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Entrevista: Paulo Schroeber (Hammer 67, Astafix, Fear Ritual, ex-Almah)

sábado, 31 de agosto de 2013


por Caio Botrel

Paulo Schroeber é guitarrista, produtor, compositor e professor, já tocou na banda Almah e hoje em dia atua nas bandas Hammer 67, Astafix, Fear Ritual e Paulo Schroeber solo. Nesta entrevista, Paulo nos contou um pouco sobre sua trajetória na música até chegar ao reconhecimento, sobre sua saúde, dicas e exemplos de perseverança. Fiquem aqui com esta grande aula do grande mestre Paulo Schroeber!



ALL THAT METAL: Olá Paulo, tudo bem?
PAULO SCHROEBER: Tudo tranquilo, primeiramente gostaria de agradecer ao brother Caio Botrel por ter me concedido essa entrevista.

ATM: Paulo, você poderia nos contar um pouco sobre seu começo na música?
SCHROEBER: Quando eu era muito mais jovem, acho que tinha lá meus 15 anos, fiz uma guitarra em casa, com uma porta velha que havia no quintal, acho que foi coisa de vocação mesmo. Após várias tentativas frustradas, finalmente meu pai me deu um violão velho, e logicamente não fazia a mínima idéia do que eu estava fazendo, até que novamente ele encheu o saco de ouvir aquela barulheira que eu fazia todo o dia e me pagou algumas aulas com um professor local.
Ao mesmo tempo em que fazia essas coisas tive o meu primeiro contato com o Metal, com o clássico "Restless and Wild" do Accept, que o namorado da minha irmã trouxe em vinil lá em casa, pois não existia cds na época, e já na primeira ouvida fiquei maravilhado com aquelas guitarras e o vocal agressivo do estilo. Depois foi como uma bola de neve, cada vez mais fui conhecendo mais bandas e comecei a comprar meus próprios discos.

ATM: Como era a sua rotina de estudos para a guitarra e o violão?
SCHROEBER: Depois que fiz algumas aulas com meu primeiro professor, resolvi mudar, pois eu aparecia nas aulas mais do que ele, e comecei a fazer aulas de violão clássico, com um professor que era uma das referências da cidade aqui em Caxias do Sul.
Era um ótimo professor, eu estudava umas seis horas de violão clássico e mais umas seis horas de guitarra por minha conta, mas esse período durou uns três anos, pois depois não aguentei a rotina do violão, que era muito pesada e disciplinada, estava em plena adolescência e queria curtir a vida.
Continuei os estudos com a guitarra e comecei a dar aulas, contra a vontade de minha família, que queria que eu fizesse faculdade, mas persisti, e até foi bom que as coisas aconteceram dessa forma, pois analisando de outro ponto de vista provei para eles que é possível, se você é dedicado no que faz, colher bons frutos com o que quer que você escolha fazer da sua vida.



ATM: Você é professor, guitarrista, produtor, qual dica você daria para as pessoas que estão querendo viver de música e tocar em uma banda?
SCHROEBER: Para viver bem de música você tem que fazer de tudo um pouco, na realidade, ao contrário do que muitos pensam por aí, o músico sério trabalha muito, toca na noite, produz, dá aulas, tem suas bandas além de sempre ter que estar se aperfeiçoando, depende das escolhas que a pessoa faz.
Eu atualmente infelizmente estou semi aposentado, devido ao meu problema de saúde, então dou apenas algumas aulas.
A minha dica é simples, caia de cabeça no que quer que você escolha e trabalhe duro, se quiser ser professor, vai ter que se adaptar a rotina, tocar de tudo, se escolher ser produtor a mesma coisa e por aí vai, o fator mais importante é ser eclético, pois tem que trabalhar com qualquer tipo de música.

ATM: Paulo, você é integrante das bandas Astafix, Hammer 67, Fear Ritual, Naja e sua carreira solo, e também é ex integrante da banda Almah, como você consegue conciliar seu tempo para tocar em todas estas bandas, dar aulas e produzir?
SCHROEBER: Como disse anteriormente, devido a minha atual situação, estou no momento apenas dando algumas aulas, gravando em vídeo meus trabalhos anteriores do Almah e futuramente de meu disco solo.
Inclusive o produtor Alex Milesi está em fase de gravações de meu primeiro videoclipe de meu cd instrumental, da música “To my Father” que acredito que será único e especial.
O Astafix está totalmente parado, pois o Wally está no aguardo do que vai acontecer comigo, e a Naja acabou já faz bastante tempo.
Tenho me dedicado bastante a Fear Ritual, que exige um trabalho enorme, pois o som é bem complexo, nós temos feito alguns ensaios, mas vai ainda demorar para a gente gravar, porém todas a guitarras estão já gravadas, faltando apenas alguns solos, mas vai ser difícil também cair na estrada com a banda, pois queremos apenas, eu e Ale Amorin registrar nosso trabalho de 15 anos atrás.
Com a Hammer 67 sempre que o Paganela (vocal) está disponível estamos compondo, e logo virá outro cd por aí, talvez com bem menos samplers e bem mais trabalhado que o primeiro registro, que era algo na linha do Rock/Metal Industrial, estilo pouco apreciado aqui no Brasil.



ATM: Poderia nos contar um pouco sobre suas bandas e os estilos?   
SCHROEBER: Minha primeira banda foi o Sepulchred, que era noise total, totalmente underground na época. Depois veio a Fear Ritual, o som já era bem mais trabalhado, na linha do Technical Death Metal, com partes melódicas também acrescentadas nas músicas.
Gravamos um EP com três músicas pela Wild Rags Records de Los Angeles, e foi muito legal, mas devido a problemas internos e eu estar cada vez mais obcecado por colocar cada vez mais riffs nas músicas, a banda acabou se dissolvendo, devido  ao desgaste dos músicos e a saída de Ale Amorin.
Como eu estava totalmente quebrado financeiramente e o mercado na época era muito favorável conheci uma garota chamada Tita Sachet e convidei ela para montar uma banda de Rock Alternativo, que tocava muito na época nas grandes rádios aqui no Sul.
Foi aí que comecei a ganhar dinheiro e minha família aceitou minha escolha profissional, pois rodamos o estado inteiro fazendo de dois a três shows por semana por muitos anos, essa banda se chamava FallUp.
Devido a problemas nas cordas vocais da vocalista e problemas pessoais, fomos obrigados com a banda já no topo, com contrato com uma grande gravadora e muitos shows, trocar de nome e encontrar outra vocalista. Optamos por uma garota de Porto Alegre chamada Izmália Ibias, e gravamos um cd e um DVD, a banda teve seus bons momentos, ganhamos alguns prêmios, como o Prêmio Açorianos de melhor intérprete, fizemos bastante shows, mas a vocal optou por ficar apenas com sua carreira solo.
Até fizemos uma última tentativa com outra vocalista, mas a banda já estava muito desgastada e optei por acabar a banda.
Fiquei acho alguns anos tocando alguns covers do Pantera, até que surgiu a oportunidade de fazer um teste para tocar no Almah. O Edu gostou do meu estilo de tocar, acabei entrando na banda e ao mesmo tempo eu e Niuton Paganela já estávamos planejando fazer alguma coisa diferente, que acabou se tornando a Hammer 67, e conheci o Wally em um bar em SP, ele me convidou para fazer uma participação no disco e acabei entrando no Astafix, que já é uma praia Thrash/Death old school.
Hoje em dia obviamente estou fazendo bem menos coisas do que antigamente, pois ainda não tenho condições de tocar ao vivo.

ATM: Você saiu da banda Almah devido a problemas de saúde, como está a situação hoje em dia?
SCHROEBER: Muita gente, mas muita gente mesmo me pergunta sobre isso hoje em dia, e tento na medida do possível responder a todas elas.
O fato é que estava com Miocardiopatia Hipertrófica no último estágio da doença, ou seja, estava morrendo, e não havia mais condições de eu continuar com nada.
Atualmente vivo uma vida tranquila, na medida do possível, pois ficar só em casa me deixa muito ansioso, gasto muito dinheiro com medicamentos, e obviamente minha família me ajuda, pois os custos são altos.
Emagreci 20 quilos desde a minha terceira cirurgia, mas posso afirmar que estou melhor, mas longe de estar ao ponto de viver uma vida normal, pois tem dias que passo muito mal, e tem dias que estou muito bem.
É uma doença bem instável e a pessoa tem que tentar pelo menos manter um astral bom, o que não é nada fácil, pois praticamente tudo faz mal. Desde a alimentação, esforço físico e é claro bebidas alcoólicas.
Obviamente não faço tudo o que o médico diz, pois senão a pessoa não se sente viva e entra em depressão.
Aprendi a conviver com isso, e tem dias que fico mal, mas vou vivendo um dia de cada vez e tentando ocupar sempre minha mente com alguma coisa, e não girar minha vida em torno da doença.
Além disso, logo após a terceira cirurgia acabei um relacionamento de 8 anos, que foi muito doloroso para mim, pois estava muito debilitado e precisava muito de alguém ao meu lado, na época.
Por isso sou eternamente grato a minha mãe, sem sombra de dúvidas sem ela não teria conseguido, não tenho palavras para expressar minha gratidão a essa pessoa maravilhosa que ficou ao meu lado todo esse tempo.
Atualmente sinto um pouco de falta de ar, ansiedade e cansaço, mas dá para ir levando, e depende também muito do dia.
Em outubro farei outra ecografia e vou ter um parecer mais claro de minha situação.



ATM: Você sente falta da rotina de shows e como é para você, saber que tem tantos fãs ao redor do mundo e que mesmo muitos não te conhecendo pessoalmente, estão torcendo por você e por sua melhora e sucesso?
SCHROEBER: Cada show para mim em todas as minhas bandas, tocava como se fosse o último de minha vida, até por isso optei por parar de tocar ao vivo, pois exige um esforço físico considerável de minha parte.
Sinto muita falta do calor do público, principalmente no Almah, onde o pessoal me tratava com muito carinho, foi realmente um sonho realizado ver no final do show que os fãs gostavam de mim de verdade, é uma experiência muito gratificante.
E pode ter certeza que sou extremamente grato a todas as pessoas que estão sempre acompanhando meus trabalhos, me mandando mensagens positivas, e torcendo por mim, aqui deixo meu muito obrigado do fundo do meu coração a cada uma delas.

ATM: Você poderia nos contar uma história engraçada de alguma turnê que você fez?
SCHROEBER: Foi engraçado na época que o Almah fez a turnê no Nordeste, e como o Marcelo Moreira conseguiu o tão cobiçado quarto separado, pois na época esse status era só do Edu.
O homem quando dorme ronca tão alto, mas tão alto que é praticamente impossível dormir perto do cara, imagina ao lado dele, e sempre sobrava para mim dormir no mesmo quarto do rapaz.
Eu demoro mais ou menos uma hora para pegar no sono, ele já é instantâneo, e começa a roncar praticamente na hora, chega a ser engraçado.
Dessa vez estávamos em uma pousada não lembro em qual lugar, em um quarto pequeno, onde as duas camas eram praticamente coladas uma na outra. Não deu outra, quando o bixo dormiu já começou aquela barulheira infernal, e eu tinha esquecido meus protetores de ouvido, lembro que coloquei no celular um Mastodon a todo o volume, não estou exagerando, e ainda ouvia ele roncando.
Resultado...não consegui dormir nada e estava completamente acabado no café da manhã, e o resto da banda me vendo naquele estado, ficaram apavorados, pois estava branco e com muitas olheiras, daí contei o que tinha acontecido.
A partir desse dia foi decidido que o Moreira ia dormir em quarto separado, pois os caras ficaram com tanta pena de mim que o quarto single seria dele depois do que aconteceu.
Fora o dia em que estávamos em Brasília, e preferimos dormir no andar de cima da casa do Marcelo Barbosa, em quatro pessoas no segundo andar, todos apertados, do que dormir do lado do Moreira que estava com todo o primeiro andar da casa só para ele...(risos)... lembro do Edu dormindo embaixo da mesa do computador do Barbosa, tamanho o medo dele de dormir do lado do cara.

ATM: Nós sabemos que a cena do heavy metal nacional, não é muito a favor dos músicos e bandas, devido ao fato de o estilo não ser muito popular no Brasil, você poderia nos dizer como realmente funciona para as bandas nacionais que não são mainstream?
SCHROEBER: Olha, talvez essa pergunta seja mal interpretada, não é que o público não seja a favor das bandas underground, apenas não se pode viver disso, e as vezes erroneamente se culpa o público a esse fato.
Bandas que estão começando vão tocar para poucas pessoas, a não ser que paguem para abrir para uma banda maior, e mesmo as bandas “mainstream” do Metal Nacional exigem muitos custos, aí sempre tem que fazer alguma coisa por fora para ganhar mais alguma grana, como dar aulas, workshops, etc.
Conheço vários exemplos, que não vou citar, obviamente de bandas que o público pensa que os caras moram em uma mansão, mas na realidade o cara mora com a família (não vejo prolema algum nisso) e a banda apenas dá um certo status, e outras que tiram seu sustento com outros negócios.
O lance é meter a cara e fazer porque gosta, o que vier depois é resultado do trabalho.

ATM: Por fim, gostaria de saber qual foi até então o momento mais marcante em sua carreira musical?
SCHROEBER: Olha fiquei muito lisongeado quando o Edu Ardanuy ainda recém saído do Almah me comprimentou e disse que ele estava sendo muito bem substituído...foi realmente muito gratificante ouvir de um músico do nível e ao mesmo tempo da simplicidade e carisma dele essas belas palavras.
E também todo o processo que passei com o Almah, foi muito legal conhecer pessoas novas, passar por uma banda que estava tocando até razoavelmente bastante na época, e ver como funciona de verdade o mercado do Heavy Metal Nacional e como se pode ou não tirar sustento disso.

ATM: Muito obrigado pela entrevista Paulo! Desejo a você o melhor, melhoras e sucesso!
SCHROEBER: Eu é que agradeço novamente a oportunidade, e espero continuar com meu trabalho e também sempre lembrando de agradeçer a todas as pessoas que vem me acompanhando nessa luta.
ATM: Muito obrigado Paulo! Cara, te desejo melhoras, sucesso e obrigado por ser uma inspiração também!

Review de show: Soulfly (28/08/2013 - Bar Opinião - Porto Alegre/RS)


Quando decidi criar o All That Metal, em setembro do ano passado, jamais poderia imaginar todas as consequências que isso poderia me trazer. Foi com muito esforço que conseguimos desenvolver um blog com conteúdo diferenciado, investindo em artigos e apoiando a cena underground, seguindo o caminho oposto das inúmeras páginas que resumem-se a postar notícias que você encontra em qualquer site da web. Toda a dedicação foi devidamente recompensada ao longo do tempo com reconhecimento do público e das bandas, o que nos proporcionou certas vantagens dentro da cena. Tais vantagens incluem escutar trabalhos das bandas antes mesmo do lançamento, entrevistar músicos que você admira e muitas outras coisas. Mas nada disso compara-se a oportunidade de fazer reviews de shows, pois é esse o momento mágico em que você pode ver seus ídolos em ação. Tudo isso e mais o fato deste ser o último review do ATM antes de completarmos um ano de atividades me fez tomar a liberdade de fazer um relato mais pessoal e detalhado do show do Soulfly, algo semelhante ao que vocês podem ler na matéria da passagem do Moonspell por terras gaúchas.

Quem acompanha o blog sabe que temos uma relação muito especial com a família Cavalera (clique aqui para mais detalhes). Como fã declarado do legado de Max Cavalera, a espera por uma apresentação em Porto Alegre foi longa, o que gerou um grande entusiasmo de minha parte quando foi anunciado o show do Soulfly na capital gaúcha. Infelizmente, não foi possível fazer um credenciamento para uma cobertura ideal do show, ou seja, não temos uma galeria de fotos como vocês estão acostumados a ver em nossos reviews. Mas para a minha surpresa, poucas horas antes do show fui informado por Gloria Cavalera que meu nome estava na lista de convidados da própria banda! Agora imagine você, fã de Max, Soulfly, Sepultura e fã apaixonado por Metal, a honra que é ser agraciado com esse "presente". Confesso que surgiu um orgulho muito grande, certamente o maior reconhecimento que já tive do meu trabalho no ATM.

A noite prometia ser longa e repleta de clássicos, daqueles que você cresceu escutando na sua adolescência em fitas K7 e decorou cada uma das letras. Acabei chegando tarde no Bar Opinião e perdi o show da Distraught, o que é uma pena por tratar-se de uma das minhas bandas nacionais favoritas e imagino o quão especial foi esse momento em sua história. Prometo que vamos remediar isso com uma matéria especial com a banda em breve. Pouco antes do Soufly subir no palco, o público já estava com sangue nos olhos, apenas aguardando a aparição de Max.

O próprio Pisca, produtor da turnê nacional, foi quem subiu no palco para dar início a contagem regressiva para o caos sonoro que seguiria-se pela próxima uma hora e meia. O Soulfly entrou no palco detonando tudo com "Plata O Plomo", do álbum "Enslaved" (de 2012), com Max mostrando todo seu poder como frontman ao fazer a platéia cantar a música do início ao fim. Na sequência já mandaram ver em "Prophecy", do álbum homônimo de 2004, abrindo o primeiro circle pit da noite e fazendo as paredes do Opinião tremer com o público cantando o refrão. Após o final brutal de "Prophecy", surge o som do berimbau nas caixas, era o momento do Soulfly tocar "Back To The Primitive". A trinca que deu início ao show já foi o suficiente para ganhar o público pelo resto da noite, que permaneceu empolgado do início ao fim da apresentação.

É óbvio que Max está muito longe de ser aquele frontman que todos lembram dos dias do Sepultura, mas quem assiste a banda ao vivo reconhece o motivo pela qual ele ainda é considerado uma das maiores lendas vivas do Metal. O tempo inteiro ele faz o público manter-se ativo, em uma troca de energia contínua entre os fãs e a banda. Falava de maneira breve entre as músicas do set list e até relembrou a vez em que o Sepultura tocou no mesmo local ao lado do Ramones, na década de 90. Marc Rizzo também chama a atenção com toda sua presença de palco e seu exímio talento como guitarrista, dono de um feeling e uma pegada totalmente únicos. O baixista Tony Campos também mostrou ter sido uma adição importante para a banda, em constante contato com o pessoal que estava na grade e contribuindo com os backing vocals. Ao contrário do que imaginávamos, Zyon, filho de Max, não assumiu as baquetas durante a turnê sul americana, cargo que ficou por conta de Kanky Lora (pseudônimo de Juan Carlos Lora), mandando muito bem em boa parte da apresentação.

O show continuou com "No Hope = No Fear", do primeiro álbum da banda, canção que foi seguida por "Seek 'N' Strike". Quem estava lá não vai esquecer tão cedo a cena do pessoal pulando ao som dessa faixa, incrivelmente épico! "I And I" veio na sequência, do meu álbum favorito da banda, "The Dark Ages". O trecho do meio da canção, antes do solo, foi tocado de uma maneira diferente da versão original do álbum. Particularmente, foi um dos meus momentos favoritos do show.

O momento seguinte foi o mais aguardado por vários dos que estavam presentes: "Refuse/Resist"! Nem sei quais as palavras certas para descrever isso, fãs de Sepultura sabem o quanto é empolgante escutar os clássicos da banda na voz de Max. O circle pit formado no meio da canção foi um dos mais violentos do show! Sem nem ao menos dar um tempo para o pessoal respirar, já deram início a outro clássico de "Chaos AD" e os fãs foram a loucura com "Territory". Se o show acabasse ali mesmo a noite já estava ótima. Mas não estávamos nem na metade ainda!

"Blood Fire War Hate" veio representando o excelente álbum "Conquer", lançado em 2008. Aliás, ao menos uma música de cada álbum do Soufly foi tocada, além dos clássicos obrigatórios do Sepultura, fazendo um apanhado geral da carreira de Max. A maior surpresa mesmo foi a faixa tocada logo a seguir, "Wasting Away", presente no primeiro e único disco do Nailbomb, projeto de Max ao lado de Alex Newport, lançado em 1994.

"Under Porto Alegre grey sky"... você sabe o que veio a seguir, certo? Isso mesmo, "Arise"! Certamente um dos momentos mais aguardados por muitos presentes. A faixa ainda foi emendada no tradicional medley com "Dead Embryonic Cells", gerando insanidade coletiva nos fãs, ainda mais no pessoal old school. Mais uma de "Dark Ages" foi tocada, "Frontlines", fazendo a galera manter o pique e mostrando o quanto os fãs recebem bem os trabalhos pós-Sepultura. E o álbum "Chaos AD" voltou a ser representado com "Propaganda". Ou seja, a partir daquele momento quem foi no show para escutar clássicos do Sepultura estava, no mínimo, muito próximo de sentir-se satisfeito com o ingresso comprado. Um breve trecho de "Walk", clássico do Pantera, ainda foi tocado ao final da canção.

A faixa que marcou a presença de "Omen", álbum de 2010, no repertório foi "Rise Of The Fallen". Mais uma boa prova da boa recepção dos fãs aos trabalhos do Soulfly foi o fato do pessoal ter cantado a plenos pulmões o refrão da canção. Algumas das linhas vocais que originalmente foram cantados por Greg Puciato (vocalista do The Dillinger Escape Plan) na versão de estúdio foram executadas por Tony. Max anunciou que a banda tocaria uma faixa de seu próximo álbum de estúdio, "Savages", que será lançado em breve pela Nuclear Blast, e convidou Ritchie Cavalera para juntar-se ao grupo no palco. Ritchie é enteado de Max e vocalista da banda Incite, além de já ter cantado em outros trabalhos do Soulfly e do Cavalera Conspiracy. Tocaram "Bloodshed", faixa que tem sido tocada com exclusividade na turnê sul americana do Soufly. Pela breve amostra que tivemos através de "Bloodshed" já dá pra saber que o próximo álbum vai ser mais uma porrada com muito peso, como tem sido nos últimos álbuns da banda.

A próxima canção é o maior hino da carreira do vocalista, "Roots Bloody Roots"! Obviamente, todos acompanharam Max cantando a música do início ao fim, fazendo da pista do Opinião um verdadeiro caos generalizado. Mais uma vez a banda já começa a mandar outro som de peso sem nem dar tempo do público parar, pois "Attitude" veio logo depois. Apenas uma ressalva sobre a execução dessa música: por mais que ela soe incrível ao vivo, nada pode-se comparar ao próprio Igor Cavalera tocando ela! A banda sai do palco com Max anunciando que se o público conseguisse fazer muito barulho eles voltariam para tocar mais, o que foi prontamente atendido por todos. O encore encerrou a noite com "Jumpdafuckup" e "Eye for an Eye", com direito a um breve trecho de "The Trooper", do Iron Maiden, tocado para finalizar de vez a apresentação.

Pouco antes do fim da apresentação, tive a oportunidade de bater um breve papo com Gloria, um momento realmente muito especial para mim. Sou um grande admirador de sua atitude e postura como profissional e tenho todo o respeito do mundo por essa mulher que manteve-se ao lado do homem que é o maior nome da história do Metal nacional. Além do mais, sempre tive orgulho do fato de ter sido com ela a primeira entrevista internacional realizada pelo ATM e desde então sempre mantemos contato. Foi um dos muitos momentos proporciados por esse blog que eu jamais vou esquecer, daqueles que fazem valer a pena todo o esforço desempenhado ao longo do primeiro ano de atividades. Só não foi perfeito porque não deu para ter contato direto com Max, pois ele saiu direto para a van que o levou até o hotel devido a apresentação do dia seguinte em Brasília.

No começo do texto comentei sobre as consequências que o ATM gerou ao longo do seu período de atividade. Há um ano atrás, jamais poderia imaginar que tudo isso seria possível! E agora posso afirmar que encerramos um ciclo na história do blog, concretizando isso através do reconhecimento de um bom trabalho pelos nossos próprios ídolos. Mas tudo isso é assunto para um próximo post que publicarei dia 14 de setembro. Algo especial como forma de agradecimento aos nossos leitores. Long live the tribe!

Set list:
Plata o Plomo
Prophecy
Back to the Primitive
No Hope = No Fear
Seek 'N' Strike
I and I
Refuse/Resist
Territory
Blood Fire War Hate
Wasting Away
Arise/Dead Embryonic Cells
Frontlines
Propaganda
Walk
Rise of the Fallen
Bloodshed
Roots Bloody Roots
Attitude
Jumpdafuckup
Eye for an Eye/The Trooper 

Para compensar o fato de que não foi possível incluir no review a tradicional galeria de imagens, fique com 3 vídeos em Full HD postados no Canal do Caveira


Phil Anselmo em animação sobre culinária

sexta-feira, 21 de junho de 2013


Você consegue imaginar como seria um programa de culinária se ele fosse apresentado por Phil Anselmo? Foi exatamente isso que o artista Joey Siler tentou representar através de uma animação postada no YouTube. A música ficou a cargo da banda tributo Good Friends And A Bottle Of Whiskey. Realmente hilária, confira o vídeo logo abaixo.