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Max Cavalera: um rápido bate-papo com o All That Metal

sábado, 14 de setembro de 2013


O Soulfly acabou de passar pelo Brasil e o All That Metal fez a cobertura do show realizado em Porto Alegre no dia 28 de agosto. Mesmo após a turnê, Max Cavalera não descansa e segue dando continuidade a vários projetos. O novo álbum do Soulfly será lançado no mês que vem, "Savages", e sua biografia acabou de ser lançada, batizada com o nome de "My Bloody Roots". Além disso, ele já planeja o próximo álbum do Cavalera Conspiracy, prepara-se para retornar ao Brasil no fim do ano com o Metal Allstars e pretende gravar com a banda formada com Greg Puciato, do Dillinger Escape Plan.
Durante a breve pausa após a turnê sul americana, tivemos uma oportunidade de bater um papo bem rápido com essa lenda do Metal direto de sua residência. Logo abaixo você confere nossa conversa com Max, uma matéria especial do aniversário de um ano do All That Metal. 

Sobre reencontrar os fãs brasileiros na turnê com o Soulfly:
"Foi incrível! Foi possivelmente uma das minhas turnês brasileiras favoritas!"

"Savages" vai dar continuidade a tendência do Soulfly de soar mais pesada a cada álbum?
"'Savages' é novo, cheio de energia, com uma mistura do extremo e do clássico Soulfly."

"Soulfly IX" é uma faixa bônus do álbum. Algum motivo especial para isso? [N.E.: todos os álbuns da banda contém uma faixa com o nome da banda.]
"Isso dá a chance do público ter a faixa instrumental, se elas gostam de uma faixa instrumental."

Sobre "My Bloody Roots": quão difícil foi escrever sobre a saída do Sepultura?
"Foi difícil mas necessário. É o momento de todos escutarem a verdade."

Como ficou sabendo dos protestos no Brasil:
"Eu fiquei sabendo pela internet e falei minha opinião!"

O projeto com Greg Puciato ainda vai rolar?
"Sim, na verdade, eu estou indo para o estúdio em Los Angeles amanhã para gravar." [a conversa aconteceu no começo de setembro]

Se ele lembra a noite em que tocou Sex Pistols em Porto Alegre, relatado por Jacques Maciel [do Rosa Tattooada]. CLIQUE AQUI se não conhece essa história que publicamos.
"Possivelmente eu estava bêbado, mas parece ter sido divertido!"

Todo mundo sabe que Max é fã do Possessed. Ele assistiu algum show da turnê em que a banda está tocando o "Seven Churches" na íntegra?
"Não, mas eu encontrei o Jeff uma vez fora do ônibus do Soulfly e ele foi muito legal."

Será que rolaria uma turnê comemorativa de "Point Blank" [álbum do Nailbomb] ou "Roots" no futuro?
"Em todos os shows eu toco uma mistura de canções da minha carreira."

Mensagem aos fãs brasileiros:
"Foi ótimo ver todo mundo nos shows! Mal posso esperar para voltar!"

...e enquanto esperamos seu retorno, fiquem com "Bloodshed"!


Review de show: Soulfly (28/08/2013 - Bar Opinião - Porto Alegre/RS)

sábado, 31 de agosto de 2013


Quando decidi criar o All That Metal, em setembro do ano passado, jamais poderia imaginar todas as consequências que isso poderia me trazer. Foi com muito esforço que conseguimos desenvolver um blog com conteúdo diferenciado, investindo em artigos e apoiando a cena underground, seguindo o caminho oposto das inúmeras páginas que resumem-se a postar notícias que você encontra em qualquer site da web. Toda a dedicação foi devidamente recompensada ao longo do tempo com reconhecimento do público e das bandas, o que nos proporcionou certas vantagens dentro da cena. Tais vantagens incluem escutar trabalhos das bandas antes mesmo do lançamento, entrevistar músicos que você admira e muitas outras coisas. Mas nada disso compara-se a oportunidade de fazer reviews de shows, pois é esse o momento mágico em que você pode ver seus ídolos em ação. Tudo isso e mais o fato deste ser o último review do ATM antes de completarmos um ano de atividades me fez tomar a liberdade de fazer um relato mais pessoal e detalhado do show do Soulfly, algo semelhante ao que vocês podem ler na matéria da passagem do Moonspell por terras gaúchas.

Quem acompanha o blog sabe que temos uma relação muito especial com a família Cavalera (clique aqui para mais detalhes). Como fã declarado do legado de Max Cavalera, a espera por uma apresentação em Porto Alegre foi longa, o que gerou um grande entusiasmo de minha parte quando foi anunciado o show do Soulfly na capital gaúcha. Infelizmente, não foi possível fazer um credenciamento para uma cobertura ideal do show, ou seja, não temos uma galeria de fotos como vocês estão acostumados a ver em nossos reviews. Mas para a minha surpresa, poucas horas antes do show fui informado por Gloria Cavalera que meu nome estava na lista de convidados da própria banda! Agora imagine você, fã de Max, Soulfly, Sepultura e fã apaixonado por Metal, a honra que é ser agraciado com esse "presente". Confesso que surgiu um orgulho muito grande, certamente o maior reconhecimento que já tive do meu trabalho no ATM.

A noite prometia ser longa e repleta de clássicos, daqueles que você cresceu escutando na sua adolescência em fitas K7 e decorou cada uma das letras. Acabei chegando tarde no Bar Opinião e perdi o show da Distraught, o que é uma pena por tratar-se de uma das minhas bandas nacionais favoritas e imagino o quão especial foi esse momento em sua história. Prometo que vamos remediar isso com uma matéria especial com a banda em breve. Pouco antes do Soufly subir no palco, o público já estava com sangue nos olhos, apenas aguardando a aparição de Max.

O próprio Pisca, produtor da turnê nacional, foi quem subiu no palco para dar início a contagem regressiva para o caos sonoro que seguiria-se pela próxima uma hora e meia. O Soulfly entrou no palco detonando tudo com "Plata O Plomo", do álbum "Enslaved" (de 2012), com Max mostrando todo seu poder como frontman ao fazer a platéia cantar a música do início ao fim. Na sequência já mandaram ver em "Prophecy", do álbum homônimo de 2004, abrindo o primeiro circle pit da noite e fazendo as paredes do Opinião tremer com o público cantando o refrão. Após o final brutal de "Prophecy", surge o som do berimbau nas caixas, era o momento do Soulfly tocar "Back To The Primitive". A trinca que deu início ao show já foi o suficiente para ganhar o público pelo resto da noite, que permaneceu empolgado do início ao fim da apresentação.

É óbvio que Max está muito longe de ser aquele frontman que todos lembram dos dias do Sepultura, mas quem assiste a banda ao vivo reconhece o motivo pela qual ele ainda é considerado uma das maiores lendas vivas do Metal. O tempo inteiro ele faz o público manter-se ativo, em uma troca de energia contínua entre os fãs e a banda. Falava de maneira breve entre as músicas do set list e até relembrou a vez em que o Sepultura tocou no mesmo local ao lado do Ramones, na década de 90. Marc Rizzo também chama a atenção com toda sua presença de palco e seu exímio talento como guitarrista, dono de um feeling e uma pegada totalmente únicos. O baixista Tony Campos também mostrou ter sido uma adição importante para a banda, em constante contato com o pessoal que estava na grade e contribuindo com os backing vocals. Ao contrário do que imaginávamos, Zyon, filho de Max, não assumiu as baquetas durante a turnê sul americana, cargo que ficou por conta de Kanky Lora (pseudônimo de Juan Carlos Lora), mandando muito bem em boa parte da apresentação.

O show continuou com "No Hope = No Fear", do primeiro álbum da banda, canção que foi seguida por "Seek 'N' Strike". Quem estava lá não vai esquecer tão cedo a cena do pessoal pulando ao som dessa faixa, incrivelmente épico! "I And I" veio na sequência, do meu álbum favorito da banda, "The Dark Ages". O trecho do meio da canção, antes do solo, foi tocado de uma maneira diferente da versão original do álbum. Particularmente, foi um dos meus momentos favoritos do show.

O momento seguinte foi o mais aguardado por vários dos que estavam presentes: "Refuse/Resist"! Nem sei quais as palavras certas para descrever isso, fãs de Sepultura sabem o quanto é empolgante escutar os clássicos da banda na voz de Max. O circle pit formado no meio da canção foi um dos mais violentos do show! Sem nem ao menos dar um tempo para o pessoal respirar, já deram início a outro clássico de "Chaos AD" e os fãs foram a loucura com "Territory". Se o show acabasse ali mesmo a noite já estava ótima. Mas não estávamos nem na metade ainda!

"Blood Fire War Hate" veio representando o excelente álbum "Conquer", lançado em 2008. Aliás, ao menos uma música de cada álbum do Soufly foi tocada, além dos clássicos obrigatórios do Sepultura, fazendo um apanhado geral da carreira de Max. A maior surpresa mesmo foi a faixa tocada logo a seguir, "Wasting Away", presente no primeiro e único disco do Nailbomb, projeto de Max ao lado de Alex Newport, lançado em 1994.

"Under Porto Alegre grey sky"... você sabe o que veio a seguir, certo? Isso mesmo, "Arise"! Certamente um dos momentos mais aguardados por muitos presentes. A faixa ainda foi emendada no tradicional medley com "Dead Embryonic Cells", gerando insanidade coletiva nos fãs, ainda mais no pessoal old school. Mais uma de "Dark Ages" foi tocada, "Frontlines", fazendo a galera manter o pique e mostrando o quanto os fãs recebem bem os trabalhos pós-Sepultura. E o álbum "Chaos AD" voltou a ser representado com "Propaganda". Ou seja, a partir daquele momento quem foi no show para escutar clássicos do Sepultura estava, no mínimo, muito próximo de sentir-se satisfeito com o ingresso comprado. Um breve trecho de "Walk", clássico do Pantera, ainda foi tocado ao final da canção.

A faixa que marcou a presença de "Omen", álbum de 2010, no repertório foi "Rise Of The Fallen". Mais uma boa prova da boa recepção dos fãs aos trabalhos do Soulfly foi o fato do pessoal ter cantado a plenos pulmões o refrão da canção. Algumas das linhas vocais que originalmente foram cantados por Greg Puciato (vocalista do The Dillinger Escape Plan) na versão de estúdio foram executadas por Tony. Max anunciou que a banda tocaria uma faixa de seu próximo álbum de estúdio, "Savages", que será lançado em breve pela Nuclear Blast, e convidou Ritchie Cavalera para juntar-se ao grupo no palco. Ritchie é enteado de Max e vocalista da banda Incite, além de já ter cantado em outros trabalhos do Soulfly e do Cavalera Conspiracy. Tocaram "Bloodshed", faixa que tem sido tocada com exclusividade na turnê sul americana do Soufly. Pela breve amostra que tivemos através de "Bloodshed" já dá pra saber que o próximo álbum vai ser mais uma porrada com muito peso, como tem sido nos últimos álbuns da banda.

A próxima canção é o maior hino da carreira do vocalista, "Roots Bloody Roots"! Obviamente, todos acompanharam Max cantando a música do início ao fim, fazendo da pista do Opinião um verdadeiro caos generalizado. Mais uma vez a banda já começa a mandar outro som de peso sem nem dar tempo do público parar, pois "Attitude" veio logo depois. Apenas uma ressalva sobre a execução dessa música: por mais que ela soe incrível ao vivo, nada pode-se comparar ao próprio Igor Cavalera tocando ela! A banda sai do palco com Max anunciando que se o público conseguisse fazer muito barulho eles voltariam para tocar mais, o que foi prontamente atendido por todos. O encore encerrou a noite com "Jumpdafuckup" e "Eye for an Eye", com direito a um breve trecho de "The Trooper", do Iron Maiden, tocado para finalizar de vez a apresentação.

Pouco antes do fim da apresentação, tive a oportunidade de bater um breve papo com Gloria, um momento realmente muito especial para mim. Sou um grande admirador de sua atitude e postura como profissional e tenho todo o respeito do mundo por essa mulher que manteve-se ao lado do homem que é o maior nome da história do Metal nacional. Além do mais, sempre tive orgulho do fato de ter sido com ela a primeira entrevista internacional realizada pelo ATM e desde então sempre mantemos contato. Foi um dos muitos momentos proporciados por esse blog que eu jamais vou esquecer, daqueles que fazem valer a pena todo o esforço desempenhado ao longo do primeiro ano de atividades. Só não foi perfeito porque não deu para ter contato direto com Max, pois ele saiu direto para a van que o levou até o hotel devido a apresentação do dia seguinte em Brasília.

No começo do texto comentei sobre as consequências que o ATM gerou ao longo do seu período de atividade. Há um ano atrás, jamais poderia imaginar que tudo isso seria possível! E agora posso afirmar que encerramos um ciclo na história do blog, concretizando isso através do reconhecimento de um bom trabalho pelos nossos próprios ídolos. Mas tudo isso é assunto para um próximo post que publicarei dia 14 de setembro. Algo especial como forma de agradecimento aos nossos leitores. Long live the tribe!

Set list:
Plata o Plomo
Prophecy
Back to the Primitive
No Hope = No Fear
Seek 'N' Strike
I and I
Refuse/Resist
Territory
Blood Fire War Hate
Wasting Away
Arise/Dead Embryonic Cells
Frontlines
Propaganda
Walk
Rise of the Fallen
Bloodshed
Roots Bloody Roots
Attitude
Jumpdafuckup
Eye for an Eye/The Trooper 

Para compensar o fato de que não foi possível incluir no review a tradicional galeria de imagens, fique com 3 vídeos em Full HD postados no Canal do Caveira


Royal Thunder: revitalizando o Progressive Rock/Metal

segunda-feira, 3 de junho de 2013


Hoje vamos apresentar aos nossos leitores uma excelente banda americana que tem ganhado cada vez mais destaque no exterior. Nosso intuito é já deixá-los preparados para duas postagens que vamos ter essa semana: um artigo sobre as tendências que surgiram no Rock/Metal nos últimos anos e a primeira entrevista que eles devem conceder a um veículo sul-americano. Por acaso, esse veículo é o All That Metal. Estamos falando do Royal Thunder, um trio de Atlanta que faz um som totalmente inspirado no Prog dos anos 70, mas dando uma nova cara para esse gênero. 
A banda é relativamente nova, lançou seu primeiro EP autointitulado em 2009, o que garantiu a eles um contrato com a Relapse Records, uma das principais gravadoras de música pesada da atualidade. Em maio do ano passado, o Royal Thunder lançou seu primeiro full length, batizado como "CVI". O petardo contém cerca de uma hora de muito psicodelismo repleto de peso e com a marcante voz rasgada da vocalista Mlny Parsonz. Ouso afirmar que ela é uma das melhores vocalistas que surgiram nos últimos anos. A banda ainda conta com o guitarrista Josh Weaver (fundador do Royal Thunder no ano de 2006) e o baterista Evan Diprima. 
A boa recepção por parte de imprensa e público ao primeiro álbum garantiu também uma indicação na categoria "Best Underground" no Golden Gods da revista inglesa Metal Hammer. Recentemente, a banda finalizou uma turnê ao lado de Dillinger Escape Plan e já prepara-se para cair na estrada com o Baroness em agosto.
Conheçam um pouco do som dessa brilhante banda nos vídeos abaixo.