Entrevista: Kito Vallim (Hellarise, The Apple)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

 

por Caio Botrel

Kito Vallim é músico, compositor, vocalista e baixista e toca nas bandas Hellarise (death metal melódico) e na banda The Apple (rock n roll, hard rock, heavy metal). Kito começou seus primeiros contatos com a música aos 14 anos de idade começando a escrever letras, compor músicas etc. Nesta entrevista, Kito nos contou um pouco de como foi sua trajetória desde o ínico de sua carreira até agora ao entrar para uma banda que já tem certo renome aqui no Brasil e fora, a Hellarise. Fiquem aqui com esta entrevista divertida e com este grande músico!



ALL THAT METAL: Olá Kito Vallim, como vai?
KITO VALLIM:
Vou bem, Caio, e você? Quer tc? (risos)

ATM: Bom, você é o vocalista da banda The Apple e baixista da banda Hellarise, você poderia nos contar como você começou seus estudos em música, e qual foi o caminho trilhado até hoje?
VALLIM:
Bom, eu comecei tocando teclado, com 13 anos, se não me engano, mas eu nunca fiz aula, porque eu sou um gênio hehe. Como eu era o cara que cantava menos pior, acabei virando vocalista nas primeiras bandas e a falta de baixista em todas elas me fez ir atrás de instrumentos de cordas, sempre aprendendo na raça. Atualmente eu faço aula de canto com o Edu Falaschi e isso representou um salto pra mim, tanto em qualidade como vocalista e músico, quanto como desenvolvimento pessoal. Estar ali, do lado de alguém que já passou por tanta coisa boa e ruim na vida, te faz crescer muito.
Depois de algumas tentativas de fazer a banda The Apple alavancar, a gente acabou entrando em um hiato que parecia ser permanente e eu resolvi buscar coisas novas, comecei um projeto novo que ainda não saiu do papel, chamado Final Disaster e acabei conhecendo a Flávia e a Mirella da HellArise pela internet, conversamos, acabei indo em um ensaio, em dois, em três, em quatro, em cinco... e acho que vou continuar indo por algum tempo, já que acabei entrando pra banda de vez.

ATM: Legal! Você entrou para a banda Hellarise como você disse, qual é a experiência de entrar para uma banda que já tem um certo reconhecimento em território nacional e como é fazer parte disso?
VALLIM:
Cara... é uma viagem. Um dia eu entro no estúdio e a Mirella entra com uma revista "olha, saiu uma entrevista nossa nessa revista da Malásia"... tipo QUÊ?!?!?! Minha vida inteira eu comecei bandas do zero, a única experiência que eu tive em que entrei em uma banda foi com a banda Supernova, com um direcionamento mais pop/comercial e fiquei pouco tempo, mas a banda estava bem no começo. Então é meio que bizarro, porque eu realmente não sabia como muitas coisas funcionavam e estou aprendendo a lidar com isso da melhor forma possível porque, na prática, é só chegar no ensaio e tocar, dar o melhor de si como músico. E essa parte mais de administração da banda fica com quem já está lá dentro a mais tempo, mas eu gosto muito dessa parte, então tento aprender o máximo possível para poder ser útil quando for necessário.

ATM: Bom, quais são os próximos planos para a Hellarise e para a sua carreira?
VALLIM:
Bom, eu pretendo ficar famoso e milionário do dia pra noite, acho que seria bem legal.  Mas, no improvável cenário em que meus planos falhem, eu planejo seguir sim com a música, eu vivo e respiro música 24 horas por dia sem exagero. Eu tenho um emprego chato fixo, mas estou o tempo todo pensando e fazendo coisas relacionadas à música. Eu divulgo bandas e faço piadas sem graça em uma página que tenho no facebook chamada Meavy Hetal, eu estou tentando, aos poucos entrar no mercado de produção de shows - mercado nada profissional e cheio de pessoas de intenções duvidosas e que carece de gente querendo atuar de forma positiva para as bandas - e continuar estudando música da forma que eu puder. Amo cantar, amo compor, amo tocar baixo e teclado!
Em relação à banda, estamos em estúdio gravando um EP que vai contar com 5 faixas. Uma delas é a já gravada More Mindless Violence que pode ser baixada no nosso facebook oficial. As outras estão sendo gravadas e estão matadoras! E não, não vou entregar com antecedência o título do EP (risos).... (na verdade o título ainda não foi definido)

ATM: Então, falando sobre a Meavy Hetal, conte nos mais um pouco sobre seu trabalho?
VALLIM:
Aaaah... surgiu como uma piada que virou séria! Eu queria fazer uma página estilo 9gag com piadas apenas voltadas ao metal, aquelas páginas de memes estúpidas que vc encontra facebook afora? então Meavy Hetal é mais uma! Mas é a mais legal. O detalhe é que, com o passar do tempo a coisa foi tomando uma proporção grande e resolvemos abrir um espaço para divulgar bandas. Aos poucos foram surgindo oportunidades maiores de divulgação e acabamos entrevistando algumas delas. Tray Of Gift, Aneurose, Mundo Cao, Maldita... bandas que eu admiro muito. Surgiu, também a ideia de fazer um podcast semanal e a gente tenta fazer semanalmente, mas nunca dá tempo.  Nele eu falo bobagens sobre notícias atuais, rolo uma sonzeira e divulgo bandas. Com mais de 12mil likes e uma audiência média de 100 plays por episódio, eu julgo o resultado satisfatório, lembrando que a equipe não gasta um centavo com nada relacionado ao Meavy Hetal, então é algo legal. Que eu sei que dá pra fazer crescer muito mais. Também realizamos promoções, de vez em quando, com jogos interativos entre os usuários, tentamos tornar o Meavy Hetal uma experiência divertida e descompromissada para o banger, raramente há discussões como em outras páginas/fóruns sobre metal internet afora e isso me deixa contente, significa que ainda há respeito entre as pessoas e o fã de metal, tido como intolerante em muitos casos.
vê se vai



ATM: Bem, voltando a Hellarise e The Apple, como funciona o processo de composição em ambas as bandas?
VALLIM:
Putz, composição é algo bem complexo de se colocar em palavras. No caso da banda The Apple, passamos por várias fases, houve a fase em que eu apresentava a música para os integrantes que tocavam, apenas. A fase em que eu mostrava e cada um colocava a sua cara, e a fase em que qualquer um trazia ideias e a banda ia dando uma cara de música finalizada para aquele embrião (minha fase favorita da banda), mas vale lembrar que hoje, a banda é um projeto que se encontra adormecido. É certo que a banda vai, gravar alguma coisa já acordamos que vamos gravar um EP de 4 faixas e já temos até aonde e com quem gravar, mas quando isso vai acontecer ainda é um dos muitos mistérios que existem entre o céu e a terra (ainda precisaríamos chamar mais gente pois a banda não estaria completa se voltasse hoje). Mas HellArise é minha prioridade. Não vou me abrir para projetos paralelos que prejudiquem o andamento das coisas, temos um EP, um vídeo clipe, shows e mais algumas novidades para o futuro e é nisso que eu estou focando agora 100% da minha energia, gravar com The Apple é uma vontade que todos temos, mas não são planos, de fato, que estamos fazendo. Com relação à HellArise, eu cheguei no time logo depois do processo de composição, então não sei detalhar como é o processo, essa pergunta você pode me fazer na próxima vez que quiser me entrevistar, nesse caso, com melhor e maior convívio com os demais integrantes da banda, eu poderei falar com mais autoridade e compreensão das coisas. Mas, uma coisa é certa: a Mirella (guitarrista) tem grande parte de méritos nas composições e, com certeza vai merecer os parabéns de muita gente quando ouvirem o EP.

ATM: Sobre a cena do metal nacional, o que você acha?
VALLIM:
Como aluno e fã do Edu, eu vou evitar piadinhas nessa questão (risos). Cara, eu vejo muita coisa boa e muita coisa ruim. É até complicado, se você quisesse, poderia fazer uma entrevista comigo em que essa fosse a única pergunta, mas vamos lá. A cena nacional já teve momentos melhores e momentos piores. Estamos em ascensão na cena e isso é, em geral, bom. Muito disso deve-se às próprias bandas que começaram a sair da mesmisse e se mexer à favor da cena e não mais delas mesmas. Então existem polos interessantes. Em Minas Gerais, eu enxergo um mundo mágico em que alguém colocou algo na água lá e só vejo surgirem bandas sensacionais dos mais variados estilos, Aneurose, Tray Of Gift, Motosserra Truck Clube, Hagbard e muitas outras, incontáveis. Basta ir ao Roça N Roll para ver! Agora, aqui em SP, a coisa é mais complexa, existem alguns movimentos coletivos tentando criar um cenário unido, mas eu, particularmente, acho que, para dar certo de verdade, a coisa tem que ser mais espontânea. O ponto é: todas aquelas porcarias que vemos os mais veteranos falando ainda existe amadorismo na produção de realização de eventos, existe preconceito da mídia e existe SIM (por mais que alguns neguem ou, pior, se neguem a enxergar) uma ridícula concorrência individualista entre bandas e músicos. Por outro lado, isso não é mais unanimidade na cena. Músicos estão se unindo, bandas estão caminhando juntas e temos veículos de comunicação dignos como Wikimetal, Lokaos, Heavy Nation, Maloik entre tantos outros que nos mostram como podemos crescer se fizermos as coisas direito. E, também, está cada vez mais fácil conseguirmos boas produções com gente como Brenda Duffey do Norcal Studios, Vitor Rodrigues, Irmãos Falaschi no Do It! Studios e outros grandes nomes que estão ajudando a alavancar as bandas realizando belíssimos trabalhos em seus estúdios

ATM: Dito isto, sobre a cena do Metal nacional, quais conselhos voce daria para novos musicos e novas bandas?
VALLIM:
Estude. Estude tudo. escute bandas que gosta, bandas que não gosta. estude o instrumento que vc toca (ou vocal), estude pelo menos mais um instrumento, estude a composição da música em si. Arme-se do maior leque possível de recursos para fazer a melhor música possível. E evite cair na mesmisse... nada de "que legal essa música, tá parecendo a banda X" ERRADO! Se tá parecendo a banda X, vc está copiando a banda e seu som não é original. Ninguém vai escutar uma banda que parece Iron Maiden se pode ouvir o próprio Iron Maiden, então não tente imitar o som das bandas consagradas, tente ser MELHOR que as bandas consagradas. Só assim vc vai ter alguma chance como músico/banda.

ATM: Você poderia nos contar uma história engraçada de show?
VALLIM:
História engraçada? Pior que eu acho que não... eu já cometi umas gafes. Teve um show que eu quebrei a base do pedestal do microfone. Outro show que a gente combinou de apresentar a banda durante uma parte da música e, depois de eu apresentar o guitarrista, o baterista seguiu na música e o resto da banda teve que acompanhar, então ficou meio... "a banda é só o guitarrista" e eu tive que apresentar a banda de novo depois... mas escorregão no palco, confundir músicas...
Bom.. teve uma vez... (risos)... que o zíper da minha calça quebrou durante o show e eu cantei de braguilha aperta. Acho que esse foi o maior mico que eu paguei hahaha, mas fora isso, nenhuma gafe gigante... (ainda)

ATM: Quais bandas novas você mais gostou?
VALLIM:
Existem dois conceitos para bandas novas, né? Bandas que começaram agora a carreira e bandas que eu descobri à pouco tempo. Recentemente eu tenho ouvido muito aquilo tudo que eu já comentei sobre  cena mineira. Tray of Gift, Aneurose, Motosserra Truck Clube.. e, além disso, No Way daqui de SP, Mundo Cao que já ta na ativa desde 2006 mas lançou o 1o CD em 2011 e eu só descobri ano passado, VoodooPriest e Nervosa, também. Mas também, para não me prender apenas às bandas nacionais, existem grandes bandas novas surgindo lá fora, como Outliar (EUA), Tersivel (Arg), gosto muito do Adrenaline Mob (EUA) e toda a cena de metal da Suécia, como um todo! São as bandas que eu conheci há pouco tempo que eu aconselho para as pessoas, basicamente!

ATM: Bem, obrigado pela entrevista Kito! Você gostaria de deixar uma mensagem para as pessoas que estão lendo?
VALLIM
: Ah, não... quero agradecer ninguém, não obrigado. O prazer foi todo seu. Tá, brincadeiras à parte, eu queria agradecer a vocês pelo espaço cedido para os músicos. Este tipo de iniciativa é muito legal e muito importante para todos no meio musical. Queria convidar as pessoas que tiveram paciência de ler a entrevista até o final para conhecer o meu trabalho com a banda HellArise, com o Meavy Hetal e mesmo com a banda The Apple, apesar de não estarmos mais em atividade há um tempo. E queria dizer que eu não ando com seguranças na rua justamente porque eu não me importo com os fãs vindo pedir autógrafos e tirar foto, okay? Não precisam ficar acanhados, eu sei como é estar cara a cara com uma estrela da música mundial, mas eu sou uma pessoa normal e entendo pelo que vocês estão passando ao me ver, já fui um reles mortal uma vez, então tudo bem me pedir autógrafos okay? Não se acanhem! (risos) Como é bom sonhar.

Review de show: Possessed + Postmortem (08/08/13 - Beco 203 - Porto Alegre/RS)


Que Porto Alegre já virou parada obrigatória para grandes nomes da cena mundial não é novidade para ninguém há muito tempo. O ano tem sido ótimo no que diz respeito ao número de shows. E é impossível não destacar a oportunidade única que tivemos no último dia 8 de agosto: o Possessed, banda precurssora do Death Metal, chegou em terras gaúchas para uma noite de muita brutalidade. 

O grupo de Jeff Becerra prometeu apresentar seu debut, o clássico absoluto "Seven Churches" (de 1985), na íntegra. O show foi realizado no Beco 203, que ultimamente tem recebido várias bandas de Metal em seu recinto. O evento foi realizado pela Mitnel Produções em parceria com a Heaven And Hell Rock Store. 

Não deixe de conferir a galeria de imagens no final do post 


Postmortem
 

A abertura da noite ficou por conta dos pelotenses da Postmortem, um dos nomes mais fortes do Death Metal gaúcho nos últimos anos. Abriram com "Chains Of Hipocrisy" e "Beneath The Sands Of Time", conquistando de cara o público ávido por peso que ficou um pouco impaciente com os atrasos. Inicialmente, foi dito que o Possessed subiria no palco às 22h, mas esse foi o horário em que a Postmortem começou a tocar. 

Na sequência mandaram as 3 faixas de seu trabalho mais recente, o EP "Atra Mors" (confira a matéria que fizemos sobre o EP clicando aqui): "Above All Lies", "Possession Of Spirit And Flesh" e "'Till Your Last Breath". Não é a primeira vez que tenho a oportunidade de ver a Postmortem ao vivo, mas cada vez que isso acontece a banda está ainda melhor. O baterista Douglas Veiga soa ainda mais pesado e técnico ao vivo executando as faixas da "Atra Mors". Na linha de frente, Bruno Añaña e Mou Machado mandando ver nos complexos riffs da banda e Juliano Pacheco com suas linhas precisas de baixo. Vale lembrar que Bruno também é vocalista da Postmortem. A banda funciona muito bem ao vivo e abrir para uma lenda como o Possessed é um mérito conquistado com sua música de qualidade. 

Em meio a uma ou duas pessoas que pediam pelo Possessed, Bruno anuncia a última música da Postmortem falando que ele também estava ansioso para ver a banda. "Of Mars And Wars" fechou a curta, porém brutalmente extrema, apresentação da Postmortem. Particularmente, acredito que a banda merecia tocar mais tempo, foram apenas 6 faixas tocadas, ainda mais levando em conta o atraso que sucedeu-se até o Possessed subir no palco. 




Possessed

Deveria ser por volta de 00h30min quando os integrantes do Possessed finalmente apareceram e começaram a preparar-se para a apresentação. Jeff Becerra foi o último a comparecer perante o público com uma ajuda de seguranças da casa, uma vez que ele usa uma cadeira de rodas. Não demorou muito para o massacre sonoro ter início com "The Heretic", clássico do álbum "Beyond The Gates", de 1986. Já de cara formou-se um dos circle pits mais violentos que a capital gaúcha já viu, clima que manteu-se durante toda a apresentação com os fãs completamente enlouquecidos.


Apesar de estar em uma cadeira de rodas, Jeff ainda tem a presença de um grande frontman. Manteve o público na palma da sua mão durante todo o show e fez questão de manter um contato próximo com os que encontravam-se na primeira fileira. O guitarrista Daniel Gonzalez embalou esse clima insano que instaurou-se no Beco com seus solos cheios de alavancadas. Destaque especial também para o baterista Emilio Marquez (Asesino, ex-Brujeria): aos 39 anos parece que a idade não afeta ele, mantendo o pique do início ao fim da apresentação com suas viradas rápidas e uma pegada muito forte. 

Ainda no início da apresentação, tivemos "The Eyes of Horror" (do EP homônimo de 1987) e "Beyond the Gates". Como foi dito anteriormente, foi anunciado que a banda tocaria o álbum "Seven Churches" inteiro, o que teve início com "Pentagram", definitivamente um dos maiores clássicos da história do Death Metal. Já é algo comum hoje em dia bandas que tocam seus álbuns clássicos na íntegra e muitas delas optam por tocar do início ao fim na exata sequência do álbum. O Possessed não fez isso, optando por distribuir as faixas pelo set. O que é muito melhor, uma vez que o show não torna-se previsível. 


Ainda de "Seven Churches" tivemos "Burning in Hell", "Satan's Curse" e "Evil Warriors". O segundo disco de estúdio do grupo voltou a ser representado através de "Seance". A platéia continuava em um êxtase continuo em meio ao circle pit. Muitas pessoas também subiram no palco para dar um stage diving e sempre encaravam a ira de algum segurança, apesar de ser evidente que a banda não estavam nem aí para isso e até se divertiram bastante com as pessoas que fizeram isso. E pra quem ainda tem aquela visão ridícula e machista que Death Metal é coisa de sujeito barbudo e fedorento, fique sabendo que haviam lindas garotas em meio ao caos e elas desceram a porrada em muito marmanjo. 

Em certo ponto da apresentação, uma pausa de menos de um minuto para todos respirarem que parece ter demorado uma eternidade quando começou a soar uma intro bem familiar a todos os presentes. Era "The Exorcist" chegando para quebrar mais alguns pescoços e gerar um caos ainda maior dentro do Beco. Na reta final do show ainda tivemos a faixa título do álbum de 1985, "Swing of the Axe" e "Confessions", ambas do EP "The Eyes of Horror". O encerramento era mais do que óbvio: "Death Metal"! Todos os presentes cantaram o hino junto de Jeff, um momento épico! Detalhe: enquanto isso, rolava uma festa de gosto duvidoso no andar de baixo do Beco. Tenho plena certeza que a festa deve ter parado durante a execução de "Death Metal" quando a pista transformou-se em um verdadeiro campo de guerra.  


Depois do show, Jeff ainda permaneceu um pouco na frente do local e recebeu a todos com muita simpatia. É isso mesmo, era só chegar no lado do estacionamento da Avenida Independência que você poderia tirar fotos, ganhar um autógrafo e bater um papo com Jeff Becerra. Totalmente o contrário do estrelismo de um outro vocalista de Death Metal que esteve aqui em Porto Alegre há poucos meses, que deixou a casa de shows literalmente ignorando seus fãs. 




Considerações finais

Acreditem, não foi nada fácil escrever esse review e por isso demorou alguns dias para ser publicado. Quem estava lá está ciente dos problemas que aconteceram. E antes que alguém fique acusando a total omissão do acontecimento, deixe-me explicar algo: qualquer veículo com um mínimo de profissionalismo tem um compromisso com a verdade. Sendo assim, não é justo de nossa parte sair acusando esta ou aquela pessoa sem uma declaração oficial de todos os envolvidos. As coisas vão um pouco além do que foi dito no palco, nada é tão simples. 

Depois de muitos anos envolvido no underground, posso afirmar com total certeza que conheço os dois lados: público e produtoras de eventos. O All That Metal sempre vai apoiar quem faz algo pela cena, seja organizando shows, pessoas que compram ingressos e comparecem nos eventos, quem compra os produtos das bandas, enfim, os fãs que mantém o underground vivo. É muito fácil ficar reclamando e cruzar os braços na hora do aperto, deixando de lado o fato de que estamos todos no mesmo barco. Como diria um amigo meu, a cena não é só ficar em casa baixando MP3. 

Não podemos também deixar passar em branco certas atitudes revoltadas que algumas pessoas tiveram. Tomo como exemplo a cidadã que decidiu invadir o palco para quebrar o equipamento que foi alugado para a realização do show. Nada justifica tamanha imprudência! Em contrapartida, a grande maioria do público era dotado de bom senso. Como é tradicional no Beco, não havia uma barreira entre o palco e a platéia, o que muitas vezes dificulta o trabalho de quem está fotografando a apresentação. Mesmo assim, o público foi muito respeitoso cedendo espaço para a realização do trabalho. Em suma: qualquer um tem o direito de reclamar, e felizmente muitos ali lembravam que havia profissionais que estavam trabalhando, sendo uma ínfima minoria querendo incitar atitudes deploráveis. 

No final das contas, o saldo foi muito positivo para o público, fazendo valer a pena os atrasos com o show memorável do Possessed. Quem perdeu tem mais é que se arrepender de não ter assistido uma das maiores lendas do Metal em Porto Alegre. Na minha singela opinião, um dos melhores shows de 2013 até o presente momento.

Review de CD: Prophajnt - A New Beginning


Uma das reclamações mais constantes entre as pessoas que trabalham no meio do Rock/Metal (e dos fãs também) tem sido a dificuldade em encontrar bandas com propostas diferentes e que sejam capazes de inovar. Infelizmente o gênero já caiu na mesmice há muito tempo e para cada 10 bandas novas, 9 já começam muito mal por adotarem um rótulo logo de cara. Não nego que isso já dá um certo desânimo quando aparece algum material para review. Mas as vezes você tem alguma surpresa agradável e, ao levar tudo isso em conta, uma banda como a Prophajnt acaba sendo um diferencial dentro da cena independente.

O grupo já está na ativa há algum tempo, trabalhando tanto em material próprio quanto em tributos a Iron Maiden e Dio. "A New Beginning" é o primeiro lançamento oficial da banda e traz 7 faixas que apresentam ao ouvinte uma bela mistura de Heavy Metal tradicional, Hard Rock e outras influências diversas que serão abordadas ao longo da resenha. A Prophajnt é formada por Verônica Pasqualin (vocal), Márcio Ritter (guitarra), Gustavo Refosco (baixo) e Rodrigo Marques (bateria).

O EP abre com a intro "Un Sentiment", faixa curta que contém belas melodias vocais de Verônica. "Strong Enough" vem na sequência apresentando uma síntese da proposta do grupo, com uma levada bem tradicional conduzidas por boas viradas de bateria de Rodrigo. Apesar de ser marcante desde o início as influências supracitadas, a banda sabe utilizar isso como base para criações mais ousadas e inovadoras, passando longe dos clichês que permeiam o cenário contemporâneo.

Em "Face Your Truth" é dado continuidade ao som característico da banda. Seu refrão é bem marcante e as linhas de guitarra são bem trabalhadas, culminando em um dos melhore solos de Márcio no trabalho apresentado. Na sequência temos "Inner Mess", única faixa de autoria de Gustavo e certamente um dos melhores momentos de "A New Beginning". A canção impressiona com sua pegada bem funk, tanto na guitarra quanto nos slaps do baixista. "Inner Mess" deixa bem claro que o caminho que a Prophajnt deve seguir é justamente essas misturas com influências diversificadas. Sendo sincero, de todos os trabalhos nacionais lançados até agora em 2013, "Inner Mess" é uma das canções mais criativas que escutei.

A balada "Angel Of Mine" começa com uma excelente passagem acústica, onde ficam evidentes as influências eruditas de Márcio. A canção evolui para tornar-se mais pesada, terminando com uma excelente performance vocal de Verônica. Ao lado de "Inner Mess", é uma canção que destaca-se com grandes diferenciais e valoriza o talento dos músicos da Prophajnt. Já "Escape From The Fire" é praticamente o hit pronto da Prophajnt, impossível escutar essa música e não sair cantando o refrão de primeira. Vale lembrar que foi aqui no All That Metal que a banda fez a estreia da faixa, em uma matéria de Ana Rauber na Semana Ronnie James Dio, em maio desse ano.

Encerrando o lançamento temos a faixa título, contendo apenas voz, violão e teclados. Mais uma vez, temos uma ótima performance de Verônica alternando entre tons altos e baixos com exímia técnica. Ao final, ficamos com a vontade de escutar logo um full length dessa banda promissora. O único problema é que eu conheço muito bem a banda ao vivo e fiquei com a leve impressão de que a produção não favoreceu a captação do feeling que eles tem em cima do palco. Mas isso é uma questão que não atrapalha em nada a audição do trabalho, pelo contrário, acho um lançamento mais do que digno para marcar o primeiro registro profissional da Prophajnt.

"A New Beginning" é exatamente o que diz o título: o começo de uma nova fase na carreira da Prophajnt. O EP sintetiza tudo que a banda faz e ainda é capaz de fazer. Atualmente o grupo fez uma pausa das apresentações ao vivo e deve retornar aos palcos somente no ano que vem. Inclusive, publicamos uma matéria sobre a última apresentação de 2013, você pode CLICAR AQUI para conferir todos os detalhes. Mas nada impede você de adquirir o EP na loja virtual da banda, certo? É isso mesmo, você pode escolher comprar a cópia física ou a versão digital para download. CLIQUE AQUI para mais detalhes. Altamente recomendado pela equipe do All That Metal!

Nota: 4

Review de show: Rosa Tattoada - RosAcústica (Malvadeza Pub, Porto Alegre-RS, 04/08/13)

quinta-feira, 8 de agosto de 2013


Confira também a galeria de imagens no final do post

Na noite do último domingo, dia 4 de agosto, a banda Rosa Tattooada fez uma apresentação bem diferente do que estamos acostumados a ver. Batizado como Rosacústica, o grupo apresentou versões desplugadas de suas canções em Porto Alegre. O local escolhido para receber um dos maiores ícones do Hard Rock nacional foi o Malvadeza Pub. O show também foi uma celebração ao aniversário de 44 anos do vocalista/guitarrista Jacques Maciel. Ou seja, o clima era de festa com muito rock'n'roll e as finas cervejas servidas no Malvadeza. 

Logo de cara a banda já mandou ver em "Na Estrada" e "Fora de Mim, Dentro de Você", mostrando que a noite prometia uma grande performance com ótimas versões de clássicos do Rosa. Na noite anterior tive a oportunidade de entrevista Jacques Maciel e ele contou que foi um grande desafio trabalhar em cima das novas versões. Mas o resultado foi excelente e, a julgar pela reação dos presentes, com certeza os fãs receberam muito bem o formato diferenciado. 



Como o local não era muito grande, quem estava presente eram os verdadeiros fãs do Rosa. E a casa estava cheia mesmo! Parecia ainda mais lotado com todos cantando em unissono cada uma das canções. Poucas bandas tem essa relação entre artista e fãs como o Rosa Tattooada, formando uma base de seguidores devotos da troupe de Jacques. Todas as gerações estavam lá reunidas, desde os fãs que acompanham a banda desde os anos 80 até as gerações mais novas. 

O repertório ainda incluiu canções como "Poção", "Canção do Deserto", "Diamante Interestelar", "Cama de Arame Farpado" e muitas outras. O ex-tecladista Vini Tonello também estava presente acompanhando o grupo nesse evento singular como convidado especial. Dalis Trugillo, baterista que entrou no Rosa em 2011, mostrou que já faz parte do time de forma definitiva, sendo muito bem recepcionado pelos fãs e mandando ver nas baquetas na medida certa. E o que falar de Valdi Dalla Rosa? O cara agita o tempo inteiro, faz os fãs cantarem junto e consegue ter uma boa presença de palco até em uma apresentação em que ficou parado no mesmo local o tempo inteiro. 


No clássico "O Inferno Vai Ter Que Esperar", Jacques anuncia que a música vai ser dedicada a todos os fãs que fizeram parte da história do Rosa Tattooada. Desnecessário falar que o público cantou toda a letra do início ao fim. A apresentação ainda contou com uma trinca de clássicos: "Um Milhão de Flores", "Carburador" e "Rock And Roll Até Morrer", que fechou a noite em grande estilo.




Realmente espero que a banda faça mais apresentações no formato acústico em um futuro não muito distante. Confesso que sai de lá impressionado, pois não sabia exatamente o que esperar do Rosa Tattooada desplugado e acabei presenciando um dos melhores shows de 2013 em que estive presente. Agora é esperar pelo próximo lançamento da banda, que já está em estúdio trabalhando em material inédito.

Set list:
Na Estrada
Fora de Mim, Dentro de Você
Rendez Vous
Poção
Voando Baixo
Canção do Deserto
Tão Longe
Diamante Interestelar
Cama de Arame Farpado
Tardes de Outono
O Inferno Vai Ter Que Esperar
Um Milhão de Flores
Carburador
Rock And Roll Até Morrer  


Possessed: o encontro de Jeff Becerra com Max Cavalera

terça-feira, 6 de agosto de 2013


Estamos atravessando uma temporada de ótimos shows em Porto Alegre. Na próxima quinta-feira temos o Possessed, precursor do Death Metal que promete apresentar seu primeiro full length na íntegra, o clássico "Seven Churches". O evento é uma produção da Mitnel Produções em parceria com a Heaven And Hell Rock Store e você ainda pode adquirir ingressos no segundo lote por R$ 70,00. CLIQUE AQUI para todos os detalhes. 

No fim do mês também temos uma apresentação do Soulfly, marcando o retorno de Max Cavalera a capital gaúcha após quase duas décadas. Max sempre foi um fã declarado do Possessed e jamais negou que a banda sempre foi uma de suas maiores influências. Tanto que em meados da década de 80, quando estava a frente do Sepultura, usava o pseudônimo Max Possessed. 

Há poucos anos atrás aconteceu o encontro entre essas duas lendas do Metal: o líder do Soulfly conheceu pessoalmente Jeff Becerra, vocalista do Possessed. O fato aconteceu durante uma turnê do Cavalera Conspiracy nos Estados Unidos, quando Jeff compareceu em um dos shows para bater um papo com Max e Igor Cavalera. Max relatou o acontecimento para a revista Roadie Crew, quando foi convidado para participar da seção Blind Ear. O intuito de Blind Ear é fazer com que algum músico conhecido do gênero escute uma música de determinada banda para depois tecer comentários, isso sem o repórter da revista falar qual banda que está tocando. Na participação de Max foi colocado logo de cara a faixa "Death Metal", que está presente em "Seven Churches". Confira abaixo os comentários de Max:


"Possessed, com a música que deu nome para celebrar o movimento: 'Death Metal'. Conheci o Jeff Becerra na turnê do Cavalera nos Estados Unidos. Ele agora está de cadeira de rodas, depois que tomou um tiro. Ele veio me conhecer e ao Igor, e falei que era fã pra caralho. Inclusive gravamos o cover de 'The Exorcist' como bônus do 'Inflikted'. (R.C.: Tem muita coisa do seu vocal que lembra Possessed) É, lógico! Meu nome era até Max Possessed no começo (risos)."
- Roadie Crew Nº 151, agosto 2011

*O All That Metal não é dono dos direitos autorais da publicação e o post não tem fins comerciais. Se você faz parte da redação da Roadie Crew e deseja que o post seja deletado, por favor, entre em contato conosco. 

Postmortem: "Atra Mors" e o show com o Possessed

segunda-feira, 5 de agosto de 2013


A banda Postmortem já está na ativa há quase 10 anos e conseguiu estabelecer seu nome como um dos grandes expoentes do underground gaúcho. Isso para não falar em um âmbito nacional, uma vez que o Death Metal apresentado pelo grupo de Pelotas não fica devendo nada para os principais representantes do gênero no Brasil. Em fevereiro desse ano a banda lançou o EP "Atra Mors", contendo três faixas com muita brutalidade e técnica. Inclusive, uma das faixas do trabalho ("Above All Lies") foi primeiramente divulgada com exclusividade aqui no ATM, quando a banda fez a estreia da nossa seção Southern Extremism.

Atualmente a Postmortem prepara-se para uma das apresentações mais importantes de sua carreira: abrir o show do Possessed em Porto Alegre, no dia 8 de agosto. Abrir para a banda precursora do subgênero é uma grande honra conquistada com méritos pelo ótimo trabalho da banda. O show vai ser realizado no Beco e você ainda pode adquirir ingressos do 2º lote por R$ 70 na Heaven And Hell Rock Store (R. General Vitorino, 140 - Sala 201 - Porto Alegre-RS). CLIQUE AQUI para todos os detalhes sobre o show.


A matéria que apresentamos hoje é algo bem diferente do que estamos acostumados. Ao invés de fazermos um review como tradicionalmente acontece com diversos lançamentos, decidimos convidar a própria banda para falar de "Atra Mors". O guitarrista/vocalista Bruno Añaña e o baterista Douglas Veiga contam como foi o processo de gravação, detalhes sobre as letras e muito mais. A banda ainda conta com Mou Machado (guitarra) e Juliano Pacheco (baixo). E antes de começarmos, apenas um recado: a banda já está finalizando seu próximo EP que está em fase de mixagem.


Sobre a gravação:

"A gravação do EP 'Atra Mors' foi extremamente proveitoso para a banda, primeiro por ser o segundo trabalho oficial de estúdio da banda, outro pelo produtor ser o guitarrista e vocalista Bruno Añaña, que vem trabalhando com bandas locais como Vetitum, Trail Of Sins, Escória, She Hoos Go entre outras. Foi um processo de muita união, esforço e aprendizado de todos da banda e o resultado se reflete na obra, que contentou a todos.
Ao fim da gravação dos três sons, era notório que o material já tinha uma excelente qualidade sonora. Foi nesta etapa que uma parceria para mixagem e masterização foi firmada entre o produtor Felipe Lisciel (RJ) e a Postmortem. Devido à sua metodologia de trabalho mais voltada para o áudio analógico, o EP 'Atra Mors' ganhou uma sonoridade interessantíssima, agradando demais à banda e demais envolvidos no processo."


Faixa-a-faixa de 'Atra Mors':

Above All Lies: 


 "Atra Mors" já abre com toda a brutalidade de "Above All Lies", uma faixa rápida com riffs diretos e vocais agressivos. A bateria tem passagens destruidoras alternando entre blast beats precisos e outras passagens mais técnicas. É impossível não destacar o solo de guitarra da faixa, com uma ótima melodia que encaixou-se na música de uma forma muito criativa.

"A música foi escolhida pelo seu peso do início ao fim e provavelmente de cara, já foi cotada para abrir o EP pelo jeito bruto como começa. Foi a 3ª ou 4ª composição da banda, sendo composta por Bruno, Willian Knuth (ex-vocal) e Douglas Veiga (bateria), este último, responsável pela letra também. O solo de guitarra é um dos favoritos de Bruno que alia uma melodia simples e bem harmonizada com a base. Os vocais são na maior parte do tempo rápidos, talvez a que mais exigiu tecnicamente para ser gravada."

Possession Of Spirit And Flesh: 


A segunda faixa de "Atra Mors" deixa bem claro as influências da Postmortem, com um Death Metal de altíssima qualidade. A canção alterna entre alguns momentos mais rápidos e pesados, para depois levar o ouvinte a uma sonoridade mais cadenciada. Duvido muito que um fã de música extrema escute a faixa e não saia bangueando com o trecho final dela logo na primeira audição.

"Embora já conste na primeira demo da banda 'Out Of Tomb', decidimos incluí-la por acharmos uma excelente composição, talvez uma das mais bem elaboradas, embora o início tenha sido modificado em relação ao primeiro registro. A composição é de Bruno Añaña e Douglas Veiga, letra de Douglas Veiga."


Till Your Last Breath: 


Particularmente, minha favorita do EP. A maior parte da música tem um peso mais arrastado, para depois evoluir até seu final caótico. Tudo em "Till Your Last Breath" encaixa-se perfeitamente bem: guitarras com muito peso; um solo que começa mais melódico para depois ficar mais rápido e enfim terminar com as duas guitarras em conjunto; as melhores linhas de baterias do EP, com muita técnica e agressividade. O trecho final da música é sensacional e vai literalmente violentar seus ouvidos.

"É uma composição mais recente da Postmortem, seu ritmo é bem mais lento mas conta com um final brutal. Composta por Bruno Añaña e Mou Machado, é a primeira música da Postmortem com letra de Bruno Añaña."


Letras:
Above All Lies
Douglas Veiga: "Nessa letra eu falo sobre os dogmas religiosos e como existe gente cega que corre atrás de um ideal vazio. No caso o interlocutor é algo ou alguém, com um espírito de vingança, que vive neste mundo regulado por morais e leis e que quer ter a sua desforra! Ele vai se vingar de quem por anos o aprisonou não podendo se expressar e ter um real livre arbítrio. Tal qual a gente que vive num mundo podre e hipócrita, mas devemos baixar a cabeça para regras sociais manipuladas por quem tem um poder material, criado por eles mesmos, e superlavorizado pela massa ignorante."

Possession of Spirit and Flesh
Douglas Veiga: "Esta eu lembro de ter imaginado algo mais demoníaco e fantástico pra ilustrar o comportamento de pessoas que simplesmente não se encaixam na sociedade, tem algum tipo de maldade enraizada no inconsciente. Imaginei bem como um filme mesmo, gosto de pensar em roteiros pras coisas que escrevo e nessa é algum tipo de filme de terror sobre possessão ou algo não explicado. A tal pessoa sofre de alguma maldição ancentral e todo seu corpo e mente são dominados por um ser que se alimenta das fraquezas carnais e piscológicas do indivíduo. Enquanto isso ele evolui e passa extirpar qualquer traço da personalidade e se torna o líder do corpo em si."

'Till Your Last Breath
Bruno Añaña: "Basicamente trata-se de uma alma penada presa ao mundo dos vivos e que foi morta em virtude da ganância de uma única pessoa. A vontade é puramente de vingança, que será conseguida através da força vinda de outros espíritos mortos pelo mesmo motivo."


Show com o Possessed
"Como músico da Postmortem e como alguém que cresceu ouvindo Seven Churches e Beyond The Gates, será um prazer e uma monstra honra, não só de ver os caras tocando estes sons ao vivo como também de participar da abertura do show deles na capital do meu estado. Espero no mínimo uma noite surreal pra Postmortem e pra todos que forem até o Beco bater cabeça." 
- Bruno Añaña

Review de Show: Angra em Porto Alegre (01/08/2013) com galeria de fotos

domingo, 4 de agosto de 2013


Texto por Paola Rebelo
Fotos por Tiago Alano

Na quinta-feira (1º de agosto), o Bar Opinião sediou o show de uma das bandas mais icônicas do cenário do metal nacional. O Angra, trazido para Porto Alegre pela produtora Abstratti,conta atualmente com Rafael Bittencourt , o único membro fundador da banda, e Kiko Loureiro nas guitarras, Felipe Andreoli no baixo e Ricardo Confessori na bateria. Com a saída do vocalista Edu Falaschi em maio do ano passado, o italiano Fabio Lione (Rhapsody of Fire) foi convidado para assumir o microfone durante essa turnê, enquanto a banda não encontra um novo vocalista fixo.

Às 20h15, a banda Sastras foi a primeira a subir no palco. Formada na cidade de Butiá em 2005, o diferencial da banda de metal melódico são as músicas cantadas em português, com temáticas relacionadas à história do Rio Grande do Sul. Sua formação atual conta com Nathy Pfützer nos vocais, Rudy Moraes na guitarra, Thiago Moreira no baixo e Thiago Battisti na bateria, contando também com a participação especial do guitarrista Eduardo Martinez (Hangar). Em um show de meia hora, a banda apresentou quatro canções próprias, incluindo o single "Escrituras Reveladas" e "Chacal", do EP conceitual chamado CHACAL: Em Busca do Destino, que será lançado gratuitamente no dia 10 de agosto pelo site oficial da Sastras. Com direito a um solo de bateria de Battisti e a excelente performance de todos os membros da banda, em especial a vocalista Nathy Pfützer, a banda conquistou aplausos e gritos do público que já enchia a casa para assistir ao Angra.


A segunda banda de abertura da noite, Datavenia, começou sua apresentação às 21h05. O grupo, formado no município de Frederico Westphalen em 2007, tem como proposta um som mais puxado para o thrash, e conta com as influências de bandas como Metallica, Pantera, Motörhead e Sepultura, entre outros. A banda é formada por Eduardo Luís Pegoraro, Quatrin Dos Santos, Guilherme Argenta e Guilherme Mello, e suas músicas podem ser ouvidas em seu MySpace, assim como informações de seus próximos shows podem ser conferidas em sua página no Facebook.

A banda optou por tocar não só suas músicas próprias, mas também alguns covers de clássicos do metal. Assim, o show foi iniciado com "Sad But True" (Metallica), seguido de "Bang Your Head", uma de suas canções próprias. Com competência e uma incrível presença de palco, Datavenia conseguiu agitar a casa enquanto se deslocava de Black Label Society e Pantera até suas músicas autorais. Às 21h40, fechou o show com um impecável cover de “A Tout Le Monde” (Megadeth), fazendo com que todas as vozes presentes se juntassem à do vocalista Guilherme Mello.


Com um atraso de cerca de meia hora, Angra começou sua apresentação com a longa faixa introdutória “Unfinished Allegro” de seu trabalho de estreia, Angels Cry (1993), seguida da música homônima ao título do álbum. Desde o início, Lione mostrou que, além de sua voz potente e ressonante e de sua impecável presença de palco, também exibia muita simpatia e carisma, e recheou o show do de cabo a rabo com interações com a plateia, ora em inglês, ora em espanhol. Após a acelerada “Nothing to Say”, o vocalista anuncia que um dos fãs na plateia, que estava na grade no show do Kamelot em Porto Alegre (na época em que Lione substituía o ex-frontman da banda, Roy Khan), estava de aniversário. Após conseguir localizar o rapaz para parabenizá-lo, “Waiting Silence” foi a próxima canção escolhida, com um instrumental um pouco diferenciado da versão de estúdio que incluiu um solo de baixo de Andreoli.

De volta às origens do Angels Cry, “Time” foi seguida de “Lisbon”, canção destaque do álbum Fireworks (1998), tocada com o som do teclado gravado, pela ausência de um tecladista. Já em “Millennium Sun”, por sua vez, Kiko Loureiro abandonou temporariamente sua guitarra para assumir as teclas. Sempre conversando com o público no intervalo entre as músicas, em um espanglês de difícil compreensão em alguns momentos, Lione prometeu que na próxima vez que vier ao Brasil já terá aprendido português.


Ainda com Kiko Loureiro no teclado, Felipe Andreoli assumiu as passagens cantadas por Hansi Kürsch (Blind Guardian) na faixa "Winds of Destination", enquanto Lione seguia com sua magistral interpretação das partes cantadas por Edu Falaschi. Em “Gentle Change”, Loureiro auxiliou Ricardo Confessori na percussão, enquanto Rafael dividiu os vocais com Fabio Lione. Em seguida, em “The Rage of the Waters”, o vocalista italiano deixa o palco, e Bittencourt assume inteiramente os vocais. De volta para o público, Lione apresenta com louvor todas as suas técnicas de interpretação na melodiosa "Silence and Distance", em uma perfeita aula de comunicação com o público, sem que sua voz jamais perca a força e desafine em uma nota sequer. Após "Wings of Reality", Lione, Felipe Andreoli e Ricardo Confessori deixam o show ao cargo apenas de Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro.

Uma fã, que conheceu pessoalmente a banda no cruzeiro 7000 Tons of Metal, foi convidada a se unir aos dois no palco. Em um ambiente acústico, sentados em cadeiras com apenas violões e microfones, Rafael discursa um pouco sobre a trajetória do Angra, e falou sobre como as músicas que eles escrevem geralmente são compostas primeiramente para violão, e depois passadas para a guitarra. Com apenas os violões dele e de Kiko, Rafael cantou a comovente balada “Reaching Horizons” e, mesmo sem possuir a pujante voz de André Matos, vocalista original da faixa, não deixou a desejar em sua performance, apostando em elementos mais singelos que destacaram o coeficiente emocional da canção.


Antes de tocar a exótica “Late Redemption”, Bittencourt falou sobre o processo criativo dessa canção de que a banda tanto se orgulha, e como foi trabalhar com Milton Nascimento durante sua gravação. Nessa faixa, Kiko Loureiro assumiu a voz de Nascimento, enquanto Rafael Bittencourt cantou as estrofes que antes pertenciam a Edu Falaschi. Os dois guitarristas aproveitaram aquele momento mais intimista do show para falar sobre o ex-integrantes da banda, citando o nome de cada um deles e dizendo que aquela turnê não comemorava apenas os 20 anos do álbum Angels Cry, mas também os 22 anos de existência do Angra. “É uma entidade, cada um que passa por ela deixa seus valores”, afirma Kiko Loureiro, “mas uma banda é muito mais do que só esse somatório de pessoas”.

Rafael protagonizou o microfone mais uma vez enquanto dividia os acordes de violão com Kiko em “Make Believe” e, surpreendentemente, encerraram o momento acústico do show com “Queen of the Night”. A faixa fazia parte apenas da versão japonesa do álbum Holy Land (1996), e só veio a ser lançada oficialmente no Brasil no EP Freedom Call, em uma versão remixada e menos orquestrada do que a original.

O resto da banda e Fabio Lione retornam ao palco e cobrem suavemente o momento de maior proximidade dos dois guitarristas com o público com a melancólica balada “No Pain for the Dead”. O ritmo se torna um pouco mais veloz em “Evil Warning”, e a plateia que antes se mantinha respeitosamente contida nas músicas que antecederam retornou ao seu status de um público de heavy metal, com entusiasmo e exaltação. Fabio Lione e os membros Angra deixaram os fãs clamando seus nomes para traz por alguns minutos, porém todos sabiam que o show ainda não havia encontrado o seu fim.


Os bons ventos do bis trouxeram as músicas que a plateia passou a noite desejando ouvir. “Nova Era” e “Rebirth” foram cantadas por Lione com auxílio de todas as vozes que encheram o Bar Opinião para o show daquela noite. O italiano aproveita esses últimos momentos em contato com os porto-alegrenses para falar (em seu bom espanglês) sobre seu apreço pelos trabalhos do Angra, e como o considera uma das bandas mais importantes do cenário mundial do heavy metal.

O grand finale foi, evidentemente, “Carry On”. A canção lançada em 1993 pelo álbum Angels Cry, mesmo 20 anos depois, continua sendo o sucesso mais icástico da carreira do Angra. Apesar do desempenho impecável de Fabio Lione durante todo o show, tanto na questão de sua qualidade sonora como em seu comportamento e interação com o público, seu único deslize se deu durante a música mais famosa e esperada pelos fãs. No momento em que veríamos do que a intensa voz do vocalista convidado seria capaz, nas agudíssimas notas cantadas por André Matos na versão de estúdio, ele esqueceu a letra e trocou risadas com Rafael Bittencourt. Um errinho logicamente perdoado pelo público, que cantava animado sem se importar se o cantor deixou de acompanhá-los por um instante sequer.

Faltavam apenas dez minutos para a uma hora da madrugada quando a banda se despedia do público de Porto Alegre, distribuindo agradecimentos, palavras afáveis, palhetas e baquetas. Não se sabe ainda quem assumirá os vocais do Angra daqui para frente ou quando será lançado um novo álbum, mas se sabe que essa turnê foi um importante marco na história da banda. Os fãs de power metal jamais esquecerão o dia em que puderam testemunhar a união da maior representante do estilo do Brasil com um dos maiores vocalistas do cenário mundial.


Setlist:

1 - Angels Cry
2 - Nothing to Say
3 - Waiting Silence
4 - Time
5 - Lisbon
6 - Millennium Sun
7 - Winds of Destination
8 - Gentle Change
9 - The Rage of the Waters
10 - Silence and Distance
11 - Wings of Reality
12 - Reaching Horizons
13 - Late Redemption
14 - Make Believe
15 - Queen of the Night
16 - No Pain for the Dead
17 - Evil Warning
18 - Nova Era
19 - Rebirth
20 - Carry On

Galeria de fotos:


Save Our Souls: todos os detalhes sobre o novo álbum

sábado, 3 de agosto de 2013


A banda porto alegrense Save Our Souls divulgou maiores detalhes sobre seu primeiro álbum de estúdio. Na entrevista exclusiva com o baterista Andrêss Fontanella e o baixista Jackson Harvelle, já havia sido anunciado que o full length seria gravado em agosto no UFO Estúdio, em Capão da Canoa. O debut recebeu o título de "Soul Domination" e possui essa belíssima capa que ilustra a matéria.

O material gráfico de "Soul Domination" foi desenvolvido e estilizado em parceria com JDuarte (www.jduartedesign.com/site), que já trabalhou com bandas como Angra, Korzus, Almah, Hangar, dentre outras. O trabalho está sendo produzido pela própria banda e conta com Diego Voges na engenharia e mixagem de som. 

Nas palavras da própria banda em nota divulgada no site oficial (saveoursouls.com.br): "Nas próximas semanas a banda se reúne para encerrar a produção do álbum que contará com orquestrações intensas, vocais líricos e guturais, característicos do estilo, linhas de guitarras agressivas e pesadas, passagens intrincadas de baixo e bateria e muito mais!"

"Soul Domination" tem previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2014. Ainda não foi definido qual será o selo de distribuição do primeiro álbum do grupo. 
Confira o tracklist de "Soul Domination":

01 – Another Life
02 – All The Lost Souls
03 – The Judgement Day
04 – The Sound Of Heart
05 – Web Of Lies
06- Soul Domination
07 – Find The Way
08 – Leave Me Alone
09 – You( Leave me Alone Part II)
10 – Dark Enigma
11 – The Sound Of Heart Acoustic Version (Bonus Track)



Links:
www.saveoursouls.com.br
www.twitter.com/save_our_souls
www.youtube.com/saveoursoulsbr
www.myspace.com/saveoursoulsbr

Nitro Concept: clichês dos videoclipes de metal


Recentemente o Estúdio Nitro, conhecido pelos trabalhos de seu produtor Roger Fingle (Blood Tears, Seduced by Suicide) com gravações, mixagem e masterização de bandas de metal, lançou um canal no YouTube (www.youtube.com/estudionitro) onde deu início ao Nitro Report, uma série de vídeos onde promete mostrar aos fãs de rock e metal o processo desde o início, com a banda ensaiando, até ter um CD pronto.

Agora o canal deu início ao Nitro Concept, sua segunda série de vídeos, desta vez criada por Maicon Benato e Letícia Telassi, responsáveis pela criação, filmagem e edição de vídeos do estúdio. Neste primeiro vídeo a dupla mostrou de uma forma divertida os clichês dos videoclipes de metal e a importância de ter uma proposta diferente, com identidade, para que a banda se destaque.

Sobre a série de vídeos a dupla comentou: "Criamos o Nitro Concept para divulgar o nosso trabalho com videoclipes, mas a idéia principal é mostrar que nosso foco não é fazer clipes só por fazer, colocando a banda tocando num galpão e batendo a cabeça com o efeito de câmera tremida. Todos os dias são feitos mais clipes assim e o que nós queremos é criar algo que seja diferente e tenha sua própria aura. Nosso objetivo é trabalhar com recursos de origem artesanal, como desenhos, esculturas, pinturas, etc, sem depender de recursos tecnológicos como chroma key (fundo verde) ou modelagem 3D, que são os recursos mais usados hoje em dia.

Estamos trabalhando atualmente com videoclipes para as bandas Sodamned, Caordica e Seduced by Suicide, além de um mini documentário para o Hate Handles."


Confira o primeiro vídeo do Nitro Concept:


Fonte: Seagal Metal Press

Review de Show: The Winery Dogs em Porto Alegre (28/07/2013)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013



Na noite de domingo (28/7), a capital gaúcha recebeu The Winery Dogs em seu último show no Brasil. O power trio formado em 2012 conta com Mike Portnoy (Dream Theater, Adrenaline Mob) na bateria, Billy Sheehan (Mr. Big, David Lee Roth, UFO) no baixo e Richie Kotzen (Poison, Mr. Big) nos vocais e na guitarra, e lançou seu primeiro álbum, de título homônimo, em maio no Japão pela Victor Entertainment e em julho nos Estados Unidos pela Loud & Proud Records.

O show promovido pela produtora Free Pass e sediado pelo Bar Opinião teve seu início pontualmente às 21h, com um palco com decoração simples e uma bateria bastante modesta para um músico como Mike Portnoy. Abrir a setlist com a canção "Elevate" foi uma escolha de mestre, pois além de ser uma das faixas mais conhecidas pelo público, possui a força e a velocidade certa para mostrar a todos que o show começou.

A sequência continuou ininterrupta com "Criminal" e "We Are One", antes que Kotzen cumprimentasse o público que cantava as músicas que sequer foram lançadas no Brasil. A grande aposta do trio no concerto de Porto Alegre foram as medley entre as músicas, iniciando com "One More Time" unida à "Time Machine", faixa exclusiva da versão americana do álbum. Após cumprimentar o público, a banda seguiu para mais um medley da balada "Damaged" com "Six Feet Deeper".

Billy e Richie deixaram o palco momentaneamente para o solo de bateria de Portnoy. Para aqueles que já haviam visto sua performance nos tempos áureos do Dream Theater, provavelmente não se impressionou muito com o que foi mostrado em The Winery Dogs. Ao contrário da bateria gigantesca que ele costumava usar há uns anos, nessa turnê Mike optou por um instrumento bastante reduzido, o que acabou por limitar suas mais do que conhecidas habilidades com as baquetas.

E, logicamente, o próprio Portnoy sabia que não poderia fazer algo no nível do que foi apresentado no DVD Constant Motion (os fãs de Dream Theater jamais esquecerão esse solo...) em uma bateria tão pequena. Ele se levantou e começou a batucar o ar, enquanto sinalizava para a audiência que não havia pratos e tambores suficientes ali para ele. Do backstage, atiram para Mike um boneco de si mesmo que o baterista ganhou de um fã pouco antes do show começar. Sem pensar duas vezes, Portnoy o usa como baqueta durante o restante do solo, arrancando risadas do público antes de jogá-lo de volta ao backstage e o show seguir seu rumo.

A canção "The Other Side" foi seguida de um virtuosíssimo solo de baixo de Billy Sheehan. Ao contrário do solo de Portnoy, o momento só de Sheehan no palco foi consideravelmente longo, fazendo uso de técnicas como two-hands e tapping até se estender aos acordes do início da balada "You Saved Me", que seria tocada a seguir. Em "Not Hopeless", Richie e Billy fazem um duelo de cavalheiros com seus instrumentos durante a faixa, que se estende até o solo de Kotzen. O guitarrista, assim como Portnoy, não atingiu a mesma maestria de Sheehan em seu solo, porém conseguiu cativar o público com a famosa "Stand", cover de Poison, em uma performance solitária e intimista com apenas violão e voz. Famoso pelo costume de não usar palheta com a guitarra, ao guardar o violão e jogar a palheta para a plateia, brinca: "essa é provavelmente a única que vocês receberão hoje".

Mike e Billy retornam ao palco, mas a ênfase continua a ser Richie, com a canção "You Can't Save Me", de sua carreira solo. Em seguida, um dos momentos mais bonitos do show foi o cover de "Shine", de Mr. Big, com todo o Bar Opinião auxiliando Kotzen nos vocais durante a música. "I'm No Angel" contou com um instrumental prolongado improvisado, que acabou por se tornar um medley com "The Dying". Na balada "Regret", a última canção antes do bis,Richie deixa a guitarra de lado por alguns minutos e se dedica ao teclado.

A banda sai de cena e deixa o público porto-alegrense a gritar pelo seu retorno, e não tarda a Mike Portnoy voltar ao palco: "esta é a nossa última noite no Brasil... E como sempre vocês foram incríveis". Enquanto a banda se posiciona para as últimas músicas da noite, o baterista segue a conversa com a plateia, e deixa claro que, com toda a certeza, passarão  de novo por aqui em sua próxima turnê. The Winery Dogs aposta em mais um cover, "Fooled Around and Fell in Love", do guitarrista Elvin Bishop, antes do finale "Desire", uma das músicas mais famosas da banda, em uma versão com instrumental prolongado.

Às 22h45 minutos, após um show de quase duas horas, o power trio se despedia de uma Porto Alegre extasiada com palavras carinhosas e agradecimentos em português. The Winery Dogs pode ser um projeto recente, porém se antes já havia chamado a atenção pela notoriedade de seus membros, agora conquista fãs pela qualidade de suas músicas. A tendência é, daqui para frente, vermos o número da cabeças na plateia dos shows do The Winery Dogs dobrar nas próximas turnês.

Setlist:
 
1 - Elevate
2 - Criminal
3 - We Are One
4 - One More Time
5 - Time Machine
6 - Damaged
7 - Six Feet Deeper
8 - The Other Side
9 - You Saved Me
10 - Not Hopeless
11 - Stand (Cover de Poison)
12 - You Can't Save Me (Cover de Richie Kotzen)
13 - Shine (Cover de Mr. Big)
14 - I'm No Angel
15 - The Dying
16 - Regret
18 - Fooled Around And Fell In Love (Cover de Elvin Bishop)
19 - Desire