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Entrevista: Paulo Schroeber (Hammer 67, Astafix, Fear Ritual, ex-Almah)

sábado, 31 de agosto de 2013


por Caio Botrel

Paulo Schroeber é guitarrista, produtor, compositor e professor, já tocou na banda Almah e hoje em dia atua nas bandas Hammer 67, Astafix, Fear Ritual e Paulo Schroeber solo. Nesta entrevista, Paulo nos contou um pouco sobre sua trajetória na música até chegar ao reconhecimento, sobre sua saúde, dicas e exemplos de perseverança. Fiquem aqui com esta grande aula do grande mestre Paulo Schroeber!



ALL THAT METAL: Olá Paulo, tudo bem?
PAULO SCHROEBER: Tudo tranquilo, primeiramente gostaria de agradecer ao brother Caio Botrel por ter me concedido essa entrevista.

ATM: Paulo, você poderia nos contar um pouco sobre seu começo na música?
SCHROEBER: Quando eu era muito mais jovem, acho que tinha lá meus 15 anos, fiz uma guitarra em casa, com uma porta velha que havia no quintal, acho que foi coisa de vocação mesmo. Após várias tentativas frustradas, finalmente meu pai me deu um violão velho, e logicamente não fazia a mínima idéia do que eu estava fazendo, até que novamente ele encheu o saco de ouvir aquela barulheira que eu fazia todo o dia e me pagou algumas aulas com um professor local.
Ao mesmo tempo em que fazia essas coisas tive o meu primeiro contato com o Metal, com o clássico "Restless and Wild" do Accept, que o namorado da minha irmã trouxe em vinil lá em casa, pois não existia cds na época, e já na primeira ouvida fiquei maravilhado com aquelas guitarras e o vocal agressivo do estilo. Depois foi como uma bola de neve, cada vez mais fui conhecendo mais bandas e comecei a comprar meus próprios discos.

ATM: Como era a sua rotina de estudos para a guitarra e o violão?
SCHROEBER: Depois que fiz algumas aulas com meu primeiro professor, resolvi mudar, pois eu aparecia nas aulas mais do que ele, e comecei a fazer aulas de violão clássico, com um professor que era uma das referências da cidade aqui em Caxias do Sul.
Era um ótimo professor, eu estudava umas seis horas de violão clássico e mais umas seis horas de guitarra por minha conta, mas esse período durou uns três anos, pois depois não aguentei a rotina do violão, que era muito pesada e disciplinada, estava em plena adolescência e queria curtir a vida.
Continuei os estudos com a guitarra e comecei a dar aulas, contra a vontade de minha família, que queria que eu fizesse faculdade, mas persisti, e até foi bom que as coisas aconteceram dessa forma, pois analisando de outro ponto de vista provei para eles que é possível, se você é dedicado no que faz, colher bons frutos com o que quer que você escolha fazer da sua vida.



ATM: Você é professor, guitarrista, produtor, qual dica você daria para as pessoas que estão querendo viver de música e tocar em uma banda?
SCHROEBER: Para viver bem de música você tem que fazer de tudo um pouco, na realidade, ao contrário do que muitos pensam por aí, o músico sério trabalha muito, toca na noite, produz, dá aulas, tem suas bandas além de sempre ter que estar se aperfeiçoando, depende das escolhas que a pessoa faz.
Eu atualmente infelizmente estou semi aposentado, devido ao meu problema de saúde, então dou apenas algumas aulas.
A minha dica é simples, caia de cabeça no que quer que você escolha e trabalhe duro, se quiser ser professor, vai ter que se adaptar a rotina, tocar de tudo, se escolher ser produtor a mesma coisa e por aí vai, o fator mais importante é ser eclético, pois tem que trabalhar com qualquer tipo de música.

ATM: Paulo, você é integrante das bandas Astafix, Hammer 67, Fear Ritual, Naja e sua carreira solo, e também é ex integrante da banda Almah, como você consegue conciliar seu tempo para tocar em todas estas bandas, dar aulas e produzir?
SCHROEBER: Como disse anteriormente, devido a minha atual situação, estou no momento apenas dando algumas aulas, gravando em vídeo meus trabalhos anteriores do Almah e futuramente de meu disco solo.
Inclusive o produtor Alex Milesi está em fase de gravações de meu primeiro videoclipe de meu cd instrumental, da música “To my Father” que acredito que será único e especial.
O Astafix está totalmente parado, pois o Wally está no aguardo do que vai acontecer comigo, e a Naja acabou já faz bastante tempo.
Tenho me dedicado bastante a Fear Ritual, que exige um trabalho enorme, pois o som é bem complexo, nós temos feito alguns ensaios, mas vai ainda demorar para a gente gravar, porém todas a guitarras estão já gravadas, faltando apenas alguns solos, mas vai ser difícil também cair na estrada com a banda, pois queremos apenas, eu e Ale Amorin registrar nosso trabalho de 15 anos atrás.
Com a Hammer 67 sempre que o Paganela (vocal) está disponível estamos compondo, e logo virá outro cd por aí, talvez com bem menos samplers e bem mais trabalhado que o primeiro registro, que era algo na linha do Rock/Metal Industrial, estilo pouco apreciado aqui no Brasil.



ATM: Poderia nos contar um pouco sobre suas bandas e os estilos?   
SCHROEBER: Minha primeira banda foi o Sepulchred, que era noise total, totalmente underground na época. Depois veio a Fear Ritual, o som já era bem mais trabalhado, na linha do Technical Death Metal, com partes melódicas também acrescentadas nas músicas.
Gravamos um EP com três músicas pela Wild Rags Records de Los Angeles, e foi muito legal, mas devido a problemas internos e eu estar cada vez mais obcecado por colocar cada vez mais riffs nas músicas, a banda acabou se dissolvendo, devido  ao desgaste dos músicos e a saída de Ale Amorin.
Como eu estava totalmente quebrado financeiramente e o mercado na época era muito favorável conheci uma garota chamada Tita Sachet e convidei ela para montar uma banda de Rock Alternativo, que tocava muito na época nas grandes rádios aqui no Sul.
Foi aí que comecei a ganhar dinheiro e minha família aceitou minha escolha profissional, pois rodamos o estado inteiro fazendo de dois a três shows por semana por muitos anos, essa banda se chamava FallUp.
Devido a problemas nas cordas vocais da vocalista e problemas pessoais, fomos obrigados com a banda já no topo, com contrato com uma grande gravadora e muitos shows, trocar de nome e encontrar outra vocalista. Optamos por uma garota de Porto Alegre chamada Izmália Ibias, e gravamos um cd e um DVD, a banda teve seus bons momentos, ganhamos alguns prêmios, como o Prêmio Açorianos de melhor intérprete, fizemos bastante shows, mas a vocal optou por ficar apenas com sua carreira solo.
Até fizemos uma última tentativa com outra vocalista, mas a banda já estava muito desgastada e optei por acabar a banda.
Fiquei acho alguns anos tocando alguns covers do Pantera, até que surgiu a oportunidade de fazer um teste para tocar no Almah. O Edu gostou do meu estilo de tocar, acabei entrando na banda e ao mesmo tempo eu e Niuton Paganela já estávamos planejando fazer alguma coisa diferente, que acabou se tornando a Hammer 67, e conheci o Wally em um bar em SP, ele me convidou para fazer uma participação no disco e acabei entrando no Astafix, que já é uma praia Thrash/Death old school.
Hoje em dia obviamente estou fazendo bem menos coisas do que antigamente, pois ainda não tenho condições de tocar ao vivo.

ATM: Você saiu da banda Almah devido a problemas de saúde, como está a situação hoje em dia?
SCHROEBER: Muita gente, mas muita gente mesmo me pergunta sobre isso hoje em dia, e tento na medida do possível responder a todas elas.
O fato é que estava com Miocardiopatia Hipertrófica no último estágio da doença, ou seja, estava morrendo, e não havia mais condições de eu continuar com nada.
Atualmente vivo uma vida tranquila, na medida do possível, pois ficar só em casa me deixa muito ansioso, gasto muito dinheiro com medicamentos, e obviamente minha família me ajuda, pois os custos são altos.
Emagreci 20 quilos desde a minha terceira cirurgia, mas posso afirmar que estou melhor, mas longe de estar ao ponto de viver uma vida normal, pois tem dias que passo muito mal, e tem dias que estou muito bem.
É uma doença bem instável e a pessoa tem que tentar pelo menos manter um astral bom, o que não é nada fácil, pois praticamente tudo faz mal. Desde a alimentação, esforço físico e é claro bebidas alcoólicas.
Obviamente não faço tudo o que o médico diz, pois senão a pessoa não se sente viva e entra em depressão.
Aprendi a conviver com isso, e tem dias que fico mal, mas vou vivendo um dia de cada vez e tentando ocupar sempre minha mente com alguma coisa, e não girar minha vida em torno da doença.
Além disso, logo após a terceira cirurgia acabei um relacionamento de 8 anos, que foi muito doloroso para mim, pois estava muito debilitado e precisava muito de alguém ao meu lado, na época.
Por isso sou eternamente grato a minha mãe, sem sombra de dúvidas sem ela não teria conseguido, não tenho palavras para expressar minha gratidão a essa pessoa maravilhosa que ficou ao meu lado todo esse tempo.
Atualmente sinto um pouco de falta de ar, ansiedade e cansaço, mas dá para ir levando, e depende também muito do dia.
Em outubro farei outra ecografia e vou ter um parecer mais claro de minha situação.



ATM: Você sente falta da rotina de shows e como é para você, saber que tem tantos fãs ao redor do mundo e que mesmo muitos não te conhecendo pessoalmente, estão torcendo por você e por sua melhora e sucesso?
SCHROEBER: Cada show para mim em todas as minhas bandas, tocava como se fosse o último de minha vida, até por isso optei por parar de tocar ao vivo, pois exige um esforço físico considerável de minha parte.
Sinto muita falta do calor do público, principalmente no Almah, onde o pessoal me tratava com muito carinho, foi realmente um sonho realizado ver no final do show que os fãs gostavam de mim de verdade, é uma experiência muito gratificante.
E pode ter certeza que sou extremamente grato a todas as pessoas que estão sempre acompanhando meus trabalhos, me mandando mensagens positivas, e torcendo por mim, aqui deixo meu muito obrigado do fundo do meu coração a cada uma delas.

ATM: Você poderia nos contar uma história engraçada de alguma turnê que você fez?
SCHROEBER: Foi engraçado na época que o Almah fez a turnê no Nordeste, e como o Marcelo Moreira conseguiu o tão cobiçado quarto separado, pois na época esse status era só do Edu.
O homem quando dorme ronca tão alto, mas tão alto que é praticamente impossível dormir perto do cara, imagina ao lado dele, e sempre sobrava para mim dormir no mesmo quarto do rapaz.
Eu demoro mais ou menos uma hora para pegar no sono, ele já é instantâneo, e começa a roncar praticamente na hora, chega a ser engraçado.
Dessa vez estávamos em uma pousada não lembro em qual lugar, em um quarto pequeno, onde as duas camas eram praticamente coladas uma na outra. Não deu outra, quando o bixo dormiu já começou aquela barulheira infernal, e eu tinha esquecido meus protetores de ouvido, lembro que coloquei no celular um Mastodon a todo o volume, não estou exagerando, e ainda ouvia ele roncando.
Resultado...não consegui dormir nada e estava completamente acabado no café da manhã, e o resto da banda me vendo naquele estado, ficaram apavorados, pois estava branco e com muitas olheiras, daí contei o que tinha acontecido.
A partir desse dia foi decidido que o Moreira ia dormir em quarto separado, pois os caras ficaram com tanta pena de mim que o quarto single seria dele depois do que aconteceu.
Fora o dia em que estávamos em Brasília, e preferimos dormir no andar de cima da casa do Marcelo Barbosa, em quatro pessoas no segundo andar, todos apertados, do que dormir do lado do Moreira que estava com todo o primeiro andar da casa só para ele...(risos)... lembro do Edu dormindo embaixo da mesa do computador do Barbosa, tamanho o medo dele de dormir do lado do cara.

ATM: Nós sabemos que a cena do heavy metal nacional, não é muito a favor dos músicos e bandas, devido ao fato de o estilo não ser muito popular no Brasil, você poderia nos dizer como realmente funciona para as bandas nacionais que não são mainstream?
SCHROEBER: Olha, talvez essa pergunta seja mal interpretada, não é que o público não seja a favor das bandas underground, apenas não se pode viver disso, e as vezes erroneamente se culpa o público a esse fato.
Bandas que estão começando vão tocar para poucas pessoas, a não ser que paguem para abrir para uma banda maior, e mesmo as bandas “mainstream” do Metal Nacional exigem muitos custos, aí sempre tem que fazer alguma coisa por fora para ganhar mais alguma grana, como dar aulas, workshops, etc.
Conheço vários exemplos, que não vou citar, obviamente de bandas que o público pensa que os caras moram em uma mansão, mas na realidade o cara mora com a família (não vejo prolema algum nisso) e a banda apenas dá um certo status, e outras que tiram seu sustento com outros negócios.
O lance é meter a cara e fazer porque gosta, o que vier depois é resultado do trabalho.

ATM: Por fim, gostaria de saber qual foi até então o momento mais marcante em sua carreira musical?
SCHROEBER: Olha fiquei muito lisongeado quando o Edu Ardanuy ainda recém saído do Almah me comprimentou e disse que ele estava sendo muito bem substituído...foi realmente muito gratificante ouvir de um músico do nível e ao mesmo tempo da simplicidade e carisma dele essas belas palavras.
E também todo o processo que passei com o Almah, foi muito legal conhecer pessoas novas, passar por uma banda que estava tocando até razoavelmente bastante na época, e ver como funciona de verdade o mercado do Heavy Metal Nacional e como se pode ou não tirar sustento disso.

ATM: Muito obrigado pela entrevista Paulo! Desejo a você o melhor, melhoras e sucesso!
SCHROEBER: Eu é que agradeço novamente a oportunidade, e espero continuar com meu trabalho e também sempre lembrando de agradeçer a todas as pessoas que vem me acompanhando nessa luta.
ATM: Muito obrigado Paulo! Cara, te desejo melhoras, sucesso e obrigado por ser uma inspiração também!

Entrevista: Kito Vallim (Hellarise, The Apple)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

 

por Caio Botrel

Kito Vallim é músico, compositor, vocalista e baixista e toca nas bandas Hellarise (death metal melódico) e na banda The Apple (rock n roll, hard rock, heavy metal). Kito começou seus primeiros contatos com a música aos 14 anos de idade começando a escrever letras, compor músicas etc. Nesta entrevista, Kito nos contou um pouco de como foi sua trajetória desde o ínico de sua carreira até agora ao entrar para uma banda que já tem certo renome aqui no Brasil e fora, a Hellarise. Fiquem aqui com esta entrevista divertida e com este grande músico!



ALL THAT METAL: Olá Kito Vallim, como vai?
KITO VALLIM:
Vou bem, Caio, e você? Quer tc? (risos)

ATM: Bom, você é o vocalista da banda The Apple e baixista da banda Hellarise, você poderia nos contar como você começou seus estudos em música, e qual foi o caminho trilhado até hoje?
VALLIM:
Bom, eu comecei tocando teclado, com 13 anos, se não me engano, mas eu nunca fiz aula, porque eu sou um gênio hehe. Como eu era o cara que cantava menos pior, acabei virando vocalista nas primeiras bandas e a falta de baixista em todas elas me fez ir atrás de instrumentos de cordas, sempre aprendendo na raça. Atualmente eu faço aula de canto com o Edu Falaschi e isso representou um salto pra mim, tanto em qualidade como vocalista e músico, quanto como desenvolvimento pessoal. Estar ali, do lado de alguém que já passou por tanta coisa boa e ruim na vida, te faz crescer muito.
Depois de algumas tentativas de fazer a banda The Apple alavancar, a gente acabou entrando em um hiato que parecia ser permanente e eu resolvi buscar coisas novas, comecei um projeto novo que ainda não saiu do papel, chamado Final Disaster e acabei conhecendo a Flávia e a Mirella da HellArise pela internet, conversamos, acabei indo em um ensaio, em dois, em três, em quatro, em cinco... e acho que vou continuar indo por algum tempo, já que acabei entrando pra banda de vez.

ATM: Legal! Você entrou para a banda Hellarise como você disse, qual é a experiência de entrar para uma banda que já tem um certo reconhecimento em território nacional e como é fazer parte disso?
VALLIM:
Cara... é uma viagem. Um dia eu entro no estúdio e a Mirella entra com uma revista "olha, saiu uma entrevista nossa nessa revista da Malásia"... tipo QUÊ?!?!?! Minha vida inteira eu comecei bandas do zero, a única experiência que eu tive em que entrei em uma banda foi com a banda Supernova, com um direcionamento mais pop/comercial e fiquei pouco tempo, mas a banda estava bem no começo. Então é meio que bizarro, porque eu realmente não sabia como muitas coisas funcionavam e estou aprendendo a lidar com isso da melhor forma possível porque, na prática, é só chegar no ensaio e tocar, dar o melhor de si como músico. E essa parte mais de administração da banda fica com quem já está lá dentro a mais tempo, mas eu gosto muito dessa parte, então tento aprender o máximo possível para poder ser útil quando for necessário.

ATM: Bom, quais são os próximos planos para a Hellarise e para a sua carreira?
VALLIM:
Bom, eu pretendo ficar famoso e milionário do dia pra noite, acho que seria bem legal.  Mas, no improvável cenário em que meus planos falhem, eu planejo seguir sim com a música, eu vivo e respiro música 24 horas por dia sem exagero. Eu tenho um emprego chato fixo, mas estou o tempo todo pensando e fazendo coisas relacionadas à música. Eu divulgo bandas e faço piadas sem graça em uma página que tenho no facebook chamada Meavy Hetal, eu estou tentando, aos poucos entrar no mercado de produção de shows - mercado nada profissional e cheio de pessoas de intenções duvidosas e que carece de gente querendo atuar de forma positiva para as bandas - e continuar estudando música da forma que eu puder. Amo cantar, amo compor, amo tocar baixo e teclado!
Em relação à banda, estamos em estúdio gravando um EP que vai contar com 5 faixas. Uma delas é a já gravada More Mindless Violence que pode ser baixada no nosso facebook oficial. As outras estão sendo gravadas e estão matadoras! E não, não vou entregar com antecedência o título do EP (risos).... (na verdade o título ainda não foi definido)

ATM: Então, falando sobre a Meavy Hetal, conte nos mais um pouco sobre seu trabalho?
VALLIM:
Aaaah... surgiu como uma piada que virou séria! Eu queria fazer uma página estilo 9gag com piadas apenas voltadas ao metal, aquelas páginas de memes estúpidas que vc encontra facebook afora? então Meavy Hetal é mais uma! Mas é a mais legal. O detalhe é que, com o passar do tempo a coisa foi tomando uma proporção grande e resolvemos abrir um espaço para divulgar bandas. Aos poucos foram surgindo oportunidades maiores de divulgação e acabamos entrevistando algumas delas. Tray Of Gift, Aneurose, Mundo Cao, Maldita... bandas que eu admiro muito. Surgiu, também a ideia de fazer um podcast semanal e a gente tenta fazer semanalmente, mas nunca dá tempo.  Nele eu falo bobagens sobre notícias atuais, rolo uma sonzeira e divulgo bandas. Com mais de 12mil likes e uma audiência média de 100 plays por episódio, eu julgo o resultado satisfatório, lembrando que a equipe não gasta um centavo com nada relacionado ao Meavy Hetal, então é algo legal. Que eu sei que dá pra fazer crescer muito mais. Também realizamos promoções, de vez em quando, com jogos interativos entre os usuários, tentamos tornar o Meavy Hetal uma experiência divertida e descompromissada para o banger, raramente há discussões como em outras páginas/fóruns sobre metal internet afora e isso me deixa contente, significa que ainda há respeito entre as pessoas e o fã de metal, tido como intolerante em muitos casos.
vê se vai



ATM: Bem, voltando a Hellarise e The Apple, como funciona o processo de composição em ambas as bandas?
VALLIM:
Putz, composição é algo bem complexo de se colocar em palavras. No caso da banda The Apple, passamos por várias fases, houve a fase em que eu apresentava a música para os integrantes que tocavam, apenas. A fase em que eu mostrava e cada um colocava a sua cara, e a fase em que qualquer um trazia ideias e a banda ia dando uma cara de música finalizada para aquele embrião (minha fase favorita da banda), mas vale lembrar que hoje, a banda é um projeto que se encontra adormecido. É certo que a banda vai, gravar alguma coisa já acordamos que vamos gravar um EP de 4 faixas e já temos até aonde e com quem gravar, mas quando isso vai acontecer ainda é um dos muitos mistérios que existem entre o céu e a terra (ainda precisaríamos chamar mais gente pois a banda não estaria completa se voltasse hoje). Mas HellArise é minha prioridade. Não vou me abrir para projetos paralelos que prejudiquem o andamento das coisas, temos um EP, um vídeo clipe, shows e mais algumas novidades para o futuro e é nisso que eu estou focando agora 100% da minha energia, gravar com The Apple é uma vontade que todos temos, mas não são planos, de fato, que estamos fazendo. Com relação à HellArise, eu cheguei no time logo depois do processo de composição, então não sei detalhar como é o processo, essa pergunta você pode me fazer na próxima vez que quiser me entrevistar, nesse caso, com melhor e maior convívio com os demais integrantes da banda, eu poderei falar com mais autoridade e compreensão das coisas. Mas, uma coisa é certa: a Mirella (guitarrista) tem grande parte de méritos nas composições e, com certeza vai merecer os parabéns de muita gente quando ouvirem o EP.

ATM: Sobre a cena do metal nacional, o que você acha?
VALLIM:
Como aluno e fã do Edu, eu vou evitar piadinhas nessa questão (risos). Cara, eu vejo muita coisa boa e muita coisa ruim. É até complicado, se você quisesse, poderia fazer uma entrevista comigo em que essa fosse a única pergunta, mas vamos lá. A cena nacional já teve momentos melhores e momentos piores. Estamos em ascensão na cena e isso é, em geral, bom. Muito disso deve-se às próprias bandas que começaram a sair da mesmisse e se mexer à favor da cena e não mais delas mesmas. Então existem polos interessantes. Em Minas Gerais, eu enxergo um mundo mágico em que alguém colocou algo na água lá e só vejo surgirem bandas sensacionais dos mais variados estilos, Aneurose, Tray Of Gift, Motosserra Truck Clube, Hagbard e muitas outras, incontáveis. Basta ir ao Roça N Roll para ver! Agora, aqui em SP, a coisa é mais complexa, existem alguns movimentos coletivos tentando criar um cenário unido, mas eu, particularmente, acho que, para dar certo de verdade, a coisa tem que ser mais espontânea. O ponto é: todas aquelas porcarias que vemos os mais veteranos falando ainda existe amadorismo na produção de realização de eventos, existe preconceito da mídia e existe SIM (por mais que alguns neguem ou, pior, se neguem a enxergar) uma ridícula concorrência individualista entre bandas e músicos. Por outro lado, isso não é mais unanimidade na cena. Músicos estão se unindo, bandas estão caminhando juntas e temos veículos de comunicação dignos como Wikimetal, Lokaos, Heavy Nation, Maloik entre tantos outros que nos mostram como podemos crescer se fizermos as coisas direito. E, também, está cada vez mais fácil conseguirmos boas produções com gente como Brenda Duffey do Norcal Studios, Vitor Rodrigues, Irmãos Falaschi no Do It! Studios e outros grandes nomes que estão ajudando a alavancar as bandas realizando belíssimos trabalhos em seus estúdios

ATM: Dito isto, sobre a cena do Metal nacional, quais conselhos voce daria para novos musicos e novas bandas?
VALLIM:
Estude. Estude tudo. escute bandas que gosta, bandas que não gosta. estude o instrumento que vc toca (ou vocal), estude pelo menos mais um instrumento, estude a composição da música em si. Arme-se do maior leque possível de recursos para fazer a melhor música possível. E evite cair na mesmisse... nada de "que legal essa música, tá parecendo a banda X" ERRADO! Se tá parecendo a banda X, vc está copiando a banda e seu som não é original. Ninguém vai escutar uma banda que parece Iron Maiden se pode ouvir o próprio Iron Maiden, então não tente imitar o som das bandas consagradas, tente ser MELHOR que as bandas consagradas. Só assim vc vai ter alguma chance como músico/banda.

ATM: Você poderia nos contar uma história engraçada de show?
VALLIM:
História engraçada? Pior que eu acho que não... eu já cometi umas gafes. Teve um show que eu quebrei a base do pedestal do microfone. Outro show que a gente combinou de apresentar a banda durante uma parte da música e, depois de eu apresentar o guitarrista, o baterista seguiu na música e o resto da banda teve que acompanhar, então ficou meio... "a banda é só o guitarrista" e eu tive que apresentar a banda de novo depois... mas escorregão no palco, confundir músicas...
Bom.. teve uma vez... (risos)... que o zíper da minha calça quebrou durante o show e eu cantei de braguilha aperta. Acho que esse foi o maior mico que eu paguei hahaha, mas fora isso, nenhuma gafe gigante... (ainda)

ATM: Quais bandas novas você mais gostou?
VALLIM:
Existem dois conceitos para bandas novas, né? Bandas que começaram agora a carreira e bandas que eu descobri à pouco tempo. Recentemente eu tenho ouvido muito aquilo tudo que eu já comentei sobre  cena mineira. Tray of Gift, Aneurose, Motosserra Truck Clube.. e, além disso, No Way daqui de SP, Mundo Cao que já ta na ativa desde 2006 mas lançou o 1o CD em 2011 e eu só descobri ano passado, VoodooPriest e Nervosa, também. Mas também, para não me prender apenas às bandas nacionais, existem grandes bandas novas surgindo lá fora, como Outliar (EUA), Tersivel (Arg), gosto muito do Adrenaline Mob (EUA) e toda a cena de metal da Suécia, como um todo! São as bandas que eu conheci há pouco tempo que eu aconselho para as pessoas, basicamente!

ATM: Bem, obrigado pela entrevista Kito! Você gostaria de deixar uma mensagem para as pessoas que estão lendo?
VALLIM
: Ah, não... quero agradecer ninguém, não obrigado. O prazer foi todo seu. Tá, brincadeiras à parte, eu queria agradecer a vocês pelo espaço cedido para os músicos. Este tipo de iniciativa é muito legal e muito importante para todos no meio musical. Queria convidar as pessoas que tiveram paciência de ler a entrevista até o final para conhecer o meu trabalho com a banda HellArise, com o Meavy Hetal e mesmo com a banda The Apple, apesar de não estarmos mais em atividade há um tempo. E queria dizer que eu não ando com seguranças na rua justamente porque eu não me importo com os fãs vindo pedir autógrafos e tirar foto, okay? Não precisam ficar acanhados, eu sei como é estar cara a cara com uma estrela da música mundial, mas eu sou uma pessoa normal e entendo pelo que vocês estão passando ao me ver, já fui um reles mortal uma vez, então tudo bem me pedir autógrafos okay? Não se acanhem! (risos) Como é bom sonhar.

Especial Angra Pt. 6: Back to life... again... and again!

terça-feira, 30 de julho de 2013


Clique aqui para ler a primeira parte do Especial Angra (matéria sobre Fabio Lione).
Clique aqui para ler a segunda parte do Especial Angra (sobre o álbum "Angels Cry").
Clique aqui para ler a terceira parte do Especial Angra (sobre o álbum "Holy Land").
Clique aqui para ler a quarta parte do Especial Angra (sobre o álbum "Temple Of Shadows")
Clique aqui para ler a quinta parte do Especial Angra (sobre o álbum "Fireworks" e o fim da formação clássica). Clique aqui para conferir a entrevista exclusiva com Rafael Bittencourt para o ATM. Clique aqui para todos os detalhes sobre o show que a banda realizará em Porto Alegre, evento da Abstratti Produtora e Urânio Produtora.

Faltando apenas dois dias para a vindoura apresentação do Angra em Porto Alegre, chegamos ao episódio final do Especial Angra no All That Metal. Quem ainda não garantiu o seu ingresso pode adquirir o terceiro lote pelo valor de R$ 85,00.  E para aqueles que já tem o seu ingresso na mão, fique por dentro que ainda restam alguns poucos minutos para o fim da promoshare na página do ATM, valendo um meet & greet com a banda (a promo encerra às 18h do dia 30/07/13).
Na última parte do especial, vamos abordar a capacidade da banda de enfrentar adversidades e ressurgir das cinzas quando todos esperam que não há mais retorno...

Relembrando o Heavy Merdas - PARTE 2!

sábado, 8 de junho de 2013


Quando o All That Metal começou suas atividades, no dia 14 de setembro de 2012, apresentamos um post com várias pérolas esquecidas do blog Heavy Merdas. Para quem não lembra, a página esteve em atividade no ano de 2006 e fazia piadas com vários músicos conhecidos, tanto da cena nacional quanto internacional. Uma das principais vítimas é o camarada que ilustra o topo da matéria, Edu Falaschi. 
Até hoje é uma das matérias mais acessadas da história do ATM. Se você ainda não conferiu, CLIQUE AQUI! Jamais poderia imaginar que alguns meses depois poderíamos fazer uma segunda parte do post.
Hoje decidimos tirar mais algumas imagens do fundo do baú e vocês podem conferir logo abaixo. E mais: no post anterior incluímos a música do Falasquito que pode ser facilmente encontrada no YouTube. Mas existem outra música feita pelos autores do Heavy Merdas que estava perdida... até agora! A canção chama-se "O Edu Entrou Pelo Cano" e trazemos ela aos nossos leitores depois de uma busca quase arqueológica. Trata-se de uma sátira de "Time", do Angra, cantada pelo Sílvio Santos.
Só para lembrar também: NINGUÉM no ATM fez parte do blog, não fazemos a menor ideia de quem era o autor ou grupo de autores da página. 

Edu Falaschi fala a real sobre instrumentos musicais nacionais

quinta-feira, 4 de outubro de 2012


Acreditem, ninguém vai rir do que ele disse agora. O Programa Maloik postou um vídeo com uma cobertura da Expomusic 2012, que rolou entre os dias 21 a 23 de setembro. A feira contou com vários músicos brasileiros e estandes de várias marcas nacionais. Ao longo dos 25 minutos do vídeo, temos entrevistas com músicos de bandas como Shaman, Angra, Dr. Sin, Torture Squad, Made In Brazil, Golpe de Estado, dentre outras. Engraçado destacar Thiago Bianchi falando que o negócio dele é Death Metal com sua voz fina a la Detonator. Rafael Bittencourt também deu uma entrevista bem bacana, sempre receptivo a imprensa. Temos até mesmo entrevistas com o pessoal da Roadie Crew, Stay Heavy e Antonio Pirani, fundador da Rock Brigade e ex-empresário do Angra.
Tudo bem, todos eles falando que o mercado de instrumentos musicais nacionais está indo bem, mas daí me pergunto: quantos desses músicas realmente usam equipamentos nacionais? Eis que aos 21 minutos e meio do vídeo, surge nosso herói, Edu Falaschi. O cara merece todos os méritos por ter sido o único a falar diretamente que os produtos nacionais ainda tem muito a melhorar. Ainda comenta da jam que fez no evento com Rafael Bittencourt, dizendo que ainda mantém contato com o ex-companheiro de Angra, mas que não é com todos que tem a mesma relação.
Sejamos francos, gostar ou não da música feita por Falaschi (e eu sou um dos que faz parte do grupo que não gosta do trabalho dele) é irrelevante nesse caso. Ao menos ele é o único que fala a realidade da cena brasileira por aí.
O vídeo pode ser conferido logo a seguir.