The Fire" é praticamente o hit pronto da Prophajnt, impossível escutar essa música e não sair cantando o refrão de primeira. Vale lembrar que foi aqui no All That Metal que a banda fez a estreia da faixa, em uma matéria de Ana Rauber na Semana Ronnie James Dio, em maio desse ano.

Encerrando o lançamento temos a faixa título, contendo apenas voz, violão e teclados. Mais uma vez, temos uma ótima performance de Verônica alternando entre tons altos e baixos com exímia técnica. Ao final, ficamos com a vontade de escutar logo um full length dessa banda promissora. O único problema é que eu conheço muito bem a banda ao vivo e fiquei com a leve impressão de que a produção não favoreceu a captação do feeling que eles tem em cima do palco. Mas isso é uma questão que não atrapalha em nada a audição do trabalho, pelo contrário, acho um lançamento mais do que digno para marcar o primeiro registro profissional da Prophajnt.

"A New Beginning" é exatamente o que diz o título: o começo de uma nova fase na carreira da Prophajnt. O EP sintetiza tudo que a banda faz e ainda é capaz de fazer. Atualmente o grupo fez uma pausa das apresentações ao vivo e deve retornar aos palcos somente no ano que vem. Inclusive, publicamos uma matéria sobre a última apresentação de 2013, você pode CLICAR AQUI para conferir todos os detalhes. Mas nada impede você de adquirir o EP na loja virtual da banda, certo? É isso mesmo, você pode escolher comprar a cópia física ou a versão digital para download. CLIQUE AQUI para mais detalhes. Altamente recomendado pela equipe do All That Metal!

Nota: 4

Postmortem: "Atra Mors" e o show com o Possessed

segunda-feira, 5 de agosto de 2013


A banda Postmortem já está na ativa há quase 10 anos e conseguiu estabelecer seu nome como um dos grandes expoentes do underground gaúcho. Isso para não falar em um âmbito nacional, uma vez que o Death Metal apresentado pelo grupo de Pelotas não fica devendo nada para os principais representantes do gênero no Brasil. Em fevereiro desse ano a banda lançou o EP "Atra Mors", contendo três faixas com muita brutalidade e técnica. Inclusive, uma das faixas do trabalho ("Above All Lies") foi primeiramente divulgada com exclusividade aqui no ATM, quando a banda fez a estreia da nossa seção Southern Extremism.

Atualmente a Postmortem prepara-se para uma das apresentações mais importantes de sua carreira: abrir o show do Possessed em Porto Alegre, no dia 8 de agosto. Abrir para a banda precursora do subgênero é uma grande honra conquistada com méritos pelo ótimo trabalho da banda. O show vai ser realizado no Beco e você ainda pode adquirir ingressos do 2º lote por R$ 70 na Heaven And Hell Rock Store (R. General Vitorino, 140 - Sala 201 - Porto Alegre-RS). CLIQUE AQUI para todos os detalhes sobre o show.


A matéria que apresentamos hoje é algo bem diferente do que estamos acostumados. Ao invés de fazermos um review como tradicionalmente acontece com diversos lançamentos, decidimos convidar a própria banda para falar de "Atra Mors". O guitarrista/vocalista Bruno Añaña e o baterista Douglas Veiga contam como foi o processo de gravação, detalhes sobre as letras e muito mais. A banda ainda conta com Mou Machado (guitarra) e Juliano Pacheco (baixo). E antes de começarmos, apenas um recado: a banda já está finalizando seu próximo EP que está em fase de mixagem.


Sobre a gravação:

"A gravação do EP 'Atra Mors' foi extremamente proveitoso para a banda, primeiro por ser o segundo trabalho oficial de estúdio da banda, outro pelo produtor ser o guitarrista e vocalista Bruno Añaña, que vem trabalhando com bandas locais como Vetitum, Trail Of Sins, Escória, She Hoos Go entre outras. Foi um processo de muita união, esforço e aprendizado de todos da banda e o resultado se reflete na obra, que contentou a todos.
Ao fim da gravação dos três sons, era notório que o material já tinha uma excelente qualidade sonora. Foi nesta etapa que uma parceria para mixagem e masterização foi firmada entre o produtor Felipe Lisciel (RJ) e a Postmortem. Devido à sua metodologia de trabalho mais voltada para o áudio analógico, o EP 'Atra Mors' ganhou uma sonoridade interessantíssima, agradando demais à banda e demais envolvidos no processo."


Faixa-a-faixa de 'Atra Mors':

Above All Lies: 


 "Atra Mors" já abre com toda a brutalidade de "Above All Lies", uma faixa rápida com riffs diretos e vocais agressivos. A bateria tem passagens destruidoras alternando entre blast beats precisos e outras passagens mais técnicas. É impossível não destacar o solo de guitarra da faixa, com uma ótima melodia que encaixou-se na música de uma forma muito criativa.

"A música foi escolhida pelo seu peso do início ao fim e provavelmente de cara, já foi cotada para abrir o EP pelo jeito bruto como começa. Foi a 3ª ou 4ª composição da banda, sendo composta por Bruno, Willian Knuth (ex-vocal) e Douglas Veiga (bateria), este último, responsável pela letra também. O solo de guitarra é um dos favoritos de Bruno que alia uma melodia simples e bem harmonizada com a base. Os vocais são na maior parte do tempo rápidos, talvez a que mais exigiu tecnicamente para ser gravada."

Possession Of Spirit And Flesh: 


A segunda faixa de "Atra Mors" deixa bem claro as influências da Postmortem, com um Death Metal de altíssima qualidade. A canção alterna entre alguns momentos mais rápidos e pesados, para depois levar o ouvinte a uma sonoridade mais cadenciada. Duvido muito que um fã de música extrema escute a faixa e não saia bangueando com o trecho final dela logo na primeira audição.

"Embora já conste na primeira demo da banda 'Out Of Tomb', decidimos incluí-la por acharmos uma excelente composição, talvez uma das mais bem elaboradas, embora o início tenha sido modificado em relação ao primeiro registro. A composição é de Bruno Añaña e Douglas Veiga, letra de Douglas Veiga."


Till Your Last Breath: 


Particularmente, minha favorita do EP. A maior parte da música tem um peso mais arrastado, para depois evoluir até seu final caótico. Tudo em "Till Your Last Breath" encaixa-se perfeitamente bem: guitarras com muito peso; um solo que começa mais melódico para depois ficar mais rápido e enfim terminar com as duas guitarras em conjunto; as melhores linhas de baterias do EP, com muita técnica e agressividade. O trecho final da música é sensacional e vai literalmente violentar seus ouvidos.

"É uma composição mais recente da Postmortem, seu ritmo é bem mais lento mas conta com um final brutal. Composta por Bruno Añaña e Mou Machado, é a primeira música da Postmortem com letra de Bruno Añaña."


Letras:
Above All Lies
Douglas Veiga: "Nessa letra eu falo sobre os dogmas religiosos e como existe gente cega que corre atrás de um ideal vazio. No caso o interlocutor é algo ou alguém, com um espírito de vingança, que vive neste mundo regulado por morais e leis e que quer ter a sua desforra! Ele vai se vingar de quem por anos o aprisonou não podendo se expressar e ter um real livre arbítrio. Tal qual a gente que vive num mundo podre e hipócrita, mas devemos baixar a cabeça para regras sociais manipuladas por quem tem um poder material, criado por eles mesmos, e superlavorizado pela massa ignorante."

Possession of Spirit and Flesh
Douglas Veiga: "Esta eu lembro de ter imaginado algo mais demoníaco e fantástico pra ilustrar o comportamento de pessoas que simplesmente não se encaixam na sociedade, tem algum tipo de maldade enraizada no inconsciente. Imaginei bem como um filme mesmo, gosto de pensar em roteiros pras coisas que escrevo e nessa é algum tipo de filme de terror sobre possessão ou algo não explicado. A tal pessoa sofre de alguma maldição ancentral e todo seu corpo e mente são dominados por um ser que se alimenta das fraquezas carnais e piscológicas do indivíduo. Enquanto isso ele evolui e passa extirpar qualquer traço da personalidade e se torna o líder do corpo em si."

'Till Your Last Breath
Bruno Añaña: "Basicamente trata-se de uma alma penada presa ao mundo dos vivos e que foi morta em virtude da ganância de uma única pessoa. A vontade é puramente de vingança, que será conseguida através da força vinda de outros espíritos mortos pelo mesmo motivo."


Show com o Possessed
"Como músico da Postmortem e como alguém que cresceu ouvindo Seven Churches e Beyond The Gates, será um prazer e uma monstra honra, não só de ver os caras tocando estes sons ao vivo como também de participar da abertura do show deles na capital do meu estado. Espero no mínimo uma noite surreal pra Postmortem e pra todos que forem até o Beco bater cabeça." 
- Bruno Añaña

Review de CD: Kalmah - Seventh Swamphony

terça-feira, 25 de junho de 2013

 Como o próprio nome já indica, "Seventh Swamphony" é o sétimo disco de estúdio dos finlandeses do Kalmah, banda que ficou conhecida por tocar um Death Metal melódico extremo e de alta precisão. O grupo que sempre teve as guitarras dos irmãos Antti e Pekka Kokko a frente, conseguiu levar sua música a um novo patamar, fugindo dos clichês que perseguem o gênero que dedicaram-se a tocar. Talvez parte disso seja por conta do novo tecladista, Veli-Matti Kananen, que sabe usar seus efeitos de forma inovadora na banda, sem soar entediante como boa parte das bandas do gênero.

A faixa título dá início aos trabalhos de forma violenta com blast beats e acordes de teclados que dão um tom de grandiosidade ao início do trabalho. A canção nos brinda com o Kalmah já tradicionalmente conhecido por todos, ou seja, espere por melodias bem construídas, vocais extremos e outros elementos comuns ao Death melódico. No meio da música temos uma bela passagem acústica que antecede o solo de guitarra. Em "Deadfall" e "Pikemaster" a banda dá continuidade ao clima que permeia quase todo o trabalho. São canções rápidas e técnicas, sempre com as guitarras a frente conduzindo tudo com riffs e melodias. Apesar do uso excessivo dos teclados em diversos momentos, a banda consegue fazer com que isso seja um diferencial e não atrapalhe o resultado como um todo.

O maior destaque do novo lançamento é "Hollo", faixa que destaca-se em meio ao álbum com seu começo mais arrastado, um bom trabalho de contraponto nas guitarras e vocais limpos em determinados trechos. Do peso arrastado ela evolui e fica mais rápida, com o pedal duplo marcando riffs mais rápidos e corais acompanhando as linhas de teclado. Definitivamente, um diferencial não apenas para "Seventh Swamphony", mas para toda a discografia do Kalmah.

"Windlake Tale" é uma das mais pesadas do trabalho e destaca-se pela grande variação e criatividade ao longo de seus 4 minutos e meio. Nesse ponto já é evidente para qualquer um as influências eruditas da banda, especialmente nos solos magistrais presentes em quase todas as músicas do disco. O clima muda um pouco em "Wolves On The Throne", outro momento em que podemos observar estruturas bem trabalhadas com ótimas linhas de guitarras, baixo e teclado.

Próximo ao fim do álbum, temos a pesada e rápida "Black Marten's Trace", que lembra um pouco os trabalhos mais antigos da banda. "The Trapper" encerra o novo álbum do Kalmah de forma digna, uma das melhores dentre as 8 faixas. É uma canção que também lembra os primeiros álbuns da banda, especialmente nas melodias das guitarras, apesar de ainda conter elementos comuns a fase atual.

De uma forma geral, "Seventh Swamphony" é um ótimo álbum, repleto de variedades que conseguem prender o ouvinte o tempo inteiro. Em momento algum ele torna-se previsível como acontece em determinados casos com outras bandas do gênero. Ouso dizer que é um dos melhores lançamentos do ano, especialmente levando em conta a exímia técnica dos músicos. Para quem já era fã o trabalho é muito recomendado e para quem ainda não conhece a banda é uma ótima maneira de dar o primeiro passo.

Nota: 5/5



Review de CD: Broken & Burnt - Let The Burning Begin

quinta-feira, 13 de junho de 2013


O Broken & Burnt é uma banda formada em 2011 na cidade de Vitória, Espírito Santo. Lançaram seu primeiro álbum em outubro do ano passado, "Let The Burning Begin", onde apresentam uma sonoridade com base no Groove Metal. São 9 faixas de pura intensidade no debut, brindando o ouvinte com ótimos riffs e melodias que definem o que a própria banda chama de Alcoholic Groove Metal. No geral, personalidade é um dos pontos altos do Broken & Burnt, sendo possível notar até mesmo algumas influências de Thrash e Stoner Metal em suas composições. A formação do grupo conta com Hugo Ali Morelato (guitarra e vocal), César Schroeder (guitarra), Denis Coelho (baixo) e Apache Moons (bateria).

O trabalho abre com "Short-sighted Solution", logo de cara mostrando uma das principais características da banda, que é a exímia habilidade de compor refrãos marcantes, daqueles que grudam em sua mente logo na primeira audição. "Break & Burn" vem na sequência, uma das melhores faixas do álbum, com riffs de muito peso e uma ótima performance de Morelato nos vocais. É outra canção que tem um refrão de fácil assimilação, certamente entoado a plenos pulmões pelos fãs do grupo. A curta "Hatred Song" já começa de forma agressiva e soa bem mais direta que outras canções do álbum. Destaque especial na faixa para o baterista Apache Moons, mandando ver em um blast beat preciso, alternando entre outros momentos com mais groove e viradas bem criativas.

Sabe aquela música que você escuta pela primeira vez e já começa a balançar a cabeça? "The New Me" é assim, com riffs que tem uma ótima levada. É uma canção que evolui gradativamente até a chegada do solo de guitarra, perfeitamente encaixado dentro do contexto da faixa. Logo depois temos "Bleed", particularmente minha favorita do álbum. Seu começo é bem sereno com um trecho acústico, para depois despejar riffs pesadíssimos e muito bem estruturados. "Bleed" possui o melhor trabalho de guitarras do álbum inteiro, não há dúvidas. Não conseguiria explicar o real motivo, mas em alguns momentos lembra o The Haunted do álbum "The Dead Eye". 

Ainda temos "The Bait I Won't Bite" e "Those Down (Shall Rise)", canções que definem muito bem o que vem a ser o Alcoholic Groove Metal da banda. Apesar de bem diversas entre si, ambas possuem momentos de peso arrastado, conduzidos pelas guitarras de Morelato e Schroeder. Vale citar também o ótimo solo de "Those Down (Shall Rise)", um dos momentos mais brutais do álbum. 

"Tell Me No Lies" foi escolhida para ganhar um vídeo e é uma das melhores faixas de "Broken & Burnt". A composição alterna entre momentos mais calmos e outros mais pesados, mais uma vez destacando o ótimo trabalho das guitarras. Em "Tell Me No Lies" também fica mais evidente a influência de Stoner citada anteriormente. Fechando o álbum temos "Hate Will Grow", outra que podemos incluir como uma das melhores do petardo. Impossível escutar o trecho mais arrastado e não sair batendo cabeça conforme ele cresce gradativamente e nos conduz ao último solo de guitarra em "Let The Burning Begin".

A produção e mixagem do álbum não é nada que vai surpreender quem costuma escutar muitos lançamentos nacionais, mas é digno de nota. Cada instrumento pode ser escutado perfeitamente, em nenhum momento encontramos um caos sonoro que deixa a música incompreensível. Digo isso pelo simples fato de que vejo muita banda boa por aí que destrói sua música em trabalhos mal produzidos. Felizmente, não é o caso, "Let The Burning Begin" é uma estreia digna para o Broken & Burnt.

É uma banda que vale a pena conferir e que tem grande potencial para alçar voos maiores se conseguir dar continuidade a sua evolução sonora. Seu maior trunfo é partir do Groove Metal como base para direcionar a música muito além do rótulo. Dessa forma, o som do Broken & Burnt soa inovador e repleto de influências diversas, gerando uma banda com personalidade própria. Uma postura louvável na cena atual.

Nota: 4

Review de CD: The Black Dahlia Murder - Everblack

segunda-feira, 10 de junho de 2013


Ao longo dos últimos 10 anos, a cena mundial assistiu a ascensão de inúmeras bandas novas de Death Metal nos Estados Unidos. Muitas dessas bandas não restringiram-se a seguir os caminhos mais convencionais desse subgênero, optando por adicionar algumas influências diferentes e gerando uma certa resistência por parte dos fãs mais radicais. Tanto que é comum ver algumas dessas bandas sendo erroneamente associadas ao popular Deathcore, que alcançou seu apogeu no início da década atual. The Black Dahlia Murder foi uma dessas bandas que expandiu os horizontes com um Death Metal melódico bem distante dos clichês e com muita identidade própria.
"Everblack" foi o nome escolhido para o 6º álbum de estúdio da banda de Waterford, Michigan. O lançamento é um passo adiante em relação ao trabalho anterior, "Ritual", de 2011. É aquele tipo de álbum que basta você dar o play na primeira música e depois apenas curtir toda a sua brutalidade ao longo das 10 faixas. Em "Everblack" temos um peso intenso do início ao fim, canções que conseguem ser diretas e tecnicamente complexas ao mesmo tempo, tudo na medida certa e sem exageros. 
Logo na primeira faixa, "In Hell Is Where She Waits For Me", já dá para ter uma noção que aqui a coisa é brutalidade o tempo inteiro. "Goat Of Depature" segue a mesma linha, com destaque especial para os blast beats do novo baterista da banda, Alan Cassidy (ex-Abigail Williams), certamente um dos melhores do metal extremo na atualidade. As duas canções que abrem o álbum também ressaltam outra grande qualidade do Black Dahlia: as letras bem elaboradas com temáticas de horror e suspense, muitas vezes inspiradas em obras de H.P. Lovecraft. Certamente, um diferencial que vale como atrativo a mais para quem curte sua música.
Em "Into The Everblack" o peso segue, mas no meio da canção temos um trecho com guitarras mais melódicas e teclados que dão um clima grandioso para a faixa. É inegável o fato de que é um dos destaques do petardo, isso para não dizer que podemos considerá-la uma das melhores músicas lançadas em 2013. "Raped In Hatred By Vines Of Thorn" e "Phantom Limb Masturbation" seguem a mesma linha de agressividade intercalada por melodias marcantes dos guitarristas Brian Eschbach e Ryan Knight.
Em "Control" nos deparamos com um breve momento de peso cadenciado que depois é acelerado pelo pedal duplo de Cassidy. Ainda temos um dos melhores solos de guitarra do álbum em "Control", além do espetacular dueto de guitarras próximo ao fim. "Blood Mine" é curta e vai direto ao ponto, sem frescuras. Mas é na faixa seguinte que o ouvinte é conquistado de vez pelo álbum, com "Every Rope A Noose", outro destaque de "Everblack". Um peso absurdo, destruição total! Isso sem contar o vocal sobre-humano de Trevor Strnad, literalmente apavorante o que ele fez nessa que é uma das melhores faixas do trabalho.
Para encerrar temos "Their Beloved Absentee" e "Map Of Scars", duas canções que seguem a linha tradicional da banda, ou seja, muito peso, agressividade e melodias bem trabalhadas. Vale ressaltar que "Their Beloved Absentee" tem uma letra bem criativa e interessante. E eu sei que parece estranho alguém dar atenção para letras de uma banda onde parece impossível entender o que o vocalista está cantando, mas é que o Black Dahlia realmente é uma excessão. A banda tem conteúdo e acho importante destacar isso.
Pode não ser o melhor álbum do The Black Dahlia Murder, ainda mais considerando que "Nocturnal" (2007) e "Miasma" (2005) são duas pérolas que dificilmente serão superadas. Mesmo assim, "Everblack" não é um álbum que deve passar despercebido, pelo contrário, marca um passo adiante na carreira da banda e é obrigatório para quem curte um som extremo bem trabalhado. Forte candidato para listas de melhores do ano!

Nota: 4,5








Review de CD: Black Sabbath - 13 [por Tiago Alano]

sábado, 8 de junho de 2013


Esse é o segundo de uma série de reviews que estamos postando do novo álbum do Black Sabbath. Para ler todas as resenhas, clique na tag review 13.

Falar sobre o novo álbum do Black Sabbath é uma tarefa mais difícil do que vocês pensam. A primeira reação óbvia que alguém tem ao escutar "13" é uma grande empolgação, afinal de contas, a espera por um trabalho de estúdio foi longa. Muitos fãs nem eram nascidos quando Ozzy Osbourne ainda integrava a banda nos anos 70. Mas fazer uma resenha do disco é algo que requer uma audição mais cautelosa, a emoção deve ficar de lado por alguns instantes para a razão sobressair-se e a avaliação ser a mais justa possível. 

É inegável o fato de que "13" é um ótimo trabalho, superou muitas expectativas e impressionou até os fãs mais pessimistas. Ainda assim, não acredito que deve ser um álbum elevado ao status de clássico instantâneo, por favor, vamos conter os exageros. É simplesmente o som típico do Black Sabbath, sem mais nem menos. Tony Iommi segue criando riffs simples e magníficos, daquela maneira totalmente única e característica que ele evoluiu em mais de 40 anos de carreira. A presença marcante do baixo de Geezer Butler é um diferencial em "13", possivelmente uma das melhores perfomances já apresentadas em um disco do Sabbath. Vale lembrar que Butler também foi responsável pelas letras das canções, outra função bem desempenhada pelo mestre das 4 cordas. 

E o Ozzy?! Bem... o Ozzy? Ah, é 2013! Já existe o Auto-Tune. Falando sério: não adianta negar, Ozzy é muito mais um showman do que um vocalista mesmo. Mas tudo bem, ele é Ozzy Osbourne, fuckin' Prince Of Darkness, não precisa provar nada para ninguém e não vai ser a minha opinião que vai mudar sua imagem. É óbvio que ele deu muito trabalho para os engenheiros de som do estúdio, basta assistir os vídeos recentes da banda ao vivo. Ainda assim, seu timbre característico faz o Sabbath soar novamente como foi na década de 70, com aquele clima sombrio e embalado por riffs influenciados por Blues.

O álbum abre com "End Of Beginning" e "God Is Dead", as duas faixas que foram apresentadas aos fãs antes do lançamento de "13". É um ótimo começo para os 53 minutos que temos pela frente, ambas trazem o velho som que popularizou o Sabbath, lembrando um pouco os dois primeiros álbuns dos ingleses. A primeira começa com um peso arrastado que conduz a um trecho mais calmo e sombrio, para depois despejar os riffs sensacionais de Iommi com uma levada que alterna entre momentos mais rápidos e outros levemente cadenciados. "God Is Dead" é uma síntese de tudo que o Sabbath sempre foi com Ozzy nos vocais, começa lenta para depois trazer riffs mais pesados ao ouvinte.

Em "Loner" temos alguns momentos mais influenciados por Blues, influência evidente para Iommi desde a formação da banda. Chama muita atenção nessa faixa o momento com guitarras mais limpas, nada impressionante mas muito bem sacado. No geral, "Loner" é um dos melhores momentos de "13" e de fácil assimilação por parte do ouvinte. "Zeitgeist" vem na sequência e aqui cabe um comentário desagradável: por qual motivo eles decidiram gravar uma nova "Planet Caravan"? Até a duração de "Zeitgeist" é quase a mesma do clássico presente em "Paranoid"! Não é música ruim, muito longe disso, é apenas desnecessária. Honestamente, seria muito mais interessante se essa música fizesse parte de "The Devil You Know", considerando que o vocal de Ozzy simplesmente não combinou direito com o instrumental de "Zeitgeist". 

Dando continuidade ao peso arrastado que permeia boa parte do lançamento, temos "Age Of Reason", mais uma vez marcada pelos riffs de Iommi. Destaque especial para os teclados que dão um clima grandioso em certos momentos e o belo solo ao final da música. Já "Live Forever" é quase um single pronto, música que facilmente vai ser lembrada pelos fãs e cantada em massa nos shows da banda.

Em minha singela opinião, "Damaged Soul" é a melhor canção de "13", de longe a melhor composição. Mais uma vez as guitarras com aquela pegada blueseira, Butler destacando-se com ótimas linhas de baixo e uma harmônica cromática (vulgo gaita de boca) mandando ver alguns bends. Absurdamente épica! Fechando o álbum temos "Dear Father", que segue quase a mesma linha das faixas de abertura, alternando entre momentos com um peso mais lento e outros trechos mais harmoniosos. Detalhe: os instantes finais do disco são exatamente iguais ao início do álbum de 1970 que deu origem ao Heavy Metal.

Confesso que fiquei impressionado com o trabalho de produção de Rick Rubin, pois todos os trabalhos que escutei dele nos últimos anos deixaram a desejar em muitos aspectos. Já o baterista Brad Wilk (Rage Against The Machine, ex-Audioslave) poderia ter feito melhor, na minha opinião, ele fez exatamente o que foi requisitado. Acredito que está aquém de sua habilidade, é um baterista experiente que poderia ter contribuído para dar ainda mais personalidade às músicas. Quem sabe Tommy Clufetos consegue dar mais peso nas baquetas quando as faixas de "13" forem executadas ao vivo.

Enfim, o álbum é ótimo, isso é inegável. É Sabbath puro e não consigo imaginar como isso não poderia agradar em cheio aos fãs. Mas ainda acredito ser um exagero colocá-lo em um pedestal e considerá-lo um clássico da banda. Se tocarem apenas duas ou três músicas de "13" no show de outubro em Porto Alegre, já está ótimo. Além do mais, o ano de 2013 tem nos proporcionado uma série de ótimos lançamentos, para mim ao menos, vai ser bem difícil o disco estar entre os melhores.

Nota: 4

Review de CD: Black Sabbath - 13 [por Delmar Borba]

sexta-feira, 7 de junho de 2013


Esse é o primeiro de uma série de reviews que estamos postando do novo álbum do Black Sabbath. Para ler todas as resenhas, clique na tag review 13.

A expectativa foi grande, e a resposta foi a altura! "13" é um disco pra lavar a alma de quem esperava desde 1979 por um disco completo do Black Sabbath com  Ozzy nos vocais, e também serve pra tapar a boca de quem ainda insiste na frase que diz: “os velhos não são mais os mesmos”. Pois eu digo: “QUEM SABE SABE MEU VELHO!!”. Os caras botam todos no seu devido lugar com músicas de puro heavy metal com aquela pegada dos anos 70, porém com um toque das modernidades dos dias atuais, sem perder a identidade. Tony Iommi  continua com aquela pegada mais obscura mostrada com maestria no disco do Heaven And Hell ("The Devil You Know") temperada com a aura Rock’n Roll dos anos 70, que nesse disco (felizmente) ficou mais evidente.

O disco começa com a ótima "The End Of The Beginning", com um riff lento e pesado e a voz de Ozzy acompanhando a mesma linha, bem no estilo da música "Black Sabbath", e vai crescendo gradativamente até descambar  em um riff que só Iommi é capaz de fazer. De acordo com que a música vai passando, os arranjos vão crescendo até que vem um solo que dispensa comentários, pois lá está o mestre supremo das seis cordas. Depois os arranjos caem para uma linha melódica muita calma, com os vocais de Ozzy muito bem encaixados, até que vem mais um solo matador. Na minha opinião, uma das melhores do disco.
Depois vem  "God Is Dead?", que todos já conhecem, pois foi escolhida como o primeiro single do disco e já foi disponibilizada antes para download e no YouTube também. Segue a mesma linha da primeira, destacando primeiramente a voz de Ozzy, muito bem encaixada, para depois chegar mais um riff monstruoso de Tony Iommi. Porém o que sobra de qualidade durante toda a música fica devendo (e muito) no solo, diria que ficou até mesmo decepcionante, bem fraco. Mas não poderia deixar passar em branco o trabalho de Geezer Butler nessa musica, fazia muito tempo que não escutava um disco com um timbre tão claro e potente de baixo. O trabalho de baixo no disco inteiro está fenomenal (como não poderia deixar de ser), mas o que ele faz na linha que serve de base para o “solo” desta música é de arrepiar, lembrando os velhos tempos de “War Pigs”.
O disco segue com "Loner", mais uma que, na minha opinião, se destaca no disco. Essa sem introduções ou dedilhados no inicio, vai direto para o riff principal e segue uma linha mais rock’ n roll, sem muitos arranjos, dando uma parada no meio para depois voltar com tudo! Nessa música é possível avaliar melhor o trabalho do batera que foi escolhido para substituir a lenda Bill Ward, Brad Wilk (do Rage Against The Machine), e o cara foi lá e fez aquele tradicional “feijão com arroz”, só que muito bem feito, ponto para ele.
A próxima é "Zeitgeist", que para mim é a parte mais fraca do disco, não por ser uma música lenta e acústica em meio a avalanche de peso do disco, mas por parecer de mais com a "Planet Caravan", do disco Paranoid. Os arranjos, solos e até mesmo a percussão são tão parecidos, que pra mim pareceu forçado demais.
"Age Of Reason" é a que mais lembra o trabalho solo de Ozzy (da fase do "Ozzmosis"),  só que com Tony Iommi nas guitarras, o que faz uma bela diferença. Ao exemplo de tudo que o guitarrista faz, os arranjos vão crescendo até a música terminar de uma forma grandiosa e você vai tendo cada vez mais dúvidas sobre o que você mais gostou no disco!
Daí vem "Live Forever", que na minha opinião é a melhor do disco. Com uma letra bem interessante e um instrumental empolgante faz a alegria dos fãs da banda. Os solos de guitarra mais uma vez destroem tudo, uma verdadeira aula de heavy metal oferecida por quem realmente entende do assunto! Sem palavras!
"Damaged Soul" é um puro blues, feito pelo Black Sabbath em pleno ano de 2013 (é quase inacreditável que estou dizendo isso...)! Com direito a gaita de boca e tudo, com Iommi fazendo a guitarra praticamente falar nos solos e um baixo com um peso absurdo na base. Brad Wilk mais uma vez fazendo um ótimo trabalho atrás do kit. A música vai ganhando velocidade no final e termina com o ouvinte quase sem fôlego com a pedrada proporcionada pela banda.
E por ultimo temos "Dear Father", mais um grande destaque do disco, com bastante variedade nos arranjos e um grande trabalho de Ozzy nos vocais. Na parte do meio, a musica acelera e nesse momento em específico é onde mais lembra a fase de "Never Say Die", depois cai o ritmo para o riff principal mais uma vez e chega ao fim da música e consequentemente do disco. Com um detalhe no mínimo emocionante, o disco acaba exatamente da mesma forma que começa o disco que deu nome a banda, "Black Sabbath" (1970), com a trovoada, a chuva e o sino ao fundo! Quase fui às lágrimas, arrepiante!

Há de destacar-se o belo trabalho na produção do disco feito por Rick Rubin, deixando os instrumentos com um som perfeito, e o trabalho de Geezer Butler que destaca-se com sua técnica e peso no timbre do baixo atrás da massa sonora das guitarras de Tony Iommi. Também é importante ressaltar que, apesar de Ozzy nunca ter sido um grande vocalista em termos técnicos, como é bom ouvir a voz dele de novo em um álbum do Black Sabbath! A banda está de parabéns pelo trabalho, ficou muito além do esperado! Para mim, que sou fã nº 1 da banda, o disco já é o melhor do ano disparado!

Nota: 4,5

Review de CD: Megadeth - Super Collider

quinta-feira, 6 de junho de 2013


por Caio Botrel

Após o Megadeth lançar o album "Thirteen" e fazer sua turnê de divulgação, Dave Mustaine (vocal e guitarra), Chris Broderick (guitarra), David Ellefson (baixo) e Shawn Drover (bateria) entraram em estúdio para lançar novamente um novo álbum excelente, e dessa vez conseguiram de novo. O novo álbum "Super Collider" mostra toda a força do Megadeth com seu peso, técnica, melodias e uma pegada mais Rock N' Roll.

O novo álbum abre com "Kingmaker", que começa com um ótimo riff de baixo seguido por todo peso, velocidade, solos virtuosos e tudo o que você tem direito em um álbum do Megadeth. A segunda faixa do álbum é a faixa título "Super Collider" que tem uma pegada bem rock n roll, começando com um solo de guitarra bem viajado e cheio de feeling. A música se desenvolve com essa pegada e possui um refrão bem marcante fazendo ficar ecoando em sua mente por horas e horas, uma das melhores faixas do álbum com toda certeza!

A terceira música do álbum "Burn!" começa com um solo virtuoso de guitarra e em seguida a banda toda entra em ação, praticando uma das faixas mais pesadas do álbum com riffs e solos que dão vontade de ´´banguear´´. A quarta música do álbum "Built For War" começa com todas as características do Megadeth, concerteza a faixa mais pesada do álbum. Possui uma pegada bem rápida e que te faz viajar!

A quinta música do álbum,"Off The Edge", é uma música já tradicional do Megadeth, com tudo o que um fã de Thrash Metal tem direito. Sem palavras, escute! "Dance In The Rain" lembra um pouco as músicas do álbum "United Abominations", com riffs interessantes em meio aos solos. Realmente é uma música que se destaca no album "Super Collider" por ter uma pegada diferente das demais músicas do álbum.

A sétima música "Beginning Of Sorrow" possui riffs pesados e melodias marcantes, ela tem um clima diferente das demais músicas do álbum, uma das melhores músicas do trabalho. Logo depois vem"The Blackest Crow", é com certeza uma das músicas mais diferentes que o Megadeth já fez em toda a sua carreira. Ela possui bastante influência de Sourthern Rock e utiliza bastante slide guitar.

"Forget To Remember" possui uma pegada bem Heavy Metal com Rock N' Roll. Um dos refrões mais marcantes do álbum! Logo mais, começa "Don´t Turn Your Back" com uma pegada bem blues. Com solos de guitarra bluesy, clean guitar e depois o Megadeth entra com todo o seu peso, agilidade, técnica mostrando que eles ainda estão com força total e que ainda tem muito o que fazer!

E para encerrar o álbum, o Megadeth gravou um cover da música "Cold Sweat", do Thin Lizzy. A música ficou mais pesada que a versão original, mas sem perder a identidade. Um ótimo encerramente para um álbum grandioso!

Sem dúvida alguma "Super Collider" é um álbum completo e todos os fãs de Megadeth e Metal em geral tem de escutar este álbum!

Tracklist:
01. Kingmaker
02. Super Collider
03. Burn!
04. Built For War
05. Off The Edge
06. Dance In The Rain
07. The Beginning Of Sorrow
08. The Blackest Crow
09. Forget To Remember
10. Don't Turn Your Back...
11. Cold Sweat (Thin Lizzy cover)


Nota: 4,5
 



Review de CD: Avalon - The Land of New Hope

quarta-feira, 5 de junho de 2013


Após o fracasso da turnê de sua última banda, Symfonia, e do súbito anúncio de sua aposentadoria em 2011, o guitarrista, compositor e produtor Timo Tolkki (Stratovarius, Revolution Renaissance, Symfonia) decidiu dar mais uma chance ao mundo da música. Eis que surge Avalon, seu segundo projeto de metal opera. O álbum de estreia, The Land of New Hope, mostra a Terra em 2055, e o cenário é apocalíptico e de destruição absoluta. Poucas pessoas sobrevivem e vão em busca de um lendário local sagrado para poderem recomeçar suas vidas. Em sua jornada, os errantes encontram um vidente que lhes revela que a chamada "Terra da Nova Esperança" é protegida por um guardião que só permite passagem àqueles que possuem verdadeira pureza no coração.

A história em si tem pouca ou nenhuma originalidade, e nos remete instantaneamente a filmes como Avatar, Pandorum, A Estrada, O Livro de Eli, entre tantos outros. No entanto, Tolkki anunciou que essa narrativa se estenderá por mais dois álbuns, portanto não se pode julgar esse aspecto de The Land of New Hope até o final ser revelado. Resta esperar agora que o Timo Tolkki, que já se mostrou bastante instável em suas decisões por causa dos seus problemas de saúde, leve o projeto adiante, pelo menos até o fim da trilogia.

Como impressão geral, é justo dizer que se trata de um álbum morno, que poderia ter sido grandioso pelo potencial da equipe envolvida. O maior investimento instrumental foram três renomados tecladistas: Derek Sherinian (Dream Theater, Black Country Communion), Mikko Härkin (Luca Turilli's Rhapsody, Sonata Arctica, Symfonia) e Jens Johansson (Stratovarius). Infelizmente, esses grandes talentos foram mal aproveitados, e só Johansson e Sherinian tiveram um solo mais elaborado em “To the Edge of the Earth”, um dos poucos momentos instrumentais grandiosos do álbum. Mesmo Tolkki, um músico tão bem reconhecido em seu próprio instrumento e a mente por trás da ideia de Avalon, parece ter feito pouco esforço para garantir solos e riffs memoráveis nas faixas do álbum. Ele foi responsável também por compor e tocar o baixo nas músicas, e em nenhum dos instrumentos conseguiu atingir uma sonoridade presente e marcante.

O álbum abre com "Avalanche Anthem" uma ótima faixa com força e velocidade, com o trio de vocais excepcionais formado por Russell Allen (Symphony X, Adrenaline Mob, Avantasia, Ayreon), Elize Ryd (Amaranthe) e Rob Rock (Impellitteri, M.A.R.S., Avantasia). A próxima faixa, "A World Without Us", é uma continuação direta da primeira música, e conta com os mesmos três cantores da primeira, que são claramente a grande aposta de Tolkki em todo o The Land of New Hope. Segue-se com "Enshrined in My Memory", cantada apenas por Elize, uma vocalista que vem ganhando mais destaque no mundo do metal desde 2011, quando começou a acompanhar o Kamelot em turnê como cantora convidada.

"In the Name of the Rose" tem o retorno do trio. É uma faixa mais lenta e quase inteiramente orquestrada, visivelmente uma das mais sofisticadas do álbum. Até mesmo o solo de Tolkki, embora curto, parece ganhar mais vida em contraste com a brandura dos demais elementos da música. Em "We Will Find a Way", retorna a velocidade, e vemos Rob Rock dividir o microfone com Tony Kakko (Sonata Arctica, Northern Kings), uma grande voz do power metal que até então não havia aparecido em nenhuma metal opera.

"Shine" é um interessante dueto entre as duas únicas presenças femininas no álbum. As vozes de Elize Ryd e a veterana Sharon den Adel (Within Temptation, Ayreon, Avantasia) formam uma combinação agradável, porém mal equilibrada. É quase ofensivo chamar como convidada uma cantora do nível de Sharon para cantar apenas algumas frases de uma única canção e deixar Ryd com todo o resto da música. A voz da consagrada vocalista do Within Temptation possui um timbre mais suave, enquanto o tom de Elize já possui naturalmente um tom mais intenso e hermético. A música é boa e agradável, mas teria funcionado melhor dentro do contexto do álbum se as duas vozes tivessem espaço igual dentro dela.

Em "The Magic of the Night" e "To the Edge of the Earth", os vocais foram apenas de Rob Rock. Talvez seja por ele possuir mais espaço que os outros vocais masculinos no álbum, mas a performance de Rob é, sem dúvida, um dos pontos altos no álbum. Sua voz é muito bem sustentada nas notas agudas em uma head voice impecável, em nas notas média e graves assume o tom ligeiramente rasgado característico de seu estilo de canto.

"I'll Sing You Home" é uma balada orquestrada, cantada suavemente apenas por Elize Ryd. Por fim, The Land of New Hope se encerra com uma canção homônima com propósito de grandeza, no entanto se perdeu aquele toque de grandeza que ela poderia possuir. Além de ser uma música bastante longa e orquestrada do início ao fim, quem assumiu o microfone foi ninguém menos do que Michael Kiske (Helloween, Unisonic, Avantasia). Ela possui um caráter épico, porém tem seus momentos maçantes e repetitivos... Como todo o álbum, para dizer a verdade.

A pergunta que não quer calar é: se Timo Tolkki teve acesso a cantores como Sharon del Adel e Michael Kiske, por que fez tão pouco uso de suas vozes? De maneira geral, grande parte da equipe de excelentes músicos que ele convocou para o álbum de estreia de Avalon foi decepcionantemente mal usada. Não se pode dizer que The Land of New Hope é um álbum ruim, mas com os grandes talentos envolvidos em sua produção, era de ser esperar um trabalho mais aprimorado e extraordinário, totalmente diferente de seu resultado final.

Timo Tolkki errou na decisão de se aposentar, pois sabemos que ele possui grande potencial como guitarrista e como compositor e que ele faria grande falta para o mundo do power metal. No entanto, Avalon ainda terá que comer muito feijão com arroz para chegar ao nível de metal operas como Avantasia ou Ayreon. Basta esperar que os dois álbuns que sucederão The Land of New Hope venham com mais força e entusiasmo.

Além dos músicos já citados, quem assumiu a bateria de Avalon foi Alex Holzwarth (Rhapsody of Fire), que também já havia trabalhado em Avantasia. As orquestrações foram feitas por Sami Boman e o vocal operístico pertence a Magdalena Lee.

Tracklist:
1 - Avalanche Anthem
2 - A World Without Us
3 - Enshrined in My Memory
4 - In the Name of the Rose
5 - We Will Find a Way
6 - Shine
7 - The Magic of the Night
8 - To the Edge of the Earth
9 - I'll Sing You Home
10 - The Land of New Hope


Nota: 3,5


Review de CD: Tristania - Darkest White

terça-feira, 4 de junho de 2013


por Vampy Eichmann

Tristania já foi uma das principais bandas de metal gótico, deixando sua marca na cena mundial. Suas músicas são caracterizadas por uma mistura de gótico e death metal-doom, temperadas com orquestrações e surpreendentes linhas vocais. Em seus primeiros lançamentos a banda tinha um som com teclado dominante, com bastante foco nos vocais femininos "teatrais" e instrumentos musicais tipicamente eruditos como o órgão de tubos, a flauta e o violino. Nos álbuns posteriores, a banda balanceou o estilo do vocal e adotou uma postura mais “progressiva” nas músicas.

A formação atual conta com Mariangela Demurtas, no vocal desde 2007; Kjetil Nordhus, também no vocal, oficialmente desde 2010 apesar de já tocar com a banda ao vivo desde 2009; Einar Moen, no teclado desde 1996, porém não toca mais ao vivo com a banda desde 2001; Anders Høyvik Hidle na guitarra e vocais guturais desde 1996; Ole Vistnes no baixo desde 2009; Tarald Lie na bateria, oficialmente desde 2010, mas já tocava com a banda desde 2007; e Gyri Smørdal Losnegaard na guitarra desde 2008. Nesta formação, Tristania ainda faz uso dos duetos vocais masculino / feminino separados com Demurtas e Nordhus. A banda sempre teve orgulho de harmonias vocais elaboradas, e a competência vocal compartilhada entre cantores é uma das características mais proeminentes da banda.

Uma série de trocas de integrantes ao longo dos anos deixou um reflexo inevitável nas composições, o que deixou muitos fãs divididos, pelas mudanças drásticas que ocorreram nas músicas. Porém, o último álbum, lançado na última sexta-feira (31/05) pode trazer de volta os fãs “para casa”. O que testemunhamos, é algo mais pesado do que nos três álbuns anteriores, muita ênfase nos vocais guturais e o vocal de Mariangela são limpos e não “em camadas”.

Este álbum abraça um fio emocional do inicio ao fim. É simplificado, forte e sólido. Cada música tem sua característica própria. São explorações crescentes do obscuro e da beleza desolada. As surpresas neste álbum nos fazem sorrir.

As músicas “Lavander” e “Scarling” têm como característica comum melodias marcantes, integridade musical e uma grande atmosfera gótica. “Himmelfall” é outra musica que se destaca por ter um toque épico. Não deixando de mencionar também a “Darkest White”, que vem com melodias memoráveis e de mais peso.

No geral, o último álbum é algo um pouco diferente. As músicas consolidam grandes arranjos, harmonias elaboradas, misturados com excelente desempenho vocal. Com o produto pronto e a forte formação atual, Tristania “ressurge” com uma nova confiança e vitalidade.

Tracklist:
1- Number
2- Darkest White
3- Himmelfall
4- Requiem
5- Diagnosis
6- Scarling
7- Night On Earth
8- Lavender
9- Cypher
10- Arteries


Nota: 4,5
 




Review de CD: Alice In Chains - The Devil Put Dinosaurs Here

sexta-feira, 24 de maio de 2013


O Alice In Chains está de volta com um novo álbum para os seus fãs, "The Devil Put Dinosaurs Here", um dos lançamentos mais aguardados de 2013. O novo trabalho mantém o padrão de qualidade da banda, além de dar continuidade a constante evolução sonora que sempre foi uma característica do grupo. Pode-se afirmar que, de uma forma geral, é um álbum tão bom quanto o seu anterior, "Black Gives Way To Blue", lançado em 2009. 
Desde a primeira nota já podemos perceber que é um álbum repleto de canções pesadas e lentas, explorando uma faceta do Alice In Chains que talvez seja desconhecida por ouvintes ocasionais. O vocalista William DuVall esbanja talento com uma performance impecável, marcando de vez o seu nome na história da banda. Jerry Cantrell também participa com alguns backing vocals, numa perfeita sintonia com DuVall ao longo dos vários duetos presentes nas canções. Impossível não destacar também o ótimo trabalho nas linhas de guitarra, certamente o momento mais criativo da brilhante carreira de Cantrell. O time ainda conta com Mike Inez, um dos melhores baixistas da década de 90, e Sean Kinney mandando ver um peso na medida certa com seu kit de bateria. 

My Dying Bride, Soror Dolorosa e a descaracterização da cena gótica

segunda-feira, 20 de maio de 2013


Atenção: essa matéria representa única e exclusivamente a opinião do autor. Da mesma forma, ela não é direcionada a nenhum grupo ou pessoa específicos. Existem 8 pessoas trabalhando no All That Metal, cada uma delas com sua própria opinião sobre o assunto. Quero deixar bem claro também que esse artigo não é nenhuma crítica as festas desse gênero que são realizadas em Porto Alegre e região (Gothik Night, Vampire Cabaret e Gotik Treffen). Até porque, sou frequentador de quase todas elas e boa parte de seus idealizadores são amigos próximos a qual tenho muito respeito.

Hoje vamos ter um post diferente no All That Metal. Colocamos dois reviews e um artigo dentro de uma única matéria. Por que isso? Antes de mais nada, vamos apresentar os trabalhos que foram resenhados. O primeiro deles é o novo EP do My Dying Bride, chamado "The Manuscript", banda renomada na cena e mundialmente conhecida por fãs de Gothic e Doom. Temos também um review de "No More Heroes", segundo álbum de estúdio do Soror Dolorosa, uma banda francesa de Gothic Rock/Coldwave. Partindo dessas resenhas, vamos abordar um tema que é pouco debatido hoje em dia, ou seja, a descaracterização da cena gótica como um todo e seu rumo em direção a um movimento híbrido.
Possivelmente você deve estar perguntando-se o qual a relação dos dois lançamentos avaliados com esse assunto. É muito simples: as duas bandas tem uma proposta bem simples e direta, soando autênticas com sua sonoridade que expressa de maneira eficaz os principios da subcultura gótica, com uma musicalidade obscura e abordando temas sombrios em suas letras. Em contrapartida, estamos assistindo a criação de uma amálgama entre o padrão do Gothic e sonoridades mais próximas do Industrial, criando uma grande confusão que passou a associar gêneros como o EBM (Electronic Body Music) a esse movimento. E antes que extremistas relacionados a essa nova subcultura neotribalista comecem a se manifestar, eu sugiro que leiam com atenção cada trecho dessa postagem.

Review de CD: Avantasia - The Mistery of Time


The Mystery of Time marca o retorno de Avantasia após três anos sem atividades em um álbum conceitual que conta a história de Aaron Blackwell. O jovem cientista agnóstico da era vitoriana é forçado a rever suas crenças e convicções profissionais conforme é obrigado a explorar as conexões entre o tempo, a ciência e Deus. A narrativa se divide entre doze faixas, sendo duas delas bônus, que colocam em destaque essa questão fundamental da humanidade entre ciência e fé.

Logo em "Spectres", a música de abertura do álbum, somos apresentados a uma nova voz no Avantasia, que no mundo do rock é um velho conhecido: trata-se de Joe Lynn Turner (Rainbow, Deep Purple, Yngwie Malmsteen). Turner também está presente na segunda faixa, "The Watchmakers' Dream", junto com o guitarrista Arjen Anthony Lucassen (Ayreon, Star One), em que a velocidade toma lugar da orquestra presente em "Spectres", e a força da sua interpretação no início dessa música é um dos pontos memoráveis do Mystery.

Em seguida, temos provavelmente a faixa mais popular do álbum, "Black Orchid", com Biff Byford (Saxon), outro calouro do projeto. É uma música que equilibra o sinfônico que o idealizador Tobias Sammet tanto adora com traços de heavy metal mais cru, o que gerou uma combinação interessante. Byford também canta com Sammet, Turner e Michael Kiske (Helloween, Unisonic) na faixa chamada "Savior in the Clockwork", uma das melhores do disco, além de a mais longa, com cerca de dez minutos de duração.

"Where Clock Hands Freeze", assim como "Dweller in a Dream", são as duas músicas desse álbum que fazem dueto entre Kiske e Tobias Sammet, duas vozes dentro do metal que já provaram casar perfeitamente em canções anteriores. Especialmente em "Where Clock Hands Freeze", Michael Kiske se sobressai para não deixar dúvidas de quem é a melhor performance em Mistery of Time com um agudo de causar inveja - sem falsete nem nada.

Um dos momentos mais pesados do álbum é a "Invoke The Machine", com Ronnie Atkins (Pretty Maids) e o guitarrista Oliver Hartmann, que também compôs a faixa "Where Clock Hands Freeze". Com um início agressivo, vocais rasgados e um refrão cheio de força, é o tipo de música que se encaixaria perfeitamente no topo da setlist dos shows do Avantasia nas próximas turnês.

Há apenas duas baladas em The Mystery of Time, o que para um álbum de metal é um número mais do que suficiente. No entanto, Tobias Sammet pisou na bola mais uma vez. Pra quem ainda não superou o trauma de "Carry Me Over", recomendo nem tentar ouvir "Sleepwalking", dueto enjoativamente pop que Tobias fez com a cantora alemã Cloudy Yang. Em "What's Left Of Me", Sammet compensou o erro da outra faixa, e ele e Eric Eric Martin (Mr. Big, Tak Matsumoto Group) conseguiram captar toda a agonia da letra em vocais limpos, porém densos.

"The Great Mystery" é, com toda a certeza, a música mais interessante do álbum. Com a presença do guitarrista Bruce Kulick (Alice Cooper, Lordi, Kiss), que também tocou nas faixas "Savior in the Clockwork" e "Black Orchid", e dos vocais de Bob Catley (Magnum), Joe Lynn Turner e Biff Byford, ela é inconstante, épica, muito orquestrada e com momentos bastante bem pesados. Todas as canções do Mystery of Time, uma a uma, evoluem sutilmente até chegarem a esse ponto, e a "The Great Mystery" seria o grand finale a fechar o álbum com chave de ouro.

Pela primeira vez em muito tempo, Tobias Sammet fez um álbum com uma história fechada, isto é, sem continuações ou discos sucessores, como no caso do Metal Opera I e II. Alguns podem ver isso como um retrocesso ou falta de ambição se comparado aos trabalhos anteriores do projeto musical alemão, porém é inegável o amadurecimento de Avantasia em relação à temática de sua narrativa e da evolução de seu instrumental desde o álbum Angel of Babylon.

Além dos artistas já citados acima, também participaram da composição The Mistery of Time o guitarrista, baixista e produtor Sascha Paeth, o tecladista Miro (Michael Rodenberg) e o baterista Russel Gilbrook. A orquestra que trabalhou com o Avantasia nesse álbum foi a Deutsches Filmorchester Babelsberg, da cidade de Postdam, na Alemanha, que já havia trabalhado com o Edguy no álbum Hellfire Club.


Tracklist:

1 - Spectres
2 - The Watchmaker's Dream
3 - Black Orchid
4 - Where Clock Hands Freeze
5 - Sleepwalking
6 - Savior in the Clockwork
7 - Invoke the Machine
8 - What's Left of Me
9 - Dweller in a Dream
10 - The Great Mystery

Bônus:
11 - The Cross and You
12 - Death is Just a Feeling (Versão Alternativa)


Nota: 4,5

Review de CD: Soilwork - The Living Infinite

terça-feira, 14 de maio de 2013


por Adriano Pasini

Com o passar dos anos, muitas bandas de um som brutalmente pesado e agressivo passam a atribuir melodia às suas novas composições, tanto vocais quanto instrumentais. O Soilwork iniciou sua carreira com o álbum “Steelbath Suicide" (1998) e “The Chainheart Machine" (1999), no qual tamanha técnica, velocidade e precisão eram invejáveis. Em seguida, o novo álbum encontra-se com o mesmo peso, porém mais flexível, chamado “A Predator’s Portrait" (2001). Mas um dos mais famosos álbuns da cena do Death Metal Melódico Sueco  acabou por ser o álbum que trouxe todos os admiradores dos álbuns anteriores a conhecer um patamar onde melodia e peso podem estar em perfeito equilíbrio, sem que a banda perca sua identidade - mal que muito assola a cena metal nos nossos dias. “Natural Born Chaos" (2002) foi esse álbum, e nessa capacidade de manter a tradicional levada, que nenhum fã precisa de mais de cinco segundos para saber qual musica e de que álbum pertence, Soilwork chega ao auge da superação mais uma vez em 2013. “The Living Infinite”: recebendo criticas positivas por todas as reportagens e revistas da Europa. E após esta merecida introdução, vamos à resenha.

Review de CD: Volbeat – Outlaw Gentlemen & Shady Ladies

segunda-feira, 13 de maio de 2013




Poucas bandas no cenário atual do rock podem se dizer tão heterogêneas quanto Volbeat. O quarteto predominantemente dinamarquês possui como base para criação de suas músicas o heavy metal em sua forma clássica, porém em suas faixas é possível notar uma nítida influência de rockabilly, rock clássico ao melhor estilo Johnny Cash, hard rock, groove, country, punk e vários outros estilos. Desde 2001, o grupo formado pelo guitarrista e vocalista Michael Poulsen conquista elogios das críticas e alguns discos de ouro e platina.

Outlaw Gentlemen & Shady Ladies é o quinto álbum lançado pelo Volbeat. Seu nome é uma referência aos foras da lei do bom e velho cenário western americano.  Esse clima pistoleiro é fortemente mostrado na faixa de abertura " Let's Shake Some Dust", um breve solo de violão, porém bastante marcante e característico. Além disso, o velho oeste é remarcado em "Doc Holliday", que apesar de ser uma música com riffs um pouco mais carregados, conta com a presença de um banjo em certos momentos que completam a aridez atribuída à temática do álbum.

O álbum totaliza 14 canções dos mais variados gêneros, contudo muito bem trabalhadas. Outlaw Gentlemen & Shady Ladies se trata de uma compilação ousada e criativa de músicas completamente distintas umas das outras, formando um CD agradável de ser ouvido pela leveza de suas variações. Esse também é o álbum de estreia de Rob Caggiano (ex-Anthrax) na banda, e o impacto de seu estilo pode ser notado principalmente em uma das músicas que ele ajudou a compor, " The Sinner is You".

No seu novo trabalho, Volbeat contou com a participação especial da cantora canadense Sarah Blackwood na faixa "Lonesome Rider" e com King Diamond, que não só cantou "Room 24" como também auxiliou na composição da música, que acabou por se tornar um dos destaques do álbum. Outras excelentes faixas que possuem um toque mais pesado que podem ser encontradas em Outlaw Gentlemen & Shady Ladies são "Black Bart" e " The Hangman's Body Count", além de uma ótima balada que ganhou o título de "Our Loved Ones".

O ponto negativo no álbum foi que, tanta variação de gênero, ocasionaria inevitavelmente em algumas músicas nem tão boas quanto outras. Foram os casos de "Cape of Our Hero", "Pearl Hart" e a estranhíssima "Lola Montez", que poderia perfeitamente ter sido escrita por alguma surf-rock-band estilo The Outfield. Essas variantes ajudam a trazer novos fãs para a banda, que é bastante famosa na Europa, porém o público mais voltado para o metal acaba torcendo o nariz para metade das músicas do álbum.

Tracklist:

1 - Let's Shake Some Dust

2 - Pearl Hart

3 - The Nameless One

4 - Dead But Rising

5 - Cape of Our Hero

6 - Room 24 (feat. King Diamond)

7 - The Hangman's Body Count

8 - My Body

9 - Lola Montez

10 - Black Bart

11 - Lonesome Rider (feat. Sarah Blackwood)

12 - The Sinner Is You

13 - Doc Holliday

14 - Our Loved Ones

Nota: 4