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Review de Show: Avantasia em São Paulo (29/06/2013)

sábado, 6 de julho de 2013


Essa resenha foi escrita a quatro mãos, por Caio Botrel e Paola Rebelo, infelizmente os únicos da equipe do All That Metal que tiveram a honra de testemunhar um dos melhores shows do ano de 2013.

Na chuvosa noite de sábado (29/6), São Paulo recebeu um dos maiores espetáculos do mundo do metal. O evento organizado pela produtora Free Pass lotou a casa HSBC Brasil para ver o Avantasia em sua terceira passagem pela capital paulista. O show único em território nacional fez parte do The Mystery World Tour, em divulgação do novo álbum The Mystery of Time, lançado em março deste ano.

As portas da casa se abriram às 20h, e o show teve início pontualmente às 22h. Tobias Sammet, líder do projeto, já havia avisado que nenhum concerto dessa turnê teria bandas de abertura, pois gostaria que sua metal ópera fosse a única atração da noite, a fim de marcar a passagem do Avantasia como um acontecimento extraordinário aos fãs. Assim, as luzes se apagaram, e a multidão começou a gritar ao som introdutório de "Also Sprach Zarathustra", música tema do filme "2001: Uma Odisseia no Espaço".

A formação instrumental do Avantasia utilizada nessa turnê contou com a presença de André Neygenfind (Groove Galaxi) no baixo, Michael "Miro" Rodenberg (Rhapsody of Fire) no teclado e Felix Bohnke (Edguy) na bateria, enquanto Sascha Paeth (Heaven's Gate) dividiu as guitarras com Oliver Hartmann (At Vance), um dos vocalistas do projeto. As vozes ouvidas no HSBC, além de Oliver e Tobias, foram as de Bob Catley (Magnum), Eric Martin (Mr. Big) e, é claro, Michael Kiske (Helloween), a cereja no topo do bolo. Amanda Sommerville (Trillium) e Thomas Rettke (Heaven's Gate) foram os backing vocals da turnê, porém também tiveram seus momentos de protagonizar algumas canções ao longo do show.

A banda toda é de tirar o chapéu, o vocalista e compositor principal da banda Tobias Sammet, canta com uma técnica impecável, e que mesmo após tantos anos de carreira e tantos shows sua voz continua potente e linda. A dupla de guitarras Sascha Paeth (co-compositor e produtor) e Oliver Hartmann, demonstra uma sintonia incrível, entre solos, riffs e melodias os dois se divertem e são a dupla de guitarras ideal para o Avantasia. Na cozinha temos Felix Bonkhe na bateria e André Neygenfind no baixo, que fazem a banda soar mais potente ao vivo e bastante segura. É a vez na história do Avantasia que André toca com a banda, e a combinação foi épica. Miro nos teclados faz com que toda orquestração presente nos álbuns do Avantasia soem perfeitas e bem fiéis as gravações de estúdio. O time de vocalistas convidados completam as músicas e partes vocais junto de Tobias Sammet, fazendo com que a banda soe, com toda a certeza do mundo, uma das melhores bandas ao vivo da história.

A música escolhida para abrir a setlist foi a "Spectres", a primeira faixa do The Mystery of Time, cantada apenas por Tobias Sammet, apesar de na versão original o microfone também ter sido passado a Joe Lynn Turner (Rainbow, Deep Purple), que não participou da turnê. Em seguida, Sammet e Oliver são as vozes de "Watchmaker's Dream", também do novo álbum e também cantada primeiramente por Turner.

A terceira música é um clássico resgatado do EP Lost in Space Part I, lançado em 2007. Em "The Story Ain't Over", Sammet divide os holofotes com Bob Catley, o carismático bom-velhinho do Avantasia, e Amanda Sommerville. A seguir, Catley cumprimenta a plateia brevemente, e ele e Tobias seguem mais uma vez para o dueto com a música "The Great Mystery", peculiarmente colocada no início da setlist, pois se trata do grand finale do The Mystery of Time.

Como se pudesse prever o que viria a seguir, o público começou a gritar pelo nome de Kiske pouco antes de ele próprio entrar no palco para cantar "Reach Out for the Light" com Tobias. Ovacionado pela plateia, ele avisa "não é só Kiske... É Avantasia", porém Tobias responde prontamente "mas também é Michael Kiske!", e dessa vez os gritos dos fãs clamaram o seu nome. O líder do Avantasia aproveitou a oportunidade para contar que foi Kiske quem o trouxe para o metal, pois ele era um grande fã de Helloween em sua infância. Após cantarem juntos "Breaking Away", Tobias já se mostrava emocionado com a energia do público brasileiro: "absolutamente fantástico... Sempre que viemos a São Paulo, vocês são absolutamente fantásticos!"

A única voz da próxima música, "Scales of Justice", foi uma novidade para os fãs do projeto de Sammet. Thomas Rettke já trabalha com os backing vocals de Avantasia e do Edguy há alguns anos, porém, como disse Tobias, já estava na hora de ele mostrar que também é um bom vocalista solo. Além de Tobias Sammet, Rettke foi a única voz que cantou sozinha durante o concerto e, sem qualquer sombra de dúvida, fez jus à música originalmente cantada por Tim "Ripper" Owens (Judas Priest, Iced Earth).

 E mais um rosto novo surgiu no palco do Avantasia: Eric Martin, cuja primeira aparição na metal ópera de Tobias foi com o álbum The Mystery of Time. Junto a Sammet, cantou a primeira balada do show: "What's Left of Me", a faixa que já haviam cantado juntos no álbum lançado em 2013. Tipicamente um cantor de hard rock, Martin se mostrou lascivo e brincalhão em palco, sendo dos membros do Avantasia quem mais interagiu com o público durante todo o show.

Após a canção, ele pediu para levantarem as mãos para contar o número de homens e mulheres na plateia, e falou um pouco sobre seu tempo de estrada, tanto com o Avantasia como também com outros projetos e bandas. Em suas próprias palavras: "sabem... Eu não sou mais um virgem", ao que Amanda respondeu com um sonoro "não é minha culpa!". Após trocarem brincadeiras e arrancarem risadas do público, Tobias e Eric cantaram "Promised Land", com alguns resvalos e erros na letra, mas sem maiores problemas.

"Scarecrow", música homônima a um dos melhores álbuns do Avantasia, foi um dos momentos mais memoráveis do show de São Paulo. Não foi cantada somente por Amanda, Tobias e Oliver, mas sim por todas as 4.800 pessoas que compunham o público do HSBC. A música teve o solo prolongado por Oliver e Sascha por alguns escassos e preciosos minutos em que os instrumentistas poderiam sair da sombra dos poderosos vocalistas do projeto.

Tobias nunca escondeu o seu apreço pelo Brasil e pelos fãs brasileiros ("Lavatory Love Machine" está aí para provar isso!), e no sábado o frontman do Avantasia e do Edguy parecia novamente cativado pelo entusiasmo do público local. "Eu tenho um pressentimento que vocês, São Paulo, são os melhores e mais barulhentos fãs de heavy metal do mundo!", gritou Sammet, "vamos tocar uma canção rápida para vocês agora!"

Catley e Kiske se juntaram a Tobias no palco para cantar "Shelter from the Rain", também do álbum The Scarecrow. Mais uma vez, Kiske errou a letra dessa música (será bloqueio?) e começou a rir, porém o público não pareceu se importar. Com a letra certa ou não, estamos falando de Michael Kiske, o homem do super gogó. A mera oportunidade de ouvi-lo ao vivo foi suficiente para levar à loucura os headbangers que berravam a plenos pulmões "olê, olê, olê, Kiske, Kiske!". Tobias Sammet não poderia ter acertado mais em cheio quando decidiu convidá-lo a participar do Avantasia.

O palco se esvaziou momentaneamente. Apenas Tobias, Bob e Miro permaneceram, e todos já sabiam que se repetiria a excelente performance de "In Quest For", do álbum The Metal Opera Part II, vista em São Paulo no show de 2010. Pouco se ouviu do nome de Bob Catley na plateia durante o show, porém o "maestro" (com sua mãozinha nervosa enquanto canta) foi, como de praxe, uma das vozes-destaque da noite. No auge dos seus 65 anos, o vocalista do Magnum ainda mantém sua voz em um timbre potente, intenso e cativante.

A simplicidade suave e melodiosa de "In Quest For" foi substituída por um palco mais uma vez cheio e enérgico para "The Wicked Symphony", cantada por Bob, Tobias, Thomas e Amanda. O setlist escolhido dançou por todos os álbuns e estilos de músicas do Avantasia, elaborado minuciosamente para agradar a todos presentes dentro do HSBC. Como o próprio Tobias disse, "não vamos para casa até cada um de você estar completamente feliz e satisfeito".

E isso se provou mais uma vez verdade quando, para os fãs das baladas mais pop do projeto como "Carry Me Over" e "Sleepwalking", Tobias cantou sozinho "Lost in Space". Corrigindo, não sozinho... Apesar de ser uma das faixas do Avantasia que os fãs adoram colocar defeito, todos os presentes sabiam a letra da música de cor, e uniram suas vozes à de Tobias do início ao fim.

De volta às músicas do álbum da turnê presente, Eric retorna ao palco para a épica "Savior of the Clockwork", junto a Tobias, originalmente cantada nas vozes do quarteto Kiske, Tobias, Joe Lynn Turner e Biff Byford (Saxon). Já "Stargazers", do álbum Angel of Babylon, lançado em 2010 é uma música que foi reduzido seu número de vocalistas: na versão de estúdio, ouvem-se as vozes de Jørn Lande, Russell Allen, Oliver, Tobias e Kiske, enquanto no show em São Paulo a música foi interpretada apenas por Oliver, Thomas e Kiske. O que foi peculiar durante essa faixa em específico foi que, embora cada um dos cantores interpretasse a voz de um dos ausentes na música individualmente, foi necessário unir as três vozes para substituir a penetrante voz do norueguês Jørn Lande, que infelizmente não pôde estar presente nessa turnê do Avantasia.

Eric Martin retorna ao palco para provocar o baixista André Neygenfind, pedindo para a plateia gritar "fuck you, André". Após, apresentou brevemente os homens por trás das cordas - André e os guitarristas Sascha e Oliver, e introduziu a música que cantaria a seguir com Tobias e Amanda: "Twisted Mind", faixa de abertura do álbum The Scarecrow. Ela teria também funcionado perfeitamente no início ou no final da setlist, por possuir uma distorção que lhe concede mais força e a torna mais pesada, ainda que não seja a mais acelerada das canções de Tobias.

Ao invés de seguirem direto para a próxima música, Eric e Tobias improvisam uma paródia teatral cômica com ares de tragédia grega, arrancando risadas do público. Depois, Tobias tentou assumir um tom mais sério para avisar aos fãs de que o tempo de show está se esgotando, porém o microfone foi prontamente roubado por Eric: "nas palavras de Shakespeare, foda-se!", disse o vocalista do Mr. Big, que complementou dizendo que não tinha certeza se fora Shakespeare quem dissera aquilo, mas tinha certeza que alguém que tinha "Spear" no nome, possivelmente Britney Spears.

A música que veio a seguir é uma das mais famosas do Avantasia, e por um motivo compreensível: a voz convidada a fazer dueto com Tobias, na gravação original, é ninguém menos do que Klaus Meine (Scorpions). "Dying for an Angel", do álbum The Wicked Symphony, contou com a voz de Eric Martin para substituir Meine que, com sua interpretação despojada e sempre entusiasmada, conquistou até mesmo os fãs que ainda acreditavam que um cantor de hard rock não teria espaço em uma metal ópera.

As luzes se apagaram e o palco foi deixado vazio para que os fãs gritassem por bis... No entanto, São Paulo fez melhor do que isso. Os fãs de Avantasia estavam determinados a provar que, como o próprio Tobias havia dito, eram os melhores fãs de metal do mundo. Em uníssono, um coro de quatro mil e oitocentas cabeças começou a cantar várias vezes seguidas o refrão da música "Avantasia". Não tardou até que Tobias retornasse ao palco, visivelmente cativado com o público brasileiro. "Sabem, vocês fazem isso melhor do que nós mesmos", disse com um sorriso genuinamente satisfeito, "suponho que queiram mais uma música?"

A "mais uma música" de Tobias acabou se estendendo mais quatro, fechando o repertório da noite com 22 músicas, um dos maiores shows da The Mystery World Tour até então. A banda voltou ao palco para a clássica "Farewell", do The Metal Opera Part I. Como sempre, essa música foi um dos pontos altos do show, e se ouviu todo o HSBC unir suas vozes às de Kiske, Tobias e Amanda em um dos refrães mais marcantes do Avantasia.

Tobias contém os gritos do público de São Paulo momentaneamente para falar, mais uma vez sobre como Michael Kiske inspirou a cantar, e o quão importante a presença dele é para o Avantasia. O ex-Helloween responde comentando sobre como ninguém havia tido a ideia ou sequer acreditava na ideia de uma metal ópera quando Tobias iniciou o projeto Avantasia, em 1999. "Eu estive fora do mundo da música por 17 anos, e foi ele quem me trouxe de volta aos palcos", disse Michael, "ele não é só um grande cantor, ele não é só um grande compositor. Ele tem uma grande alma, sempre quer que todos estejam o melhor possível. Sabe o que é isso, Tobi? Personalidade". Tobias Sammet e Michael Kiske se abraçaram e uniram suas vozes para cantar "Avantasia", a música que o público clamou durante o bis.

O líder do Avantasia pergunta se os fãs de São Paulo são corajosos o suficiente e estão acordados o suficiente para enfrentar a maior música do Avantasia, e todos já sabiam que se tratava de "The Seven Angels" antes mesmo de Tobias anunciar a música. Ela foi tocada em sua versão completa, com cerca de 14 minutos de duração, e cantada por Tobias, Thomas, Amanda e Kiske no lugar de André Matos (Angra, Shaaman).

Se Tobias Sammet não dissesse que aquela poderia ser a última turnê do Avantasia, os fãs poderiam começar a desconfiar que se tratava de um impostor. "não estou dizendo não", alerta o líder do projeto, "mas se houver, com certeza voltaremos a São Paulo!". E surpreendendo quem acreditou que não haveria mais nenhuma música depois da eterna "The Seven Angels", o palco se encheu com todos os membros da metal ópera para cantar "Sign of the Cross". A música foi interrompida logo no início e Tobias apresentou um por um dos instrumentistas e vocalistas presentes na The Mystery World Tour. Terminadas as apresentações, a música continuou, a única performance em todo o show em que todos os cantores participaram juntos com um desempenho majestoso que não deixou dúvidas que aquele momento foi preparado para ser o mais épico dos desfechos.

Após três grandiosas horas de show, era 01h05 da manhã quando a banda se reuniu abraçada ao palco para se despedir de uma São Paulo extasiada ao som do finale "Cry Just a Little". Senhoras e senhores, eis narrado inteiramente nada menos do que o maior show do ano. Não importa se você não conhece muito bem Avantasia, não importa sequer se você não curte power. Se você é fã de metal, pouco importa o estilo que você prefere, deve passar por um show do Avantasia em sua vida. A todos que não tiveram a oportunidade de comparecer nesse grande espetáculo, sugiro veementemente que comecem a economizar suas moedinhas para o próximo, se houver. Ver o Avantasia ao vivo é uma experiência que te marca para o resto da vida.

Avantasia: informações sobre o show em São Paulo

quarta-feira, 12 de junho de 2013


Um grande evento para os fãs de power metal se aproxima. No último sábado deste mês (29/6), em São Paulo, a casa HSBC Brasil e a produtora Free Pass vão presentar os headbangers de todo o Brasil com um único show do projeto Avantasia.  Após três anos de inatividades desde o lançamento de Angel of Babylon, a metal opera capitaneada por Tobias Sammet retorna ao mundo da música com o álbum conceitual The Mistery of Time, lançado em março deste ano.

O chamado The Mystery World Tour tem como premissa ser a turnê mais grandiosa já realizada pelo projeto de Sammet. Nas palavras do próprio vocalista: "quero que seja o maior espetáculo que você já viu, quero trazer mais vocalistas, fazer shows maiores, torná-lo uma gigantesca ópera rock. Para abranger todas as eras e histórias do projeto, esses concertos serão mais extensos, e a noite será inteiramente dedicada ao Avantasia, sem nenhum ato de apoio adicional”.

A equipe de instrumentistas que acompanhará Tobias Sammet neste ano é composta por Sascha Paeth (Heaven's Gate) e Oliver Hartmann (At Vance) nas guitarras, Felix Bohnke (Edguy) na bateria, Michael "Miro" Rodenberg (Heaven's Gate, Rhapsody of Fire, Luca Turilli) no teclado e André Neygenfind (Groove Galaxi), que divide o baixo com o mentor do projeto. Os cantores que farão parte da turnê serão, em geral, veteranos do Avantasia. São Paulo ouvirá de perto as vozes de Michael Kiske (Helloween, Unisonic), Eric Martin (Mr. Big), Amanda Somerville (Trillium), Bob Catley (Magnum) e Thomas Rettke (Heaven's Gate). Ronnie Atkins (Pretty Maids) também participará da turnê, porém não se apresentará nos países da América do Sul e no festival Bloodstock Open Air, no Reino Unido.

The Mystery World Tour já está na estrada desde abril, e a jornada que começou na cidade de Mons, na Bélgica, se estende por mais de dez países antes de fazer sua apresentação única em terras brasileiras. A turnê passará por vinte países até agosto, com passagem por mais de cinco festivais de música. Após completar o primeiro ciclo de shows na Europa, Tobias Sammet e sua equipe passarão, além do Brasil, pela Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Canadá, seguindo para uma apresentação única no Japão e, por fim, retorna à Europa para mais cinco apresentações.

O show em São Paulo já está com ingressos esgotados em quase todos os setores, porém aos atrasados ainda é possível garantir sua entrada apenas para a pista VIP no Ingresso Rápido, pelo valor de R$ 360 (lembrando que meia entrada de estudante é válida apenas para estudantes do estado de São Paulo). A faixa etária do evento será de 14 anos e a abertura da casa acontecerá às 20h, estimando-se que o show começará às 22h e terá cerca de três horas de duração.

E enquanto o grande dia não chega, o All That Metal preparou uma matéria especial para vocês relembrarem a trajetória desse grande projeto de Tobias Sammet. Shall we?

O surgimento da metal opera

O projeto Avantasia surgiu na primavera de 1999, durante o Theater of Salvation Tour, do Edguy, banda original de Tobias Sammet. O baixista e vocalista criou o conceito de metal opera, com seus músicos convidados em álbuns conceituais de caráter épico, que seria repetido por diversos outros artistas anos mais tarde. Segundo Sammet, o nome Avantasia surgiu da junção das palavras Avalon (ilha lendária das crônicas arturianas) e Fantasia (do livro alemão “A História Sem Fim”).

Durante dois anos, Tobias Sammet se focou em compor as músicas, escrever a história e recrutar músicos de peso para o álbum de estreia de seu ambicioso projeto. Assim, em janeiro de 2001, foi lançado o single homônimo ao nome do projeto. Um ano e nove meses mais tarde, eram lançados os The Metal Opera Part I e Part II, que já apresentavam logo de início grandes vozes como Sharon den Adel (Within Temptation), André Matos (Angra, Shaaman), Michael Kiske (Helloween, Unisonic), entre outros.

The Wicked Trilogy

O sucesso dos dois primeiros trabalhos do supergrupo foi tanto que não tardou que os fãs começassem a se questionar se Tobias estaria trabalhando em um novo álbum. Em 2006, ele finalmente quebrou o silêncio e confirmou que mantinha o projeto Avantasia ativo e que estava, de fato, escrevendo e compondo uma nova história.

Em novembro do ano seguinte, foram lançados os EPs Lost in Space Part I e Part II que mantiveram o mesmo nível de seus convidados dos primeiros álbuns do projeto: foram introduzidos Jorn Lande e Amanda Sommerville, além do retorno dos poderosos gogós de Kiske e Catley. Dois meses mais tarde, seria lançado The Scarecrow, a primeira parte da trilogia chamada The Wicked Trilogy. Além de o álbum incluir as participações especiais de nomes como o baterista Eric Singer (Kiss) e Alice Cooper (dispensa apresentações, né?), foi durante esse período em que o guitarrista e produtor Sasch Paeth ingressou na banda como membro fixo.


No final de 2009, Tobias anunciou que estava trabalhando nos dois álbuns que fechariam o arco iniciado em The Scarecrow. Em abril do ano seguinte, foram lançados juntos os álbuns The Wicked Symphony e Angel of Babylon. A trilogia foi o maior sucesso comercial do Avantasia, e The Scarecrow foi o primeiro álbum a entrar para o Music Charts, em 2008, e se manteve por 28 semanas em nove listagens diferentes. The Wicked Symphony, por sua vez, se manteve por 27 semanas em oito listagens, e o Angel of Babylon se manteve por apenas uma semana no Sweden Albums Top 60.



A Ópera Voadora

Com o lançamento de The Scarecrow, o Avantasia foi convidado a participar do Wacken Open Air. O que seria apenas um show em um festival se estendeu a uma turnê de 13 shows durante o verão europeu de 2008. Em março de 2011, foi lançado o DVD The Flying Opera, cujo conteúdo inclui dois shows apresentados no Wacken e no festival Masters of Rock.


Em 2010, o projeto de Sammet se pôs na estrada outra vez em uma turnê de 12 shows que passou pela Europa, Ásia e América do Sul. A turnê foi um sucesso, e a maioria das apresentações esgotaram os ingressos à venda rapidamente. Para conhecer um pouco mais sobre essas duas turnês além do que está no DVD, no canal do YouTube de Amanda Sommerville há vários vídeos sobre o tempo em que ela passou na estrada com o resto da equipe do Avantasia.



O retorno de Avantasia

Como o próprio Tobias Sammet havia anunciado, o projeto Avantasia deveria ter encontrado seu fim em 2011. "Eu sabia que já havia dito tudo o que poderia ter dito em nome do Avantasia", disse o vocalista quando revelou ao mundo que não voltaria a gravar mais álbuns com sua metal ópera. Logicamente, Tobias percebeu que aquela provavelmente não era a melhor ideia que ele já teve, e o resultado disso se tornou o álbum The Mystery of Time, lançado em março de 2013.

Trata-se do primeiro álbum conceitual cuja história não terá continuações, além de ser o primeiro a ser inteiramente orquestrado, pela German Film Orchestra Babelsberg, da cidade de Potsdam. Os membros convidados presentes nesse álbum são os instrumentistas Russell Gilbrook, Bruce Kulick, Oliver Hartmann e Arjen Anthony Lucassen, enquanto os cantores são Joe Lynn Turner, Biff Byford, Michael Kiske, Ronnie Atkins, Eric Martin, Bob Catley e Cloudy Yang.



O que podemos esperar do show

O All That Metal organizou uma possível setlist para o show de São Paulo, baseada nas estatísticas do Setlist.fm e nas setlists dos shows anteriores do The Mystery World Tour, que podem ser vistas no Kiske Fan Club. Eis nosso palpite:

01. Intro: Also Sprach Zarathustra (A Space Odyssey soundtrack)
02. Invoke the Machine
03. Spectres
04. Black Orchid
05. Reach Out for the Light
06. Breaking Away
07. The Great Mystery
08. The Story Ain't Over
09. Scale of Justice
10. What’s Left On Me
11. Promised Land
12. Sleepwalking
13. The Scarecrow
14. Farewell
15. Shelter From the Rain
16. Lost in Space
17. Dying for an Angel
19. The Seven Angels
20. The Sign of the Cross

Review de CD: Avantasia - The Mistery of Time

segunda-feira, 20 de maio de 2013


The Mystery of Time marca o retorno de Avantasia após três anos sem atividades em um álbum conceitual que conta a história de Aaron Blackwell. O jovem cientista agnóstico da era vitoriana é forçado a rever suas crenças e convicções profissionais conforme é obrigado a explorar as conexões entre o tempo, a ciência e Deus. A narrativa se divide entre doze faixas, sendo duas delas bônus, que colocam em destaque essa questão fundamental da humanidade entre ciência e fé.

Logo em "Spectres", a música de abertura do álbum, somos apresentados a uma nova voz no Avantasia, que no mundo do rock é um velho conhecido: trata-se de Joe Lynn Turner (Rainbow, Deep Purple, Yngwie Malmsteen). Turner também está presente na segunda faixa, "The Watchmakers' Dream", junto com o guitarrista Arjen Anthony Lucassen (Ayreon, Star One), em que a velocidade toma lugar da orquestra presente em "Spectres", e a força da sua interpretação no início dessa música é um dos pontos memoráveis do Mystery.

Em seguida, temos provavelmente a faixa mais popular do álbum, "Black Orchid", com Biff Byford (Saxon), outro calouro do projeto. É uma música que equilibra o sinfônico que o idealizador Tobias Sammet tanto adora com traços de heavy metal mais cru, o que gerou uma combinação interessante. Byford também canta com Sammet, Turner e Michael Kiske (Helloween, Unisonic) na faixa chamada "Savior in the Clockwork", uma das melhores do disco, além de a mais longa, com cerca de dez minutos de duração.

"Where Clock Hands Freeze", assim como "Dweller in a Dream", são as duas músicas desse álbum que fazem dueto entre Kiske e Tobias Sammet, duas vozes dentro do metal que já provaram casar perfeitamente em canções anteriores. Especialmente em "Where Clock Hands Freeze", Michael Kiske se sobressai para não deixar dúvidas de quem é a melhor performance em Mistery of Time com um agudo de causar inveja - sem falsete nem nada.

Um dos momentos mais pesados do álbum é a "Invoke The Machine", com Ronnie Atkins (Pretty Maids) e o guitarrista Oliver Hartmann, que também compôs a faixa "Where Clock Hands Freeze". Com um início agressivo, vocais rasgados e um refrão cheio de força, é o tipo de música que se encaixaria perfeitamente no topo da setlist dos shows do Avantasia nas próximas turnês.

Há apenas duas baladas em The Mystery of Time, o que para um álbum de metal é um número mais do que suficiente. No entanto, Tobias Sammet pisou na bola mais uma vez. Pra quem ainda não superou o trauma de "Carry Me Over", recomendo nem tentar ouvir "Sleepwalking", dueto enjoativamente pop que Tobias fez com a cantora alemã Cloudy Yang. Em "What's Left Of Me", Sammet compensou o erro da outra faixa, e ele e Eric Eric Martin (Mr. Big, Tak Matsumoto Group) conseguiram captar toda a agonia da letra em vocais limpos, porém densos.

"The Great Mystery" é, com toda a certeza, a música mais interessante do álbum. Com a presença do guitarrista Bruce Kulick (Alice Cooper, Lordi, Kiss), que também tocou nas faixas "Savior in the Clockwork" e "Black Orchid", e dos vocais de Bob Catley (Magnum), Joe Lynn Turner e Biff Byford, ela é inconstante, épica, muito orquestrada e com momentos bastante bem pesados. Todas as canções do Mystery of Time, uma a uma, evoluem sutilmente até chegarem a esse ponto, e a "The Great Mystery" seria o grand finale a fechar o álbum com chave de ouro.

Pela primeira vez em muito tempo, Tobias Sammet fez um álbum com uma história fechada, isto é, sem continuações ou discos sucessores, como no caso do Metal Opera I e II. Alguns podem ver isso como um retrocesso ou falta de ambição se comparado aos trabalhos anteriores do projeto musical alemão, porém é inegável o amadurecimento de Avantasia em relação à temática de sua narrativa e da evolução de seu instrumental desde o álbum Angel of Babylon.

Além dos artistas já citados acima, também participaram da composição The Mistery of Time o guitarrista, baixista e produtor Sascha Paeth, o tecladista Miro (Michael Rodenberg) e o baterista Russel Gilbrook. A orquestra que trabalhou com o Avantasia nesse álbum foi a Deutsches Filmorchester Babelsberg, da cidade de Postdam, na Alemanha, que já havia trabalhado com o Edguy no álbum Hellfire Club.


Tracklist:

1 - Spectres
2 - The Watchmaker's Dream
3 - Black Orchid
4 - Where Clock Hands Freeze
5 - Sleepwalking
6 - Savior in the Clockwork
7 - Invoke the Machine
8 - What's Left of Me
9 - Dweller in a Dream
10 - The Great Mystery

Bônus:
11 - The Cross and You
12 - Death is Just a Feeling (Versão Alternativa)


Nota: 4,5