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Sebastian Bach: carreira solo

terça-feira, 17 de setembro de 2013



Faltam poucos dias para a vindoura apresentação de Sebastian Bach em São Leopoldo. Preparamos um post especial abordando toda a sua carreira pós-Skid Row como aquecimento para os nossos leitores. Se você ainda não adquiriu o seu ingresso, CLIQUE AQUI e confira todos os detalhes sobre este show que promete ser um dos melhores do ano em terras gaúchas. 

Qual banda não gostaria de abrir para o Kiss? Aparentemente, isso não era algo desejado pelo Skid Row em meados da década de 90. Em 1995, o grupo havia lançado "Subhuman Race", terceiro álbum de estúdio de uma banda que viveu o auge de sua carreira poucos anos antes. A verdade é que o disco não chegava nem perto do padrão de qualidade apresentado no debut autointitulado e no clássico "Slave To The Grind". Para piorar a situação, algumas tensões começaram a surgir entre Sebastian Bach e o resto da banda. Após a performance vergonhosa em São Paulo, abrindo para o Iron Maiden no Monsters Of Rock, surgiu uma ótima oportunidade para o Skid Row abrir um dos shows do Kiss durante sua turnê de reunião com Ace Frehley e Peter Criss. Bach agendou a apresentação sem o consentimento dos outros companheiros de banda, que não gostaram nem um pouco disso por acreditarem que o Skid Row era grande demais para abrir um show do Kiss.

"Você nunca é grande demais para abrir para o Kiss" - foi a mensagem deixada por Bach na secretária eletrônica de um ex-companheiro de Skid Row e, consequentemente, o início de sua carreira fora da banda. Seu primeiro passo foi juntar alguns músicos para formar um novo grupo, chamado The Last Hard Men. A nova banda de Bach contava com os guitarristas Jimmy Flemion (Frogs), Kelley Deal (The Breeders) e Jimmy Chamberlin (Smashing Pumpkins). O The Last Hard Men gravou apenas um álbum autointitulado para a Atlantic Records, que acabou optando por não lançar o material. O disco só viu a luz do dia em 1998, quando Deal decidiu lança-lo através de seu próprio selo, o Nice Records, com uma prensagem limitada de mil cópias.

BRING 'EM BACH ALIVE


Logo após a dissolução do The Last Hard Men, Bach deu início à sua carreira solo propriamente dita. Inicialmente, o vocalista gravou algumas composições novas e realizou uma curta turnê pelo Japão em 1999. A apresentação em Tokyo foi registrada e, junto das faixas inéditas, lançado em novembro do mesmo ano em um álbum chamado "Bring 'Em Bach Alive". O registro é composto por 5 faixas inéditas gravadas em estúdio com a participação de diversos músicos, além de 11 canções do show em Tokyo. Todas as faixas ao vivo são músicas originalmente lançadas pelo Skid Row, sendo a única exceção "The Most Powerful Man In The World", presente no único disco do The Last Hard Men.

Apesar de ser um álbum pouco lembrado na carreira de Bach, "Bring 'Em Bach Alive" é um trabalho essencial para os fãs do ex-Skid Row. As composições novas mostram um pouco da versatilidade de Bach, algo que não foi tão explorado por ele nos anos à frente de sua antiga banda. "Rock 'N' Roll", a faixa de abertura, é praticamente uma declaração de que ele não iria parar de fazer a música que ama nessa nova fase de sua carreira, além de soar muito semelhante ao que ele fazia no Skid Row. Temos ainda o contraste da pesada "Done Bleeding", seguida da faixa acústica "Superjeck, Superstar, Supertears". Já a canção "Blasphemer" é direta ao ponto de soar como Punk Rock, sendo seguida por mais uma faixa de muito peso denominada "Counterpunch", deixando claro que a carreira solo de Bach prometia ser promissora.



Quanto às faixas ao vivo, a verdade é que elas não ficam devendo em nada para as performances do Skid Row em seus anos de glória. Alguns dos grandes clássicos da banda estão presentes: "Riot Act", "Slave To The Grind", Mudkicker" e, obviamente, as obrigatórias "18 & Life", "I Remember You" e "Youth Gone Wild". Vale destacar também a presença de "Frozen" e de "Subhuman Race", que no álbum ao vivo está soando muito melhor que a versão de estúdio do Skid Row. O grande momento do álbum é execução de "Monkey Business", tocada em um medley com "Godzilla", clássico do Blue Oyster Cult.

Um fato curioso que poucos sabem a respeito de "Bring 'Em Bach Alive", é que existe uma versão diferente do álbum que foi lançada apenas no Japão. Na edição japonesa, quase todas as faixas de estúdio foram excluídas e outras 3 canções do Skid Row foram acrescentadas: "Here I Am", "Sweet Little Sister" e "Get The Fuck Out". Essa versão japonesa do álbum é difícil de encontrar até pela internet, sendo um dos itens mais desejados dos fãs de Bach. 



 BACH 2: BASICS


Em 2001, chegou as lojas o segundo disco de estúdio da carreira solo de Sebastian Bach. Na verdade, o novo álbum não tem nenhuma novidade, pois era apenas um apanhado de covers gravados pelo vocalista para diversos tributos. Em boa parte são bandas que de uma maneira ou outra influenciaram Bach ao longo de sua carreira. Mas o álbum está muito longe de ser dispensável e é muito válido para quem quer conhecer um lado diferente do vocalista, que mais uma vez se destaca pela versatilidade ao usar a voz que tornou seu nome mundialmente conhecido. 

"Bach 2: Basics" tem início com nada menos que 3 covers de Ozzy Osbourne: "I Don't Know", "Crazy Train" e "Believer". Por incrível que pareça, todos eles soam ótimos na voz de Bach, com destaque especial para "Believer". O petardo ainda conta com homenagens a bandas como Iron Maiden ("Children Of The Damned"), Rush ("Working Man" e "Jacob's Ladder"), AC/DC ("T.N.T." e "Little Lover") e Rod Stewart ("Tonight's the Night"). Ainda temos dois mega clássicos do Led Zeppelin, "Communication Breakdown" e "Immigrant Song", com uma ótima performance de Bach em ambas as canções.



É óbvio que não poderia faltar alguma coisa do Kiss, que marca presença em "Bach 2: Basics" com três faixas. Primeiro nós temos "Rock Bottom", do clássico disco "Dressed To Kill", de 1975. O cover seguinte é "Shock Me", presente em "Love Gun" (de 1977), canção imortalizada na voz de Ace Frehley e que contou com a participação de Rob Affuso, ex-baterista do Skid Row. Curiosamente, Bach escolheu mais uma canção cantada por Frehley para homenagear o Kiss, "Save Your Love", faixa de encerramento do polêmico álbum "Dynasty", de 1979. 

Ainda temos dois momentos curiosos em "Bach 2: Basics", sendo um deles um medley com duas canções do Hanoi Rocks, "Motorvatin'" e "Fallen Star". Um ano antes do lançamento do disco, Bach havia começado a cantar em musicais da Broadway (assunto que será abordado em um post futuro) e optou por um incluir uma faixa ao vivo de uma apresentação. A canção chama-se "This Is The Moment" e integra o musical Jekyll & Hyde, que marcou a estreia de Bach na Broadway direto com o papel principal. Apesar da qualidade da gravação não ser muito boa, fica a dica para estudantes de canto que estão lendo a matéria: escutem essa faixa! Musicais não são algo para qualquer um cantar e Bach faz uma perfomance realmente impressionante na canção.



ANGEL DOWN


Ao longo dos anos seguintes, Bach dedicou-se a uma infinidade de outros projetos. Participou de mais musicais da Broadway, esteve em reality shows e fez até mesmo participações como ator em algumas séries de TV nos Estados Unidos. Mas as apresentações de sua carreira solo não pararam e ele esteve até mesmo no Brasil em 2005, além de abrir shows para o Guns N' Roses no ano seguinte. Aos poucos, ele foi trabalhando em cima de um novo álbum de estúdio, lançado em 20 de novembro de 2007 com o título de "Angel Down". Vale lembrar que Bach não lançava um álbum composto inteiramente de músicas inéditas desde o The Last Hard Men, ou seja, foram 9 anos de espera.

Nas palavras de Paul Cashmere, da revista Undercover, "o álbum de Metal do ano, se não do século XXI até o momento". Não! O jornalista em questão não está exagerando, "Angel Down" é um álbum espetacular! Particularmente, gosto muito de recomendar o disco para aqueles que relacionam Bach apenas ao seu período mais Hard Rock do trabalho de estreia do Skid Row. "Angel Down" está anos-luz distante do que Bach fazia em sua antiga banda, soando bem mais pesado e agressivo. No geral, o álbum apresenta uma grande variedade de influências, soando bem diversificado, mas ainda assim mantendo um padrão ao longo das faixas que tem o Heavy Metal tradicional como base. 



Para gravar "Angel Down", Bach chamou um time de peso para participar da composição e gravação do álbum. Sua banda contou com dois músicos que tocaram com Rob Halford, o guitarrista "Metal" Mike Chlasciak e o baterista Bobby Jarzombek. Para o baixo foi chamado ninguém menos que o lendário Steve DiGiorgio (Testament), além do guitarrista (e fiel escudeiro de Bach) Johnny Chromatic completando o time. Ainda temos o guitarrista Adam Albright tocando na faixa-título, escrita em uma parceria dele com Bach. A produção ficou a cargo de Roy Z, músico que ganhou reconhecimento internacional na cena produzindo e tocando em 3 álbuns de Bruce Dickinson nos anos 90 ("Balls To Picasso", "Accident Of Birth" e "The Chemical Wedding"), para depois produzir ainda bandas como Judas Priest, Helloween e Sepultura. Roy Z ainda co-escreveu 4 faixas do álbum com Bach e gravou linhas de guitarra nelas ("You Don't Understand", "Love Is a Bitchslap", "By Your Side" e "Our Love Is a Lie").

Mas de todos os músicos presentes no álbum, nenhuma participação chamou mais atenção do que a presença de Axl Rose em 3 faixas de "Angel Down". Após reestabelecerem uma amizade antiga em 2006, Bach convidou o polêmico vocalista do Guns N' Roses para participar do álbum com sua voz. Uma das faixas é, na verdade, um cover do Aerosmith, "Back In The Saddle", que soou ótima na voz de ambos. Ainda podemos escutar a voz de Axl em "(Love Is) A Bitchslap", que acabou virando um dos singles do trabalho, e "Stuck Inside", faixa escrita por Bach e Johnny Chromatic. 



Outros grandes destaques do álbum incluem a faixa "American Metalhead", originalmente gravada pelo Painmuseum (banda do guitarrista Metal Mike) e "Negative Light", canção realmente pesada escrita por Bach, Mike e DiGiorgio. O falecido pai de Bach, David Bierk é duplamente homenageado no disco: primeiro com a capa, que é um quadro pintado por ele e tatuado no braço de Bach por Kat Von D; e com a magnífica balada "By Your Side". O único ponto fraco de "Angel Down" é a outra balada presente nele, que encerra o trabalho, chamada "Falling Into You". Definitivamente, ela soa deslocada em relação ao resto das canções. Um fato curioso é que "Falling Into You" foi escrita por Bach em uma parceria com Desmond Child. Nunca ouviu falar nesse nome? Certamente você já escutou algo escrito por Child! Ele já colaborou com artistas dos mais diversos gêneros possíveis e é praticamente um 'hit maker'. Lembra do memorável riff de "I Was Made For Loving You", do Kiss? Pois é, foi ele quem escreveu!

"Angel Down" foi lançado através de uma parceria de Bach com a gravadora EMI, através de um selo administrado pelo próprio vocalista. Apesar disso, o álbum teve problemas na sua distribuição e acabou vendendo apenas 6.400 cópias em sua semana de lançamento nos Estados Unidos. Mas logo depois o trabalho passou a ter uma distribuição melhor e atingiu a marca de 200 mil cópias comercializadas em todo o mundo. O álbum alcançou apenas o 191º lugar do Top 200 da Billboard, mas ficou em 1º lugar na parada de Heatseekers, que registra os álbuns mais vendidos dentre os estreantes na lista da Billboard. 

Após o lançamento de "Angel Down", uma longa turnê sucedeu-se pelo mundo inteiro para promover o álbum, além de apresentar vários clássicos do Skid Row que sempre integram o repertório. Em maio de 2008, Bach realizou uma turnê pela Austrália, para logo depois percorrer a América do Norte ao lado de Dokken e Poison. Em 2009 abriu vários shows do Guns N' Roses durante a divulgação de "Chinese Democracy", incluindo mais uma passagem pelo Brasil. Enquanto todas essas turnês estavam rolando, Bach encontrou um tempo para escrever material novo ao lado de Jamey Jasta, vocalista do Hatebreed, para o que deveria ter sido o sucessor de "Angel Down". Infelizmente, nada mais foi dito sobre o trabalho que ambos estavam desenvolvendo, pois seria incrível ver ambos atuando juntos.

KICKING & SCREAMING


Bach teve alguns problemas com os músicos que estavam integrando sua banda solo e acabou trocando alguns, mantendo apenas Johnny e Bobby. Aparentemente, Metal Mike saiu da banda reclamando que não estava recebendo seu devido pagamento, fazendo com que Bach partisse em busca de um novo guitar hero para a sua banda. Um jovem rapaz chamou sua atenção com seus vídeos no You Tube. Seu nome era Nick Sterling e um certo dia Bach tentou entrar em contato com ele, mas Nick achou que se tratava de um trote e inicialmente ignorou os e-mails enviados pelo vocalista. Após descobrir que era o verdadeiro Sebastian Bach, aceitou o posto sem hesitar e começou a compor para o novo álbum de Bach. 

O segundo disco de estúdio totalmente composto por faixas inéditas teve seu nome anunciado em 15 de junho de 2011: "Kicking & Screaming". O álbum foi oficialmente lançado em 27 de setembro do mesmo ano, com um clipe da faixa título estreando no site da revista Revolver. Mais uma vez o lançamento teve uma ótima recepção por parte do público e da crítica especializada. Musicalmente, o novo álbum assemelha-se a "Angel Down" em alguns pontos, mas tem uma sonoridade própria e mostra que Bach não pretendia se repetir. Até porque, o grupo de músicos que trabalhou no petardo era bem diferente do álbum anterior.



Basicamente, "Kicking & Screaming" foi gravado apenas por 3 pessoas: Bach, Nick (que além das guitarras também gravou as linhas de baixo) e Bobby. A maior parte das composições foi assinada por Nick, inclusive a balada "I'm Alive" que acabou virando single e ganhou um videoclipe. Outra canção que virou single conta com uma participação especial: "Tunnelvision", escrita numa parceria de Bach com o guitarrista John 5 (Rob Zombie, ex-Marilyn Manson) e o produtor Bob Marlette. "Tunnelvision" é, provavelmente, o melhor momento do álbum e conta com ótimas linhas de guitarra de John 5, além de um solo sensacional. 

Outros momentos de destaque do álbum incluem canções como "My Own Worst Enemy" (ótimas melodias de guitarra), "Dance On Your Grave" (com seus momentos de peso convidando o ouvinte a banguear muito) e "Dirty Power" (refrão que gruda de primeira). Ainda temos "As Long As I Got The Music", possivelmente a canção que melhor define o álbum, daquelas músicas que marcam o resto da carreira de um músico. Certamente, uma música obrigatória em seus shows daqui pra frente. E, obviamente, não faltam boas baladas, como "Dream Forever", que estranhamente não virou single.



A turnê de "Kicking & Screaming" também marcou o retorno de Bach ao continente europeu após muitos anos sem realizar uma turnê por lá. A banda apresentou-se em alguns dos principais festivais de verão para grandes platéias, mais uma vez levando um repertório que misturava canções dos trabalhos solos e clássicos do Skid Row. Alguns shows foram gravados para posterior lançamento em um DVD e álbum ao vivo.

O álbum foi mundialmente aclamado, a banda estava tocando pelo mundo inteiro, ou seja, aparentemente tudo estava correndo bem. Mas alguns conflitos internos passaram a surgir, mais especificamente entre Bach e seu prodígio, Nick Sterling. Os problemas começaram pelo fato de Nick ter alguns problemas com álcool e não cumprir a exigência do vocalista de que nenhum integrante da banda deve beber antes das apresentações. A dependência etílica de Nick ia um pouco além disso: aparentemente ele participou de algum incidente envolvendo bebidas e má conduta no Canadá, o que impedia sua entrada no país. A gota d'água foi sua recusa em assinar um contrato de uso de imagem para uma apresentação em Los Angeles que seria filmada no Nokia Theatre, fazendo com que ele fosse demitido da banda. 

Apesar dos incidentes ao longo da turnê, um DVD/CD ao vivo chamado "ABachalypse Now" foi lançado contendo o registro de duas apresentações: o festival francês Hellfest e o show de Los Angeles sem Nick Sterling. O DVD ainda conta com parte do show no festival belga Graspop Metal Meeting, uma apresentação inusitada abaixo de muita chuva. Para mais detalhes sobre o lançamento, CLIQUE AQUI e confira o review postado no All That Metal. 



Atualmente, Bach está trabalhando em material para um próximo álbum de inéditas. A produção novamente ficou a cargo de Bob Marlette e algumas faixas contam com colaborações de John 5, Duff McKagan e Steve Stevens. Paralelamente a isso, sua banda segue realizando apresentações regulares, agora com o guitarrista Devin Bronson ocupando o posto deixado por Nick.







Review de show: Soulfly (28/08/2013 - Bar Opinião - Porto Alegre/RS)

sábado, 31 de agosto de 2013


Quando decidi criar o All That Metal, em setembro do ano passado, jamais poderia imaginar todas as consequências que isso poderia me trazer. Foi com muito esforço que conseguimos desenvolver um blog com conteúdo diferenciado, investindo em artigos e apoiando a cena underground, seguindo o caminho oposto das inúmeras páginas que resumem-se a postar notícias que você encontra em qualquer site da web. Toda a dedicação foi devidamente recompensada ao longo do tempo com reconhecimento do público e das bandas, o que nos proporcionou certas vantagens dentro da cena. Tais vantagens incluem escutar trabalhos das bandas antes mesmo do lançamento, entrevistar músicos que você admira e muitas outras coisas. Mas nada disso compara-se a oportunidade de fazer reviews de shows, pois é esse o momento mágico em que você pode ver seus ídolos em ação. Tudo isso e mais o fato deste ser o último review do ATM antes de completarmos um ano de atividades me fez tomar a liberdade de fazer um relato mais pessoal e detalhado do show do Soulfly, algo semelhante ao que vocês podem ler na matéria da passagem do Moonspell por terras gaúchas.

Quem acompanha o blog sabe que temos uma relação muito especial com a família Cavalera (clique aqui para mais detalhes). Como fã declarado do legado de Max Cavalera, a espera por uma apresentação em Porto Alegre foi longa, o que gerou um grande entusiasmo de minha parte quando foi anunciado o show do Soulfly na capital gaúcha. Infelizmente, não foi possível fazer um credenciamento para uma cobertura ideal do show, ou seja, não temos uma galeria de fotos como vocês estão acostumados a ver em nossos reviews. Mas para a minha surpresa, poucas horas antes do show fui informado por Gloria Cavalera que meu nome estava na lista de convidados da própria banda! Agora imagine você, fã de Max, Soulfly, Sepultura e fã apaixonado por Metal, a honra que é ser agraciado com esse "presente". Confesso que surgiu um orgulho muito grande, certamente o maior reconhecimento que já tive do meu trabalho no ATM.

A noite prometia ser longa e repleta de clássicos, daqueles que você cresceu escutando na sua adolescência em fitas K7 e decorou cada uma das letras. Acabei chegando tarde no Bar Opinião e perdi o show da Distraught, o que é uma pena por tratar-se de uma das minhas bandas nacionais favoritas e imagino o quão especial foi esse momento em sua história. Prometo que vamos remediar isso com uma matéria especial com a banda em breve. Pouco antes do Soufly subir no palco, o público já estava com sangue nos olhos, apenas aguardando a aparição de Max.

O próprio Pisca, produtor da turnê nacional, foi quem subiu no palco para dar início a contagem regressiva para o caos sonoro que seguiria-se pela próxima uma hora e meia. O Soulfly entrou no palco detonando tudo com "Plata O Plomo", do álbum "Enslaved" (de 2012), com Max mostrando todo seu poder como frontman ao fazer a platéia cantar a música do início ao fim. Na sequência já mandaram ver em "Prophecy", do álbum homônimo de 2004, abrindo o primeiro circle pit da noite e fazendo as paredes do Opinião tremer com o público cantando o refrão. Após o final brutal de "Prophecy", surge o som do berimbau nas caixas, era o momento do Soulfly tocar "Back To The Primitive". A trinca que deu início ao show já foi o suficiente para ganhar o público pelo resto da noite, que permaneceu empolgado do início ao fim da apresentação.

É óbvio que Max está muito longe de ser aquele frontman que todos lembram dos dias do Sepultura, mas quem assiste a banda ao vivo reconhece o motivo pela qual ele ainda é considerado uma das maiores lendas vivas do Metal. O tempo inteiro ele faz o público manter-se ativo, em uma troca de energia contínua entre os fãs e a banda. Falava de maneira breve entre as músicas do set list e até relembrou a vez em que o Sepultura tocou no mesmo local ao lado do Ramones, na década de 90. Marc Rizzo também chama a atenção com toda sua presença de palco e seu exímio talento como guitarrista, dono de um feeling e uma pegada totalmente únicos. O baixista Tony Campos também mostrou ter sido uma adição importante para a banda, em constante contato com o pessoal que estava na grade e contribuindo com os backing vocals. Ao contrário do que imaginávamos, Zyon, filho de Max, não assumiu as baquetas durante a turnê sul americana, cargo que ficou por conta de Kanky Lora (pseudônimo de Juan Carlos Lora), mandando muito bem em boa parte da apresentação.

O show continuou com "No Hope = No Fear", do primeiro álbum da banda, canção que foi seguida por "Seek 'N' Strike". Quem estava lá não vai esquecer tão cedo a cena do pessoal pulando ao som dessa faixa, incrivelmente épico! "I And I" veio na sequência, do meu álbum favorito da banda, "The Dark Ages". O trecho do meio da canção, antes do solo, foi tocado de uma maneira diferente da versão original do álbum. Particularmente, foi um dos meus momentos favoritos do show.

O momento seguinte foi o mais aguardado por vários dos que estavam presentes: "Refuse/Resist"! Nem sei quais as palavras certas para descrever isso, fãs de Sepultura sabem o quanto é empolgante escutar os clássicos da banda na voz de Max. O circle pit formado no meio da canção foi um dos mais violentos do show! Sem nem ao menos dar um tempo para o pessoal respirar, já deram início a outro clássico de "Chaos AD" e os fãs foram a loucura com "Territory". Se o show acabasse ali mesmo a noite já estava ótima. Mas não estávamos nem na metade ainda!

"Blood Fire War Hate" veio representando o excelente álbum "Conquer", lançado em 2008. Aliás, ao menos uma música de cada álbum do Soufly foi tocada, além dos clássicos obrigatórios do Sepultura, fazendo um apanhado geral da carreira de Max. A maior surpresa mesmo foi a faixa tocada logo a seguir, "Wasting Away", presente no primeiro e único disco do Nailbomb, projeto de Max ao lado de Alex Newport, lançado em 1994.

"Under Porto Alegre grey sky"... você sabe o que veio a seguir, certo? Isso mesmo, "Arise"! Certamente um dos momentos mais aguardados por muitos presentes. A faixa ainda foi emendada no tradicional medley com "Dead Embryonic Cells", gerando insanidade coletiva nos fãs, ainda mais no pessoal old school. Mais uma de "Dark Ages" foi tocada, "Frontlines", fazendo a galera manter o pique e mostrando o quanto os fãs recebem bem os trabalhos pós-Sepultura. E o álbum "Chaos AD" voltou a ser representado com "Propaganda". Ou seja, a partir daquele momento quem foi no show para escutar clássicos do Sepultura estava, no mínimo, muito próximo de sentir-se satisfeito com o ingresso comprado. Um breve trecho de "Walk", clássico do Pantera, ainda foi tocado ao final da canção.

A faixa que marcou a presença de "Omen", álbum de 2010, no repertório foi "Rise Of The Fallen". Mais uma boa prova da boa recepção dos fãs aos trabalhos do Soulfly foi o fato do pessoal ter cantado a plenos pulmões o refrão da canção. Algumas das linhas vocais que originalmente foram cantados por Greg Puciato (vocalista do The Dillinger Escape Plan) na versão de estúdio foram executadas por Tony. Max anunciou que a banda tocaria uma faixa de seu próximo álbum de estúdio, "Savages", que será lançado em breve pela Nuclear Blast, e convidou Ritchie Cavalera para juntar-se ao grupo no palco. Ritchie é enteado de Max e vocalista da banda Incite, além de já ter cantado em outros trabalhos do Soulfly e do Cavalera Conspiracy. Tocaram "Bloodshed", faixa que tem sido tocada com exclusividade na turnê sul americana do Soufly. Pela breve amostra que tivemos através de "Bloodshed" já dá pra saber que o próximo álbum vai ser mais uma porrada com muito peso, como tem sido nos últimos álbuns da banda.

A próxima canção é o maior hino da carreira do vocalista, "Roots Bloody Roots"! Obviamente, todos acompanharam Max cantando a música do início ao fim, fazendo da pista do Opinião um verdadeiro caos generalizado. Mais uma vez a banda já começa a mandar outro som de peso sem nem dar tempo do público parar, pois "Attitude" veio logo depois. Apenas uma ressalva sobre a execução dessa música: por mais que ela soe incrível ao vivo, nada pode-se comparar ao próprio Igor Cavalera tocando ela! A banda sai do palco com Max anunciando que se o público conseguisse fazer muito barulho eles voltariam para tocar mais, o que foi prontamente atendido por todos. O encore encerrou a noite com "Jumpdafuckup" e "Eye for an Eye", com direito a um breve trecho de "The Trooper", do Iron Maiden, tocado para finalizar de vez a apresentação.

Pouco antes do fim da apresentação, tive a oportunidade de bater um breve papo com Gloria, um momento realmente muito especial para mim. Sou um grande admirador de sua atitude e postura como profissional e tenho todo o respeito do mundo por essa mulher que manteve-se ao lado do homem que é o maior nome da história do Metal nacional. Além do mais, sempre tive orgulho do fato de ter sido com ela a primeira entrevista internacional realizada pelo ATM e desde então sempre mantemos contato. Foi um dos muitos momentos proporciados por esse blog que eu jamais vou esquecer, daqueles que fazem valer a pena todo o esforço desempenhado ao longo do primeiro ano de atividades. Só não foi perfeito porque não deu para ter contato direto com Max, pois ele saiu direto para a van que o levou até o hotel devido a apresentação do dia seguinte em Brasília.

No começo do texto comentei sobre as consequências que o ATM gerou ao longo do seu período de atividade. Há um ano atrás, jamais poderia imaginar que tudo isso seria possível! E agora posso afirmar que encerramos um ciclo na história do blog, concretizando isso através do reconhecimento de um bom trabalho pelos nossos próprios ídolos. Mas tudo isso é assunto para um próximo post que publicarei dia 14 de setembro. Algo especial como forma de agradecimento aos nossos leitores. Long live the tribe!

Set list:
Plata o Plomo
Prophecy
Back to the Primitive
No Hope = No Fear
Seek 'N' Strike
I and I
Refuse/Resist
Territory
Blood Fire War Hate
Wasting Away
Arise/Dead Embryonic Cells
Frontlines
Propaganda
Walk
Rise of the Fallen
Bloodshed
Roots Bloody Roots
Attitude
Jumpdafuckup
Eye for an Eye/The Trooper 

Para compensar o fato de que não foi possível incluir no review a tradicional galeria de imagens, fique com 3 vídeos em Full HD postados no Canal do Caveira


Entrevista: Kito Vallim (Hellarise, The Apple)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

 

por Caio Botrel

Kito Vallim é músico, compositor, vocalista e baixista e toca nas bandas Hellarise (death metal melódico) e na banda The Apple (rock n roll, hard rock, heavy metal). Kito começou seus primeiros contatos com a música aos 14 anos de idade começando a escrever letras, compor músicas etc. Nesta entrevista, Kito nos contou um pouco de como foi sua trajetória desde o ínico de sua carreira até agora ao entrar para uma banda que já tem certo renome aqui no Brasil e fora, a Hellarise. Fiquem aqui com esta entrevista divertida e com este grande músico!



ALL THAT METAL: Olá Kito Vallim, como vai?
KITO VALLIM:
Vou bem, Caio, e você? Quer tc? (risos)

ATM: Bom, você é o vocalista da banda The Apple e baixista da banda Hellarise, você poderia nos contar como você começou seus estudos em música, e qual foi o caminho trilhado até hoje?
VALLIM:
Bom, eu comecei tocando teclado, com 13 anos, se não me engano, mas eu nunca fiz aula, porque eu sou um gênio hehe. Como eu era o cara que cantava menos pior, acabei virando vocalista nas primeiras bandas e a falta de baixista em todas elas me fez ir atrás de instrumentos de cordas, sempre aprendendo na raça. Atualmente eu faço aula de canto com o Edu Falaschi e isso representou um salto pra mim, tanto em qualidade como vocalista e músico, quanto como desenvolvimento pessoal. Estar ali, do lado de alguém que já passou por tanta coisa boa e ruim na vida, te faz crescer muito.
Depois de algumas tentativas de fazer a banda The Apple alavancar, a gente acabou entrando em um hiato que parecia ser permanente e eu resolvi buscar coisas novas, comecei um projeto novo que ainda não saiu do papel, chamado Final Disaster e acabei conhecendo a Flávia e a Mirella da HellArise pela internet, conversamos, acabei indo em um ensaio, em dois, em três, em quatro, em cinco... e acho que vou continuar indo por algum tempo, já que acabei entrando pra banda de vez.

ATM: Legal! Você entrou para a banda Hellarise como você disse, qual é a experiência de entrar para uma banda que já tem um certo reconhecimento em território nacional e como é fazer parte disso?
VALLIM:
Cara... é uma viagem. Um dia eu entro no estúdio e a Mirella entra com uma revista "olha, saiu uma entrevista nossa nessa revista da Malásia"... tipo QUÊ?!?!?! Minha vida inteira eu comecei bandas do zero, a única experiência que eu tive em que entrei em uma banda foi com a banda Supernova, com um direcionamento mais pop/comercial e fiquei pouco tempo, mas a banda estava bem no começo. Então é meio que bizarro, porque eu realmente não sabia como muitas coisas funcionavam e estou aprendendo a lidar com isso da melhor forma possível porque, na prática, é só chegar no ensaio e tocar, dar o melhor de si como músico. E essa parte mais de administração da banda fica com quem já está lá dentro a mais tempo, mas eu gosto muito dessa parte, então tento aprender o máximo possível para poder ser útil quando for necessário.

ATM: Bom, quais são os próximos planos para a Hellarise e para a sua carreira?
VALLIM:
Bom, eu pretendo ficar famoso e milionário do dia pra noite, acho que seria bem legal.  Mas, no improvável cenário em que meus planos falhem, eu planejo seguir sim com a música, eu vivo e respiro música 24 horas por dia sem exagero. Eu tenho um emprego chato fixo, mas estou o tempo todo pensando e fazendo coisas relacionadas à música. Eu divulgo bandas e faço piadas sem graça em uma página que tenho no facebook chamada Meavy Hetal, eu estou tentando, aos poucos entrar no mercado de produção de shows - mercado nada profissional e cheio de pessoas de intenções duvidosas e que carece de gente querendo atuar de forma positiva para as bandas - e continuar estudando música da forma que eu puder. Amo cantar, amo compor, amo tocar baixo e teclado!
Em relação à banda, estamos em estúdio gravando um EP que vai contar com 5 faixas. Uma delas é a já gravada More Mindless Violence que pode ser baixada no nosso facebook oficial. As outras estão sendo gravadas e estão matadoras! E não, não vou entregar com antecedência o título do EP (risos).... (na verdade o título ainda não foi definido)

ATM: Então, falando sobre a Meavy Hetal, conte nos mais um pouco sobre seu trabalho?
VALLIM:
Aaaah... surgiu como uma piada que virou séria! Eu queria fazer uma página estilo 9gag com piadas apenas voltadas ao metal, aquelas páginas de memes estúpidas que vc encontra facebook afora? então Meavy Hetal é mais uma! Mas é a mais legal. O detalhe é que, com o passar do tempo a coisa foi tomando uma proporção grande e resolvemos abrir um espaço para divulgar bandas. Aos poucos foram surgindo oportunidades maiores de divulgação e acabamos entrevistando algumas delas. Tray Of Gift, Aneurose, Mundo Cao, Maldita... bandas que eu admiro muito. Surgiu, também a ideia de fazer um podcast semanal e a gente tenta fazer semanalmente, mas nunca dá tempo.  Nele eu falo bobagens sobre notícias atuais, rolo uma sonzeira e divulgo bandas. Com mais de 12mil likes e uma audiência média de 100 plays por episódio, eu julgo o resultado satisfatório, lembrando que a equipe não gasta um centavo com nada relacionado ao Meavy Hetal, então é algo legal. Que eu sei que dá pra fazer crescer muito mais. Também realizamos promoções, de vez em quando, com jogos interativos entre os usuários, tentamos tornar o Meavy Hetal uma experiência divertida e descompromissada para o banger, raramente há discussões como em outras páginas/fóruns sobre metal internet afora e isso me deixa contente, significa que ainda há respeito entre as pessoas e o fã de metal, tido como intolerante em muitos casos.
vê se vai



ATM: Bem, voltando a Hellarise e The Apple, como funciona o processo de composição em ambas as bandas?
VALLIM:
Putz, composição é algo bem complexo de se colocar em palavras. No caso da banda The Apple, passamos por várias fases, houve a fase em que eu apresentava a música para os integrantes que tocavam, apenas. A fase em que eu mostrava e cada um colocava a sua cara, e a fase em que qualquer um trazia ideias e a banda ia dando uma cara de música finalizada para aquele embrião (minha fase favorita da banda), mas vale lembrar que hoje, a banda é um projeto que se encontra adormecido. É certo que a banda vai, gravar alguma coisa já acordamos que vamos gravar um EP de 4 faixas e já temos até aonde e com quem gravar, mas quando isso vai acontecer ainda é um dos muitos mistérios que existem entre o céu e a terra (ainda precisaríamos chamar mais gente pois a banda não estaria completa se voltasse hoje). Mas HellArise é minha prioridade. Não vou me abrir para projetos paralelos que prejudiquem o andamento das coisas, temos um EP, um vídeo clipe, shows e mais algumas novidades para o futuro e é nisso que eu estou focando agora 100% da minha energia, gravar com The Apple é uma vontade que todos temos, mas não são planos, de fato, que estamos fazendo. Com relação à HellArise, eu cheguei no time logo depois do processo de composição, então não sei detalhar como é o processo, essa pergunta você pode me fazer na próxima vez que quiser me entrevistar, nesse caso, com melhor e maior convívio com os demais integrantes da banda, eu poderei falar com mais autoridade e compreensão das coisas. Mas, uma coisa é certa: a Mirella (guitarrista) tem grande parte de méritos nas composições e, com certeza vai merecer os parabéns de muita gente quando ouvirem o EP.

ATM: Sobre a cena do metal nacional, o que você acha?
VALLIM:
Como aluno e fã do Edu, eu vou evitar piadinhas nessa questão (risos). Cara, eu vejo muita coisa boa e muita coisa ruim. É até complicado, se você quisesse, poderia fazer uma entrevista comigo em que essa fosse a única pergunta, mas vamos lá. A cena nacional já teve momentos melhores e momentos piores. Estamos em ascensão na cena e isso é, em geral, bom. Muito disso deve-se às próprias bandas que começaram a sair da mesmisse e se mexer à favor da cena e não mais delas mesmas. Então existem polos interessantes. Em Minas Gerais, eu enxergo um mundo mágico em que alguém colocou algo na água lá e só vejo surgirem bandas sensacionais dos mais variados estilos, Aneurose, Tray Of Gift, Motosserra Truck Clube, Hagbard e muitas outras, incontáveis. Basta ir ao Roça N Roll para ver! Agora, aqui em SP, a coisa é mais complexa, existem alguns movimentos coletivos tentando criar um cenário unido, mas eu, particularmente, acho que, para dar certo de verdade, a coisa tem que ser mais espontânea. O ponto é: todas aquelas porcarias que vemos os mais veteranos falando ainda existe amadorismo na produção de realização de eventos, existe preconceito da mídia e existe SIM (por mais que alguns neguem ou, pior, se neguem a enxergar) uma ridícula concorrência individualista entre bandas e músicos. Por outro lado, isso não é mais unanimidade na cena. Músicos estão se unindo, bandas estão caminhando juntas e temos veículos de comunicação dignos como Wikimetal, Lokaos, Heavy Nation, Maloik entre tantos outros que nos mostram como podemos crescer se fizermos as coisas direito. E, também, está cada vez mais fácil conseguirmos boas produções com gente como Brenda Duffey do Norcal Studios, Vitor Rodrigues, Irmãos Falaschi no Do It! Studios e outros grandes nomes que estão ajudando a alavancar as bandas realizando belíssimos trabalhos em seus estúdios

ATM: Dito isto, sobre a cena do Metal nacional, quais conselhos voce daria para novos musicos e novas bandas?
VALLIM:
Estude. Estude tudo. escute bandas que gosta, bandas que não gosta. estude o instrumento que vc toca (ou vocal), estude pelo menos mais um instrumento, estude a composição da música em si. Arme-se do maior leque possível de recursos para fazer a melhor música possível. E evite cair na mesmisse... nada de "que legal essa música, tá parecendo a banda X" ERRADO! Se tá parecendo a banda X, vc está copiando a banda e seu som não é original. Ninguém vai escutar uma banda que parece Iron Maiden se pode ouvir o próprio Iron Maiden, então não tente imitar o som das bandas consagradas, tente ser MELHOR que as bandas consagradas. Só assim vc vai ter alguma chance como músico/banda.

ATM: Você poderia nos contar uma história engraçada de show?
VALLIM:
História engraçada? Pior que eu acho que não... eu já cometi umas gafes. Teve um show que eu quebrei a base do pedestal do microfone. Outro show que a gente combinou de apresentar a banda durante uma parte da música e, depois de eu apresentar o guitarrista, o baterista seguiu na música e o resto da banda teve que acompanhar, então ficou meio... "a banda é só o guitarrista" e eu tive que apresentar a banda de novo depois... mas escorregão no palco, confundir músicas...
Bom.. teve uma vez... (risos)... que o zíper da minha calça quebrou durante o show e eu cantei de braguilha aperta. Acho que esse foi o maior mico que eu paguei hahaha, mas fora isso, nenhuma gafe gigante... (ainda)

ATM: Quais bandas novas você mais gostou?
VALLIM:
Existem dois conceitos para bandas novas, né? Bandas que começaram agora a carreira e bandas que eu descobri à pouco tempo. Recentemente eu tenho ouvido muito aquilo tudo que eu já comentei sobre  cena mineira. Tray of Gift, Aneurose, Motosserra Truck Clube.. e, além disso, No Way daqui de SP, Mundo Cao que já ta na ativa desde 2006 mas lançou o 1o CD em 2011 e eu só descobri ano passado, VoodooPriest e Nervosa, também. Mas também, para não me prender apenas às bandas nacionais, existem grandes bandas novas surgindo lá fora, como Outliar (EUA), Tersivel (Arg), gosto muito do Adrenaline Mob (EUA) e toda a cena de metal da Suécia, como um todo! São as bandas que eu conheci há pouco tempo que eu aconselho para as pessoas, basicamente!

ATM: Bem, obrigado pela entrevista Kito! Você gostaria de deixar uma mensagem para as pessoas que estão lendo?
VALLIM
: Ah, não... quero agradecer ninguém, não obrigado. O prazer foi todo seu. Tá, brincadeiras à parte, eu queria agradecer a vocês pelo espaço cedido para os músicos. Este tipo de iniciativa é muito legal e muito importante para todos no meio musical. Queria convidar as pessoas que tiveram paciência de ler a entrevista até o final para conhecer o meu trabalho com a banda HellArise, com o Meavy Hetal e mesmo com a banda The Apple, apesar de não estarmos mais em atividade há um tempo. E queria dizer que eu não ando com seguranças na rua justamente porque eu não me importo com os fãs vindo pedir autógrafos e tirar foto, okay? Não precisam ficar acanhados, eu sei como é estar cara a cara com uma estrela da música mundial, mas eu sou uma pessoa normal e entendo pelo que vocês estão passando ao me ver, já fui um reles mortal uma vez, então tudo bem me pedir autógrafos okay? Não se acanhem! (risos) Como é bom sonhar.